terça-feira, junho 29, 2010

Mini- Mim



Nunca fui uma boa jardineira.Sem contar os feijões que fazia brotar em potes de Danoninho na escola, nunca consegui cultivar por muito tempo qualquer planta que fosse. Na verdade, dei como encerrada minha insistência quando consegui matar um cacto.
Então, por ocasião de meu casamento, meu amigo Henrique presenteou-nos com uma mini-roseira. Linda, cheia de pequenas rosas vermelhas, exibidas, exuberantes. Olhei para elas com o encanto e o receio de quem recebe um recém-nascido.

Com carinho e cuidado, dispensei a elas todo a atenção que achava necessária a uma planta de aparência tão delicada: sombra, água, um pouco de adubo. Mas as rosinhas secaram, caíram e não queriam mais brotar. Mesmo assim, todas as manhãs, regava o pequeno vaso com uma certa tristeza, penalizada por não saber fazer vingar sequer uma flor dada com tanto carinho.

- Rosinha, o que você tem? Eu sou Rosa também, devia saber cuidar de você, mas você é folha e flor e eu sou carne. Me diz o que você gosta, que eu já não sei mais o que fazer.

Nenhuma resposta. Suspirei para o silêncio com o sol da manhã manauara batendo em minhas costas. Esse sol de bem cedinho, gostoso de sentir. Desejei não ter serviço e poder ficar "lagarteando" por horas, como tanto me faz feliz.
Já ia entrando quando deu um "estalo" na minha cabeça: talvez a rosinha goste desse sol também. Tirei o vaso da sombra onde o mantinha. "Eu gosto disso, quem sabe você goste também".

Ás dez em ponto, levei-a de volta á sombra " Depois você volta. Nesso horário o sol é muito forte, pode te fazer mal.". Levei-a para a área de serviço, fiquei lavando roupa e conversando com ela. "Os vizinhos vão achar que sou maluca. Vamos ouvir um pouco de música, rosinha, quem sabe você goste também".

Coloquei música, cantei junto. No fim da tarde, coloquei a rosinha novamente no sol, como prometi. Naquela noite, resolvi deixá-la "dormir" no sereno. É tão bom dormir ao léu em noites tão estreladas como aquela!

-Boa-noite, rosinha! - disse, antes de entrar.

No dia seguinte (impressão minha?) - a rosinha parecia mais verde e folhada. Descobri encantada dois pequenos botões. Quase beijei os brotinhos, batendo palmas de tanta alegria. Talvez agora eu consiga finalmente fazer uma flor brotar nesse mundo. Talvez não fosse mesmo difícil para a Rosa aprender o que a rosinha gosta. Um pouco de sol e sensibilidade. Ora, e quem não gostaria disso?

Pátria de Chutados



Não sei se o Brasil é o único país do mundo onde se dispensam funcionários e pára-se a produção por causa de jogos de futebol, mas não duvido que seja. No fundo, o negócio do brasileiro não é nem futebol: é carnaval. Pode ver: até em época de eleições o negócio é fazer barulho, carreata, ligar o som alto, pintar a cara e sair por aí agitando bandeiras e jogando papel picado para cima. Copa não é só futebol, é churrasco, é bebida (para alguns é bebedeira) , é reunir os amigos, a família, os vizinhos, o país inteiro colocando em pauta, aos berros, a reputação da mãe do juiz.
Cristãos não brincam o carnaval, e tem muito brasileiro que não se preocupa em exercer sua cidadania sequer indo ás urnas, mas copa, ah! Todo mundo gosta, vê, torce, ri, se descabela, pinta a cara, a casa, o carro, o cachorro de verde-amarelo, põe bandeira na janela, até bota a mão no peito pra cantar o Hino Nacional. Ah, se fosse a mesma coisa na Semana da Pátria, que quase ninguém mais lembra quando é!

Mas, em lugar de me lamentar, aproveito. Boto minha bandeira, canto meu hino, saio de verde-amarelo transbordando a honra de ser brasileira e agora - só por agora - ninguém acha que sou maluca.

quarta-feira, abril 07, 2010

Imprevistos...

Ainda bem que este blog só ia durar uns meses.
Posso afirmar com convicção que ele talvez tenha se tornado o registro online mais fiel dessa fase de transformação completa da minha vida. Ele nasceu com o amor que foi o verdedeiro gatilho dessas mudanças e que me guiou até aqui. Sou feliz hoje, muito mais que naquela época. Sou mais completa, mais madura, aprendi um tanto. E já sei que sempre estarei aprendendo.

Hoje acordei apaixonada pela minha vida.

terça-feira, abril 06, 2010

O Vale da Morte

Uma das visões mais marcantes da minha infância é a chama da torre de Cubatão em meio ao nevoeiro da Mata Atlântica, prenunciando a paisagem estranha: Cravada em meio às maravilhas da Serra do Mar, a caveira cinza das indústrias, sempre rodeada por um manto tóxico.Eu era muito pequena para compreender o real significado daquilo, mas minha lógica infantil já me levava a ser assombrada pelos dutos que desciam junto à encosta. Ah, quantos pesadelos tive com estes dutos..!
Eu amava ir ao litoral com a minha família. Arregalava os olhos para cada palmo da estrada de São Paulo até a Praia Grande, litoral Sul. Sabia onde estava cada túnel,cada cachoeira, os melhores panoramas. E também sabia que, em algum ponto do caminho, veria os tanques, as torres e contêineres de uma cidade onde parecia não viver ninguém.

Neste ponto da viagem, era comum meu pai contar histórias medonhas de crianças nascidas sem cérebro, de deformações causadas pela poluição, de cabras nascidas com oito patas... Éramos muito novos, mas já entendíamos dessas coisas de radiação, poluição, a intervenção do homem de forma desastrosa no meio ambiente. Chernobyl era fato recente, e meus pais sempre conversaram com a gente sobre tudo, seguindo o ritimo dos nossos interesses e perguntas- que nunca ficavam sem resposta.Ok, talvez algumas dessas respostas possam causar alguns pesadelos, mas são as questões que nunca serão menos difíceis de engolir, mesmo. Talvez seja uma boa forma de criar uma geração com mais consciência ecológica: contando histórias de terror ambiental para as crianças...

Comigo funcionou. Eu olhava, vidrada, o "Vale da Morte". Suas construções cinza em contraste com a linda floresta pareciam um castelo de vilão de conto de fadas, permanentemente envolto por uma bruma venenosa. Era uma vez um lugar maravilhoso, pujante em recursos naturais, vasto de mangues ricos em biodiversidade, onde os rios encontram o mar.Aí chegou o Lorde Ganância, pisou nas flores, derrubou as árvores, queimou a casa dos animais, destruiu o delicado ecossistema do vale envenenando seus rios e contaminando suas fontes. Trouxe consigo muitos escravos-zumbis, e logo surgiram muitos outros, que se submetem ao Lorde Ganância para poder sustentar-de forma precária- sua família. Por um pouco de dinheiro, o escravo-zumbi entrega sua saúde e a de sua família. Sua energia para ser drenada em prol de uma causa absurda que causará danos irreversíveis para os quais o arrependimento será global e tardio.

Cubatão, onde o vício em dinheiro disfarçou-se sob o nome de "progresso", onde a sede pelo poder foi infinitamente maior que o bom-senso, monumento futuro à arrogância do homem em seu sonho ilusório de supemacia...Cubatão, tenho medo de ti, por tudo o que representas, mas tenho ainda mais medo daqueles que não enxergam teu sinal...A tragédia humana nas vidas dos que te habitam já vai muito além do Socó e das crianças deformadas: são cidadãos de uma terra fundada em honra a um falso Deus, um reinado de ambição erguido sem qualquer respeito às verdadeiras riquezas que lá outrora existiam. Um patrimônio essencial foi destruido. A máquina de destruição não poderia encontrar local mais estratégico. E, pelo benefício de poucos, muitos são massacrados. É um sistema cruel, o que permite isso.

Sinto uma coisa estranha no peito, uma certeza de que a Mãe Natureza, que têm dado mostras do fim de sua tolerância com esse tipo de abusos, vai cobrar em breve pelo erro de Cubatão. Um preço do tamanho desse erro, do tamanho da dor de todas as mães das crianças mortas ou anacéfalas, proporcional à riqueza dos mangues agora depósitos de lodo tóxico, um preço que só irá se pagar quando a Serra do Mar tiver conseguido erradicar de vez o rastro humano em seu território. Mas o tempo da Natureza é eterno. o nosso é limitado, e muito curto. Talvez eu viva para ver Cubatão sendo engolida por deslizamentos, sufocada por seus tóxicos ou ardendo em suas chamas. Mas é certo que nesta vida não poderei vê-la como era antes mesmo de eu nascer, antes da indústria chegar, caminhar descalça em seus mangues, beber água de qualquer bica.

É, meu amigo... "a humanidade que salve a si mesma..."

quinta-feira, março 18, 2010

Pelo direito de ser...SIMPLESMENTE MULHER!!!

Pelo menos no tocante ao Brasil, o feminismo foi uma das piores catástrofes sociais da história. Que me perdoe minha querida Tintti,grande amiga e militante da causa, que conheci durante minhas aventuras na gélida Finlândia. Aqui nos trópicos, a coisa não é tão florida assim. Talvez também não seja em qualquer outro lugar do mundo- mas só posso falar do que conheço.
E o que conheço é uma geração antropofágica de mulheres numa constante competição entre si e com elas próprias. Mulheres que pensam ser mais livres, porém são mais escravas que quaisquer outras. Mulheres que desprezam a própria essência feminina,que, ao longo dos anos em busca de equipararem-se aos homens, acabaram por nivelar-se por baixo, recusando tudo o que as faziam seres mais sofisticados, de sentimentos e atitudes mais refinados.

As mulheres de hoje retardam a maternidade para quando já estão entrando no declínio da idade reprodutiva. E põe a busca pela eterna juventude à frente da busca pela sabedoria da experiência.O papel da mãe e dona-de-casa é ridicularizado, considerado última instância, falta de opção, "sina" das ignorantes, analfabetas e obsoletas.

Provavelmente a avó que foi às ruas pelo direito de votar e trabalhar por um salário digno não imaginou que sua filha queimaria sutiãs em praça pública pela liberdade sexual. Imagino o que se passa pela cabeça dela ao ver os valores e ideais defendidos pela neta de 13 anos...


A mulher tem que ser independente, trabalhar fora, ter formação.Mas, se for bonita e tiver um belo corpo,o conteúdo passa a ser irrelevante para o sucesso. Em se tratando de mulheres consideradas importantes da nossa época, a aparência parece sempre superar o conteúdo. Vejamos a cultuada Megan Fox, atriz de pouco talento, caráter notadamente duvidoso, atitudes lamentáveis e uma beleza estonteante. Ela pode ser horrível por dentro, mas quem liga? Todos querem tê-la, todas querem sê-la.


Aprendemos não devemos nos apegar a nenhum homem nem se prender aos filhos. Tivemos isso tão incutido em nossas mentalidades, que se refletiu em homens que não valorizam as mulheres como esposas e filhos que não reconhecem o valor das mães. Mais triste do que uma jovem que acha absurdo cozinhar e põr a mesa para o marido, é um rapaz que diz jamais querer se envolver com uma garota que prefira as prendas domésticas à uma carreira profissional.

Vejo a situação deste início de século XXI como uma oportunidade para se equilibrar estes valores. Iniciar uma luta pelos direitos de sermos verdadeiramente mulheres. Lutar pelo direito de NÃO optar por uma carreira profissional que exclua uma vivência familiar saudável. Pelo direito de ficar em casa educando nossos filhos, sem ser julgada com desprezo pela sociedade. Lutar por não ser rotulada segundo o número do manequim, não ter a inteligência medida pelo valor de um salário.

E, concluindo, faço questão de frisar a um possível leitor que hoje, aos 30 anos, não penso em mim como nenhuma ignorante, desafortunada ou infeliz por ser dona-de-casa. Na verdade, considero um privilégio muito grande não ser obrigada financeiramente a ter um emprego assalariado, e poder me dedicar inteiramente à minha casa, ao meu marido e à minha filha. Não depender de uma faxineira também é uma oportunidade de independência. Que espécie de independência é a de uma pessoa que nunca tentou fritar um ovo ou lavar a própria roupa..? Não preciso de um patrão me dizendo o que fazer ou não fazer: eu conheço as vantagens e prejuízos de cada ação minha para eu e minha família. não trabalho por dinheiro, e sim por amor. A gratificação é imediata, e o reconhecimento, às vezes pode até vir com o tempo, mas vem com uma solidez que poucas carreiras podem garantir.

Continuo com minha produção intelectual e profissional, eventualmente até ganho dinheiro com isso. Mas fazer o almoço da minha filha e vê-la sorrir, isso patrão nenhum paga.Saber que meu marido já comeu nos melhores restaurantes, e acha o meu arroz o melhor do mundo.

E aí? Quem ganha mais que eu?

*risos*

segunda-feira, dezembro 21, 2009

O Natal do Papai Noel

Joseph Olsen tem 65 anos e mora na Zona Sul de São Paulo. Veio ainda pequeno para o Brasil, com seus pais que fugiam da guerra na Europa. Desde sempre, morou naquela casa humilde, num bairro que nunca prosperou de fato. E do pai herdou apenas a profissão de encanador com a qual sustenta a si e a D. Betina, com quem vive há mais de vinte anos, e tem fama de ser tão mau-humorada e turrona quanto ele. Nunca tiveram filhos e viviam implicando com a molecada da rua, que fazia ainda mais questão de provocar algazarra na frente da casa deles.
Este ano, um desses scouters de agência publicitária, abordou o Sr. Olsen na parada de ônibus, oferecendo emprego de Papai Noel no fim do ano. Seu tipo robusto, de olhos azuis, cabelos e barba brancos era perfeito para o papel! O Sr.Olsen fez sua cara feia de costume, não disse uma palavra e enfiou o cartão da agência no bolso, esquecendo-o ali. Quando D. Betina o encontrou e perguntou o que era aquilo, o Sr. Olsen respondeu com sua rabugice de sempre:
-Um maluco quer que eu seja enfeite de Natal. Joga isso fora logo, ô mulher enxerida!
Mas D. Betina, ao invés disso,começou a resmungar que era por isso que eles viviam na miséria, que o marido era um idiota que não aproveitava nenhuma oportunidade...depois foi subindo o tom de voz, reclamando do estado da casa, do carro, das dívidas...e por fim, acabou declarando que o Sr. Olsen ia sim, trabalhar de Papai Noel, porque eles não estavam na posição de recusar dinheiro.

E foi assim que naquele fim de noite quente e chuvosa, 19 de Dezembro, o Sr. Olsen veio correndo e xingando se abrigar na parada de ônibus. Estava cansado, mais rabugento que nunca, maldizendo a mulher que o obrigara a passar aqueles dias aturando os filhos mimados da gente bem de vida. Saíra atrasado, devido ao grande movimento do shopping,o gerente o obrigara a ficar muito além do horário, e agora o Sr. Olsen não tinha certeza se havia perdido o último ônibus. A rua estava deserta. Praguejando, tirou do bolso ensopado um maço de cigarros baratos. Tirou um cigarro amassado e tentava acendê-lo.
-Oh, p*ta que pariu, só faltava mesmo essa m*rda estar molhada..!
-Papai Noel! É o senhor!?

O Sr. Olsen quase teve um ataque cardíaco com a exclamação. Julgava-se sozinho. Mas em menos de um segundo, um mulatinho magricela e careca surgiu do meio de um monte de papelão embaixo do banco da parada.

-C*ralho, moleque, tá querendo me matar?
-Papai Noel, o senhor veio!
-Que Papai Noel p*rra nenhuma, pivete! Vaza daqui, vai, vai cheirar cola ou assaltar algum bacana no farol..!

O menino riu

-Qué isso, Seu Noel, não faço essas coisas não..!
-Ah, é. Então você mora na rua porque gosta do estilo de vida.
-Olha, gostar, gostar eu não gosto muito, não, mas não dá pra reclamar, também. Tem a parte boa.
-Que é o quê? Não apanhar do seu padrasto bêbado?
-Ih, tenho padrasto não, Seu Noel..!
-Da biscate da tua mãe, então?
-Olha, bem da verdade, lembro muito da minha mãe, não. Nem sei se era biscate ou beata. Desde sempre, o que eu lembro, é dessa vida aqui. Até morei uns tempinhos com uma tiazinha lá, uma tiazona aqui, um abrigo ali...Mas vivo bem é na rua, mesmo. A comida é quase a mesma coisa e eu ainda posso escolher onde vou dormir. E ás vezes acontece até umas coisas legais assim! Quem diria que o senhor ia mesmo aparecer, hein, Seu Noel?
-Se liga, moleque, eu não sou Papai Noel.
-Como não? Essa barba branca, esse olhão azul, essa pança...Abre essa mala aí, aposto que a roupa vermelha tá aí dentro!- o moleque fez menção de pegar a mochila surrada do Sr. Olsen (onde, de fato, estava a fantasia de Papai Noel que ele usava no shopping), mas o velho deu um safanão:
-Tá pensando o quê, vagabundo!- o menino ria ainda mais, certo de que sua suspeita estava confirmada.
-Tô pensando nada, não..! Tô feliz que o senhor tenha aparecido, só isso...o senhor não sabe há quantos anos eu espero pra ver o senhor, Seu Noel!
-Vai alugar outro.Você não tem nem mais idade pra acreditar em papai noel, moleque.
-Eu tenho treze anos...podia até não acreditar, mesmo. Mas todo fim de ano eu sempre vi o senhor em tudo o que é propaganda, de placa, de TV...mas nunca assim de pertinho. Eu até achava que o senhor não existia, mesmo, que era tudo de mentira...Mas agora que eu acredito mesmo, olhaí! a barba é de verdade..!
O menino passou a mão na barba da Sr. Olsen. Ele permitiu por um segundo, depois se afastou
-Quê..! -resmungou. -Ô seu pivete, você acha que se eu fosse papai noel ia estar aqui, todo f*dido, esperando o ônibus, hein? Não ia ser muito mais fácil pegar meu trenó e voar pra casa?
-Ah, mas isso aí eu sei que é mentira! - o menino disse, triunfal. -Isso aí eu sei que já é fantasia, tipo coisa de TV. Essas coisas de rena, neve...Isso não existe!

Então, um pensamento invadiu a mente do Sr. Olsen: a lembrança da neve no seu país de origem. Uma lembrança há muito deixada de lado, a visão e sensação dos flocos caindo mansamente, o pisar fofo e frio na relva coberta de branco...e como era gostoso deslizar no trenó nas colinas em volta da casa, onde sua mãe já preparava um farto jantar para ele e seu pai. Lembrou-se do bosque habitado por belas renas selvagens que gostava de observar ao longe. Não, elas não voavam...ou voavam? -perguntava-se o jovem Joseph, rolando uma bola de neve nas mãos.

-Tá pensando que ônibus vai pro Pólo Norte, é? - o menino interrompeu seus pensamentos com a brincadeira. O Sr. Olsen deu um resmungão. Estava de volta ao ponto de ônibus sujo, ao rapazola impertinente.
- Como é o seu nome, moleque? -ele perguntou, oferecendo um cigarro que o menino recusou.
- Zé das Caixas.
- Isso é nome de gente?
- Sei lá, é assim que todo mundo me chama. É porque eu sou catador, tá ligado? Cato caixa de papelão pra vender. É assim que eu vivo: as caixas são tipo uma mãe: me dão casa e comida.
- Isso aí não é casa, muito menos mãe
- Bom, eu já disse pro senhor que eu não tive mãe. Mas as caixas nunca me deixaram na mão.
- Você é maluco.
- Mas sou bonzinho, né, Seu Noel? Eu sei que o senhor não aparece pra quem não se comporta bem...
O Sr. Olsen se lembrou das crianças do shopping. A maioria era sempre tão bem-vestida quanto mal-educada.Era óbvio que sabiam que acreditar em Papai Noel era um jeito prático de obrigar seus pais a darem-lhe os presentes listados. Era apenas isso que importava: os presentes. Nenhuma das crianças cheirosas e saudáveis da população economicamente ativa demonstrara uma satisfação tão legítima apenas em ver o "bom velhinho" quanto a que se estampava no rosto do jovem encardido e ossudo, encarando-o com os olhos brilhantes de quem presencia um verdadeiro milagre de Natal.
- Não, Zé das Caixas, você não deve ser tão bonzinho. Afinal, eu não trouxe nenhum presente para você.
-Mas, Seu Noel, eu nunca lhe pedi nenhum presente!
-Então, de que te interessa um Papai Noel, criatura?!
- Um presente pode ser qualquer coisa, em qualquer dia. Já ganhei muito presente de aniversário...E no Natal, sempre aparece alguém dando presente: bola, carrinho, roupa...Mas Papai Noel que eu sempre quis,nunca veio. Achei que eu não merecia, mesmo.Mas agora, olha o senhor aqui, conversando comigo!

O Sr. Olsen já havia aberto a boca para dar uma resposta atravessada e resmungona, mas não conseguiu. Calou-se comovido, e virou o rosto para o menino não ver seus olhos azuis ligeiramente cheios d'agua. A rua então, iluminou-se: era o ônibus que se aproximava. Com a chuva, ele havia se atrasado. Ele fez sinal, o coletivo parou. O Sr. Olsen já havia embarcado, mas antes que a porta do veículo se fechasse, ele voltou-se para Zé das Caixas, que ainda lhe sorria, sorriso gostoso de inocência.

O Sr. Olsen revirou os olhos e deu um longo suspiro, antes de ordenar, com seu costumeiro tom rabugento:

-Entra logo, moleque.Já está na hora de você saber a diferença entre uma caixa de papelão e uma casa.

Zé das Caixas chispou pra dentro do ônibus. Abraçou o Sr. Olsen, afundando seu rosto na barba branca com a qual ele tanto sonhara, tentando conter os soluços. O Sr. Olsen também segurava uma lágrima tímida, que tentava a todo esforço rolar pela face que esboçava um sorriso. Pensava na reação de D. Betina.Ela iria ralhar, é claro que ralharia! Mas ele também sabia que o amargor da mulher era justamente a falta da doçura de um filho que a vida lhe negara. Estava decidido: daria a Zé das Caixas, que jamais pedira presente algum, um lar, e um nome. E o levaria a conhecer a sua terra, onde neve, trenós e renas existem...
Existem?

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Crise de Identidade Profissional

Acho que cheguei a uma conclusão: não posso mais me definir profissionalmente como Redatora Publicitária.

Sou uma Redatora. Ponto.

Não sei se sou tão boa com publicidade. Não sei nem se sou tão boa. Não sei se meu negócio é mais a propaganda do que a literatura ou os roteiros de ficção. Queria poder dizer que sou uma daquelas cabeças "geniais", que nos brindam com frases criativas e de efeito sobre os produtos que anunciam. Mas hoje eu não tenho mais certeza se um dia serei uma dessas cabeças, pelo simples fato de que não tenho mais certeza se é isso que eu quero.

Quero escrever. Quero viver de escrever. Quero que as pessoas leiam o que eu escrevo, e gostem. Quero que conheçam as histórias que tenho para contar, as coisas que tenho para dizer. Não porque preciso que elas sabiam, mas porque gosto que elas queiram saber. O que escrevo é o que eu penso. O que penso é o que sou. Não importa a minha cara, minha cor, minha raça, meu sotaque, minha altura, peso, ou como gosto de me vestir.Não importa nem o tom da minha voz, e nem mesmo o que eu falo- pois quando abro a boca, tendo a falar demais e articular de menos. Se quiser me conhecer, leia o que escrevo.

E só então, decida se gosta ou não de mim.

domingo, dezembro 06, 2009

Maior "comédia"..!

Hoje dedico estas linhas de reflexão a um tipo de pessoa que, ao menos uma vez, sempre cruza nosso caminho: o famoso "comédia". Acho que ninguém nem usa mais essa gíria, mas nos meus tempos de adolescente ( pois é, eu disse que estou ficando velha!) significava aquela pessoa falastrona, cheia de contar vantagem, mas que na verdade não era " aqueeela Coca-Cola toda" . *risos*. Já gastei muita saliva lamentando por pessoas assim, e já passei muita raiva também. Hoje em dia,graças a Deus, essas figuras tornaram-se raras na minha vida, mas ás poucas que ainda tenho o merecimento de conhecer, dedico exatamente o que se espera de um (a) comédia: ...risadas!
Sabe aquele Zé Ruela que já passou dos 30, nunca conseguiu manter um relacionamento por muito tempo, até hoje não tem um emprego de carreira -se é que sabe o que quer fazer da vida - vive sem grana e sem perspectiva. Mas ainda acha legal se passar por conquistador, solteiro independente,sai por aí botando banca. Se bobear, ainda "se acha" por ter conseguido comprar o último lançamento em video-game no dia que chegou ás lojas. Esse é o autêntico "comédia". Um caso tão triste que só rindo.É como boa parte das "Maria Ruela": essas mulheres também na faixa dos 30 pra cima, que, ao contrário dos Zé, na maioria das vezes até têm bons empregos, salários e carreira. Mas assim como eles, têm vidas vazias, são emocionalmente imaturas, e por trás da imagem de mulher independente e "poderosa" está uma balzaquiana insegura, obcecada por calorias, que despreza o casamento por medo de não encontrar logo um príncipe e ser taxada de "encalhada".
Nem todo Zé e Maria Ruela, no entanto, são comédias. Só os que tentam disfarçar isso...
Mas ainda existe um tipo pior de comédia: aquele "amigo de ocasião". A pessoa que só lembra que você existe quando quer alguma coisa- porque na maioria do tempo, ele ou ela estão muito ocupados sendo alguém mais importante, mais popular, mais bonito e badalado do que você. Pra quem se ofende, esse é o tipo mais detestado de comédia. Para quem é capaz de rir, esses são, definitivamente, os mais engraçados.
Meu conselho: seja capaz de rir. Logo cedo me deparei com esses tipinhos, ainda no início da adolescência, e se até por isso a experiência foi mais cruel, também tornou a "vacina" mais eficaz. Exercitar hoje e sempre a consciência de quem eu sou me tornou segura o suficiente para achar qualquer pessoa que se ache grande coisa por me superar em qualquer aspecto, uma tremenda comédia. Ainda mais quando essas pessoas acham que estão fazendo um grande favor em fazer parte da minha vida. Pior ainda se ainda vem com aquela puxa-saquice tão autêntica quanto uma nota de R$3 com a cara do Seu Madruga...

Palhaço pode até ser engraçado no circo. Na vida real, não tem graça nenhuma..!

sábado, novembro 28, 2009

Epidemia de Solteiros

"O término de um relacionamento pode ser a maior oportunidade para encontrar o amor da sua vida" - Samantha Kyle

Não sei o que acontece, mas não deve ser só coincidência. Nos últimos dois meses, algumas - não uma, não duas, não três - algumas das minhas amigas mais próximas enfrentaram rompimentos em suas bem-encaminhadas vidas amorosas. Num momento estava tudo bem, no outro...

Ouço as histórias e, em alguns trechos, posso dizer que sei exatamente o que sentem, o que sentiram. Sou humana, pô...e de coração partido, também entendo um bocado. Todo mundo já levou um fora, já perdeu um "grande amor da minha vida". Acho que entre as mulheres, principalmente adolescentes, então, pode ser uma experiência bem devastadora. Tanto quanto...inevitável. E necessária.

Quando digo "necessária", penso que seja uma necessidade voluntária, porém irresistível. Porque a verdade é que, quando estamos curtindo uma fossa, a última coisa que desejamos ouvir é uma Samantha Kyle, com a frase que abre esta postagem. Mas se tem uma pessoa que pode dar testemunho dela sou eu, contando minha história. Todo mundo sabe como meu casamento começou. Curtindo uma fossa...

Fico triste por minhas amigas, mais ainda quando buscam em si um motivo, uma razão para culpar-se pelo fim do relacionamento. TODAS as garotas sobre as quais escrevo aqui são jovens, lindas e inteligentes. E TODAS, ao menos em algum momento, "chegaram à conclusão" de que são feias, ou gordas, ou ignorantes, ou chatas. Nenhuma o é. É doloroso ver o quanto elas se tornam fragilizadas, dependentes, incapazes, num primeiro momento, de acreditar que são maravilhosas mulheres com uma identidade própria, não dependem "dele"...É mais doloroso ainda lembrar do que senti em cada uma das vezes que aconteceu comigo. E ficava pior, quanto mais eu amadurecia.

Mas sobrevivi. Criei uma família linda. Meu marido tem defeitos,eu tenho defeitos, meu casamento tem crises. Mas hoje eu vejo que essa é a "graça": administrar essas crises. Principalmente, o conflito de egos, tão complicado no começo. Um amigo me disse que "no começo é uma maravilha". não é: o começo é a parte mais complicada. Se não ficou complicado ainda, é porque não começou de fato. E, se logo de cara, um ou ambos desistem, creia-me: é melhor assim.

Relacionamento não evolui: ele existe para que as pessoas evoluam.Manter um casamento, uma convivência diária sob um mesmo teto, é uma arte que muito nos ensina sobre o respeito, a tolerância, a necessidade da ordem, da compreensão. O amor não é tudo: ele deve ser a base, o fundamento sobre o qual vamos passar a erguer um colosso de paciência. E é desta paciência que esperamos que venham, pouco a pouco, todas as outras conquistas.

Paciência inclusive, para esperar o que há de vir. Porque virá.Quer melhor chance de encontrar o amor de sua vida do que estar, afinal, desvencilhada de quem não o era?

O coração não está vazio: suas portas estão abertas.

quinta-feira, novembro 26, 2009

A vida é CURTA!

Não consigo pensar em mais nada a não ser no meu filme. Engraçado isso: não esperava mesmo que um roteiro escrito em 10 minutos, só pra marcar presença, seria selecionado no concurso. Depois, não imaginei que um filme gravado em algumas horas, sem ensaios nem atores profissionais, daria tão certo. Mas deu. Depois, achei que não iria agradar. E agora estamos a dois dias da premiação, com quatro indicações e duas matérias de jornal. Que mais eu posso querer ou esperar?
Nada. O que vier é lucro. Toda essa experiência já foi em si uma vitória. Agora eu quero só curtir a vida, que é curta, mas não pode ser só curta!!



Até porque, não é nada demais. Curta que vira capa de revista? Só se for a saia da Geisy Arruda.

sábado, novembro 14, 2009

É clichê, mas é verdade!


A primeira vez a gente nunca esquece!

Gravação da cena de abertura de "Além do Encanto", primeiro filme de ficção escrito e dirigido por mim. As filmagens aconteceram no Recanto dos Curiós, belíssima propriedade ás margens do Tarumã-Açu, conhecida por sediar eventos de wakeboard e festas de gente bonita. Na noite de 8 de Novembro era toda nossa para muito trabalho, risadas e -oba!- muito guaraná Tuchaua!

Abaixo, a ficha técnica e o cronograma de exibições da mostra. Ficou curioso? Aparece lá!


"ALÉM DO ENCANTO" - Um filme de Rosa Moraes

FICHA TÉCNICA

Elenco:

“Encantada” .................. Leda Mayara
“Boto”............................ Santhiago Moss
“Pai”............................... Wander Luis
“Mãe da Grávida”........... Dorotéia Botelho
“Grávida”.........................Mel Rose
“Menino”..........................Marcel Perón
“Menina”..........................Julia Giamarino
“Mãe das Crianças”.........Célia Perón
“Delegado”.......................Niels Newton
“Policial 1”........................Sales Botelho
“Policial 2”.........................Sani Miléo

Equipe:

Roteiro e Direção..................Rosa Moraes
Assistente de Direção...........Caio Luiz
Produção.............................. Renata Paula
Ass. De Produção................. Luis Guilherme Bitterncourt,
Aylton Botelho
Elias Vidal
Samy Castro
Najara Perón
Direção de Arte.....................Inamara Fernandes

Auxiliar de iluminação.............Alvaro Botelho
Continuista...............................Renata Paula
Cameraman e Edição..............Junior Rodrigues
Still ..........................................Thiago Hermido

Agradecimentos Especiais:

Alcy Alves
Ana Scognamiglio
Carla Machado
Francisco Santos Silva
Rodrigo Mari
Flutuante Peixe-Boi


Exibições:

MOSTRA “CINEMA ALÉM DA IMAGEM”
20/11 – Sexta-Feira
*10h
CINEMARK - Manaus

MOSTRA “CURTA 4 ponto 5”
21/11 – Sábado
*10h
CINEMARK - Manaus
*18:30h
ITACOATIARA

22/11 – Domingo
*19h
MANACAPURU

MOSTRA “QUATRINHO.4”
23/11 – Segunda-Feira
*10h
CINEMARK - Manaus

* hora local

quinta-feira, setembro 17, 2009

A dor e a delícia de ser quem eu sou..!

Muito prazer, se for a primeira ou a milésima vez que você acessa este blog. Seja bem vindo, tire os sapatos, espreguiçe, sente-se em qualquer lugar e não repare na bagunça.
Sou Rosa Moraes, sonhadora por vocação e redatora por profissão, embora meus melhores textos eu sempre acabe escrevendo de graça aqui, ali, num pedaço de papel higiênico que nunca mais será encontrado. Escrevi também algumas letras de música que só eu sei e alguns filmes que só eu vi (mas em breve vocês também poderão ver o primeiro filme de ficção escrito e dirigido por mim na telona do Festival Curta 4 ponto 5!!)
Amo trabalhar, odeio ir pro trabalho. Amo cozinhar, odeio lavar a louça. Não sou magra nem gorda, não sou feia nem bonita. Sou baixinha, baixinha que só. E sou paulista, meu!
Ah, quem dera ser um peixe! Amo água e viveria feliz numa cabana a beira-mar, desde que tenha Internet. Não faço questão de ser rica, mas viveria como socialite numa boa. Só não vejo sentido em passar a vida perseguindo uma fortuna, uma posição, um corpo que nunca será o suficiente. Meu negócio é ser feliz hoje, e talvez amanhã. E amanhã eu penso no depois de amanhã. Depois de amanhã eu penso na semana que vem.
Sou Rosa, sou Pikena, sou o nick que me der na telha.Sou dramática, exagerada, sangüínea, de gritos, lágrimas, gargalhadas e biquinhos. A rainha do sarcasmo com um senso de humor babaca. Não tenho idade nem cor de cabelo. E já desisti de entender o mundo há muito tempo.

Muito prazer. Eu sou, provavelmente, alguém que você nunca irá conhecer.

:D

terça-feira, setembro 15, 2009

Amor bipolar

Passou.

Toda aquela frustração e indignação do sábado acabou no domingo à noite, depois de mais alguns surtos pré-menstruais, dramas cinematográficos e até alguns questionamentos filosóficos.

Amanheço numa segunda apaixonada, numa terça romântica, sonhando com uma quarta arrebatadora, uma quinta de companheirismo e uma sexta sensual.

Todo amor é cheio de altos e baixos.

Todo relacionamento é bipolar.

domingo, setembro 13, 2009

Questão de fidelidade...

Tive até uma espécie de pesadelo essa noite. Sonhei que estava em algum lugar inexistente de São Paulo, parecia uma escola ou faculdade. A um certo ponto, me peguei combinando uma ida ao motel com alguém. Aí eu lembrava "Putz, mas eu sou casada..! Não vai dar pra pernoitar, eu tenho que voltar pra casa hoje."

No sonho, eu não senti culpa nenhuma. Só aquela pontinha de receio de quem está fazendo algo com medo de ser pego, mas acha que isso é uma possibilidade um tanto remota. Demorou um pouco para eu me tocar, ainda dentro do sonho, que o meu amante era o Bilud. Claro, por isso foi tão fácil marcar uma rapidinha assim sem culpa nenhuma! Mas.. peraí, então quem era o meu marido, no sonho?

Era ele também, pô! Esquisito, né? Eu era casada (com ele) e tinha um amante (ele também). Mas embora fossem a mesma pessoa, no sonho era como se fossem irmãos gêmmeos, clones de corpo e personalidade. Imagina o absurdo da situação: eu chegando atrasada em casa e inventando uma desculpa pro meu marido para disfarçar o fato que estava era na sem-vergonhice...com ele mesmo. Complifuso.

De qualquer maneira, acordei com um sentimento esquisito. Acho que nunca (ou pelo menos nunca desde que estamos juntos -ou desde que existe esse blog, o que dá no mesmo) nunca tinha tido um sonho em que eu fosse infiel. E agora, não tenho certeza de que foi ou deixou de ser o caso. Se o marido e o amante são a mesma pessoa, é traição? O que confundiu tudo foi o lance de precisar mentir e esconder do marido.

Ai, que confa!! *risos*

Por outro lado, é engraçado isso. Faz pensar. Eu já traí e já fui traída, como todo mundo, eu acho. Meu relacionamento , verdade seja dita, é o resultado de uma traição. Mas de minha parte, meu histórico de infidelidade acabou ali. Tudo isso meu deu uma lição pra vida toda: não traia - e não seja pivô de traição.

E outra ainda mais valiosa: Não mantenha um relacionamento com alguém que você acha que pode trair. Porque, pelo menos pra mim, serviu para confirmar uma coisa que eu não levava muito a sério: QUEM AMA DE VERDADE, NÃO TRAI.. Pode estar com todos os instintos sexuais berrando - o que não podemos controlar- Mas não chega ás vias de fato. "Um momento não vale um relacionamento". Isso é lei. Se valer...bom, aí vai estar claro o valor desse ou daquele relacionamento para você.

Eu só sei que meu marido pode me colocar num polígrafo, fazer interrogatório, pode perguntar até pra Deus, que eu estou muito feliz e honrada de poder dizer de boca cheia (sem trocadilhos imbecis) que sempre lhe fui fiel, fidelíssima. Mas confesso, queridos leitores, que não acho isso uma virtude tão grande quanto se apregoa por aí. Ser fiel, aos olhos do pobvo, só parece ter valor por implicar em algum sacrifício, alguma resistência, alguma luta. No meu caso, foi e tem sido simplesmente muito fácil.

Porque quem ama de verdade, não trai.

sábado, setembro 12, 2009

Eu devia ter enchido a cara ontem

Devia ter bebido, me embriagado. Mas não. Fiquei toda preocupada em me poupar, em ter disposição...

pra quê?

Hoje levantei sem ressaca e vou dormir puta da vida.

Babaquice de mulher.

Estou me sentindo ridícula, fiquei puta com meu marido, virei o computador de "costas" pra ele e estou escrevendo aqui. Dando algumas pausas entre as frases pra ele achar que eu tô no MSN.

Até parece que tem alguma outra alma na net a essa hora. Pelo menos essas "almas"com quem eu gostaria de conversar. Renata, Loyana, Priscilla...mulheres comprometidas, que me entenderiam, ou me mandariam praquele lugar, mas melhorariam meu humor.

Sei lá. Tô muito f***** da vida. Tô até escrevendo um monte de palavrões, coisa que não costumo fazer.

Hehehehe, não deixa de ser cruelmente engraçado ver meu marido espiando minha cara de canto de olho. Ele não vê a tela do meu computador, mas está bem de frente pra mim. ÓBVIO que meu sangue FERVERIA se ele fizesse alguma piada de mau-gosto desse tipo comigo, mas como você acha que estou, aqui seca pra namorar um pouquinho com ele, toda arrumadinha, e ele vir com um papo de não estar a fim de sair..? Eu não sugeri atravessar a noite numa balada, queria tomar um sorvete, algo assim.

Se pelo menos a gente não estivesse passando uns tempos na casa dos pais dele, eu não estaria tão pê da vida. Estamos aqui há quase um mês. Alguém aqui imagina o que é passar quase um mês dormindo num quarto grudado com o dos sogros?

Nada pessoal. É uma questão de PRIVACIDADE e INTIMIDADE, coisas que eu valorizo muito.

Agora ele mandou beijinho, tá tentando "fazer as pazes", pediu pra eu não ficar brava. Vou pensar muito no caso, e provavelmente vou continuar mega-frustrada até ele se tocar e levantar a bunda da rede. Aí, eu juro, esqueceria tudo. Ficaria feliz, feliz.

Poxa vida, é meu marido, o único homem que eu amo nesse mundo...é LÓGICO que eu fico enfezada se ele "não tá a fim" de sair. QUEM não fica enfezado quando o amor da sua vida tá nessas?

Agora, quando EU estou nessas e de TPM, eu posso até exagerar. Mas me sinto com vontade de sei lá o quê. Quebrar tudo, sair berrando. Ainda bem, nessas horas, que eu não dirijo. Acho que seria capaz de sair e ir encher a cara de sorvete sozinha. E isso, claro, pro relacionamento seria uma péssima idéia.

Eu nem devia estar escrevendo essas coisas, eu sei, mas ninguém vai ler mesmo, dane-se.

De TPM no sábado á noite.

Quero que se lasque. Tive uma semana de matar. Não faço a mínima idéia de porque preciso passar por isso.
Eu sou até capaz de tentar não descontar em alguém, mas fechar essas coisas dentro de mim não dá. Acho que nunca fui de fazer isso.
Não queria ficar aqui esta noite. Queria sair, botar a cabeça pra arejar. Queria um tempo com meu marido, e passei a tarde toda me arrumando, no fim não rolou e eu estou ainda mais irritada. Estou aqui, num sábado á noite, toda empetecada, escrevendo num blog que ninguém lê.

Tô com sono, mas tão puta que nem vou conseguir dormir tão cedo.


E só tenho essas linhas pra me ouvir.

sexta-feira, setembro 11, 2009

...

Cansei de vocês humanos. Vocês são malucos, incongruentes, inconstantes, incoerentes e não importa o quão interessante sejam , geralmente não passam de imbecis. (tá, a palavra é feia, mas começa com "im"...)

Destróem a natureza como se pudessem viver sem ela. Acham bonito ser feio. Nunca estão felizes com nada. Desperdiçam a vida toda obcecados em ganhar dinheiro para viver melhor. Quando? Quando o melhor da vida já tiver passado??

As mulheres, para se fazerem respeitar, não se dão o respeito. Ser mãe saiu de moda. O sexo- cúmulo da intimidade - virou um produto. Antes, os humanos trancavam seus diários ã chave. Hoje em dia, publicam na Internet.

As crianças não querem mais ser crianças. Desde cedo são adultizadas, erotizadas, massificadas. Aprendem que puxar o tapete é muito mais do que descobrir o piso. Na escola, lições de arrogância e preconceito. De que adianta o uniforme, se quem não usa o tênis da moda ainda vale menos?

Ser alegre é ser bobo. Sorrir é proibido. O amor não existe além dos contos de fadas. Ser gentil é ser trouxa. Ninguém vence na vida sendo honesto.

A comunicação humana decai na mesma proporção que os meios de comunicação avancam. É saudável ser raquítico. É legal ser ilegal. Exigem respeito sem respeitar os outros.

Tenho vontade de chorar, mas se souberem que choro pela humanidade, vão me chamar de louca.
É, eu sou louca. Isso tudo não tem jeito. Então, por quê esquentar a cabeça?


Quero estar na primeira fila pra ver a bomba H.

quarta-feira, setembro 09, 2009

9/9/9 - DIA MUNDIAL DOS BEATLES!


9. O número do novo, das novidades. Das 9dades! Número misterioso, predizendo as boas vibrações e as grandes mudanças que estão por vir. Nove de novembro, tudo novo novamente!!


E DAÍ?? O IMPORTANTE É QUE HOJE É O DIA MUNDIAL DOS BEATLES!!!

Viva John, Paul, Ringo e George!!
Viva os rapazes de Liverpool!!
Passei minha infância viajando no submarino amarelo, numa mágica e misteriosa viagem pelos campos de morangos eternamente...
Conheci a Lucy no céu com diamantes, e tive noites de dias difíceis...
Lembro de brincar na sala ao som dos vinis dos Beatles, usando um headphone maior que minha cabeça...
aprendi inglês no encarte de Magical Mystery Tour
Meu pai me convencia a comer maças olhando para o logo da Apple
E, se eu atravesso na faixa até hoje, é graças à Abbey Road.
O primeiro show em que fui na minha vida foi o Paul McCartney, no Pacaembu...
Minha filha chama-se Julia, não é por acaso...

E hoje é o dia de celebrar tudo isso!!!

FELIZ DIA MUNDIAL DOS BEATLES!!!

terça-feira, setembro 08, 2009

PikeNices! - Conclusões (II)

* Não importa quão cedo eu acorde, sempre vou levantar atrasada

*O shampoo sempre acaba quando é a minha vez de tomar banho

*Se o dia está um tédio porque não tem nada pra fazer, pode ter certeza de que o trabalho que aparecer será um saco. E virá pra mesa ás cinco horas da tarde.

*Trabalhos legais só aparecem quando eu estou entupida com milhões de outros trabalhos com prazo mais curto que são prioridade.

*A manteiga nem sempre cai pra baixo, mas as migalhas sempre fazem muito mais sujeira e se espalham muito mais do que um pingo de manteiga.

*A bateria do celular só acaba quando o papo está bom.

*Ou, se você está esperando alguém IMPORTANTE ligar.

*O filme é ruim na mesma proporção da sua empolgação para assistí-lo.

*Se for no cinema em Manaus, leve casaco para neve.

*Se for no cinema na Finlândia, vá com uma roupa bem leve.

*A pizza só demora se você está com fome.

*O ônibus só chega rápido se você acender um cigarro.

* Só aparece pouca gente na festa se você fez comida para um batalhão.

* Nunca tente desemperrar um zíper com os dentes.

Quem ama o feio...



Taí. A maior prova de que não existem padrões de beleza, afinal. Essas coisinhas horrorosas mais fofas do mundo, que justificam a lendária história da expressão "mãe coruja". Como alguém pode chamar de "feios" esses filhotinhos tão cuti-cuti?

Amo corujas. Ainda vou merecer ver uma Suindara voando por aqui.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Figuras: "Dona Façanha"

Estou inaugurando uma nova "seção"nesse blog: a megaclichêzamente nomeada FIGURAS , onde dedicarei algumas parcas linhas para falar a respeito de pessoas er..."únicas", de certa forma. ( e "esquisitas" de qualquer jeito!).

Começo falando da dona da bodega aqui perto do meu trabalho. É uma tiazona descabelada, baixinha, nem gorda nem magra, tipo uma mistura de D. Florinda com Cascatinha. Se eu passo na bodega ás seis da manhã, ela está lá, debruçada no balcão, lendo jornal. Se eu passo ás oito, ela está lá, debruçada no balcão, lendo jornal. Se eu passo às três da tarde...adivinha só?

Pois é. Juro que eu já pensei que fosse um daqueles bustos de madeira decorativos. Só que a véia tá mais pra espanhtalho...

Mas o legal da D. Façanha é justamente a capacidade que lhe rendeu o apelido. Porque ela é tão simpática e bem-humorada que ela é capaz de realizar a façanha de atender os clientes sem olhar na cara deles. Mas isso é até uma boa coisa, porque olhar na cara dela significa levar uma encarada silenciosa que diz: "Você interrompeu meu jornal!"

Ontem, meu marido, como sempre, veio me buscar e parou na bodega da "Dona Façanha" pra comprar alguma coisa pra beber. E ali estavam reunidos alguns taxistas (não sei por quê, vive cheio de taxista ali, mas não tem nenhum ponto por perto). Eles estavam elogiando efusivamente as coxinhas da D. Façanha ( o salgadinho, bem dito! ), e os risólis, etc...E a Dona Façanha lá, nem te ligo, olhando um ponto no horizonte com cara de fita Teflon. Acho que se os tios estivessem falando que a comida dela era uma merda, ela ia estar com a mesma expressão sorumbática de frigideira fria depois que acaba a omelete.

Dona Façanha é a Miss Simpatia da região Norte. Dona Façanha é um ícone do atendimento manauara.Dona Façanha é uma figura!

quarta-feira, setembro 02, 2009

NEO- Essa vida é boa, mas eu odiei o final. Tem reembolso?

E ESTE






É o maldito asteróide que, DIZEM, um dia, se chocará contra a Terra.


No fim das contas, o mundo vai acabar por uma batata.

EM&Tantas lembranças..!

Não sei se já postei sobre isso antes (devo ter postado), mas bastou uma simples menção da minha amiga Priscilla pra eu entrar numa seqüência de flashbacks de um tempo muito legal na minha vida...Quando eu estudava na EM&T- Escola de Música e Tecnologia.
Eu me divertia absurdos na aula (com a maravilhosa Eliete Murari, e fora dela, dentro e fora da escola. Edu Letti,Edu Ardanuy,Jefferson,Faíska,Nilton Wood, Kiko, Kika, Paulinho, Vanessa, Ju... e mais tanta gente com quem dividi muitas tardes, noites, happy hours. Foi numa dessas que descobri o EMPÓRIO, o bar mais mequetrefe da cidade, onde ás vezes o garçom tinha que ir comprar a cerveja no supermercado (!!) e onde serviam licor de Kiwi num copo de requeijão cheio até a boca. Mas o som...Só diretoria!! Pelo nível dos freqüentadores acima citados, vocês imaginam o nível das "jams" que aconteciam por ali. E pouquíssimas pessoas testemunharam isso, já que o público do bar parecia restrito ao pessoal da Escola...Cada festa maluca eu vivenciei por ali!

Saudades do Taffo, de sua Rosa Branca que tantas vezes virou referência para os meninos brincarem com meu nome. Saudades dos eventos, de conviver lá dentro com meu irmão, meu melhor amigo, das risadas e histórias que vieram, passaram, mas ficaram na memória.

terça-feira, setembro 01, 2009

Criativa em Crise

Fazia tempo que não passava por um "branco" desses.
Estou há uma semana debruçada nesse computador sem que nada realmente digno de aplausos tenha passado por esse teclado.
E o pior é que não posso nem dizer que é uma crise de criatividade... Eu até tenho alguma das minhas típicas boas idéias aqui ou ali... Só não consigo criar para o que IMPORTA, como os benditos jobs na minha mesa.

Tenho feio os anúncios mais meia-boca da minha carreira. É vergonhoso.

Agora, preciso escrever um roteiro de 3 minutos e meio para o festival Curta 4ponto5. Quero inscrever dois roteiros. Um já está pronto, apesar de eu ter achado meio bostinha. Minha chance vai ser o segundo, que tem que sair ainda hoje. Amanhã vou inscrevê-los.

Droga...


Queria uma lâmpada acesa.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Twittando...

Guardem bem esta data: 27 de Agosto de 2009. Neste dia, rendi-me ao Twitter.

E ACHEI UMA PORCARIA!!

Putz treco sem graça, não dá pra entender nada do que está acontecendo, todo mundo fala ao mesmo tempo, é uma grande linha cruzada. E eu sou do tempo em que linha cruzada era defeito.

Fui seduzida por aquela história da Xuxa, que além de só escrever besteira, tem uma filha de 11 anos que escreve "cena"com "s" e ainda tem nego achando normal. Bom, num mundo que pergunta d ond vc tc? deve até ser. "Eu num xei nda dissu nhaummmm..!"

As pessoas poderiam estar se comunicando melhor que nunca, mas estão cada vez menos dispostas a praticar a boa comunicação. Sou eu quadrada demais ou tá tudo indo pro espaço?

Anyway, não posso mais ser acusada de me recusar a evoluir. Já estou no Twitter.

(mas vou continuar por aqui).

segunda-feira, agosto 24, 2009

Tragédia a beira do caminho.

Ontem, voltando para buscar nossa filha após um cansativo dia de preparativos para a mudança, meu marido perguntou se eu não queria ver como havia ficado o apartamento. Concordei, sem muito entusiasmo: a curiosidade era grande, mas o cansaço era maior.
No desvio do caminho, os destroços de um acidente: um Palio Weekend vermelho, todo retorcido. Impacto em alta velocidade, sem dúvida. O instinto de urubu do Biludo falou mais alto, e ele quis parar o carro para ver de perto. Muitos curiosos fizeram o mesmo. Nenhum carro de resgate por perto. Concluí que já deviam ter removido as vítimas.

Engano. Ao me aproximar do que sobrou do carro, um homem entre a vida e a morte, mais próximo dessa última, estava preso ás ferragens. Afastei-me antes que visse mais do que eu não queria ver, e foi só pelos comentários que eu soube da moça de rosto mutilado, e do bebê de seis meses que fora retirado e levado pelos populares. Em quais condições, desconheço.

Chega o carro de bombeiros. A ambulância. Duas motos de apoio. Socorro. Papai bebeu demais.

Não ficamos para ver o fim da história.À morte trágica se opõe o esforço heróico dos bombeiros. Ao pai de família se opõe o homem irresponsável. À um alegre passeio de domingo opõe-se a bebida.

Á esta conclusão, opõe-se a mídia.

Quase trinta

Não há um só dia em que eu não pense que estou chegando aos trinta anos. Mesmo assim, inegavelmente adulta, ainda não consigo "realizar" minha situação de mulher casada, mãe de família, trabalhando as 8 ás 18. Ainda gosto de fantasiar sobre o que quero ser quando crescer.

Quando tinha nove, dez anos, olhava as garotas de 15, e pensava "um dia, serei como elas, terei essa aparência de moça"

Quando tinha quinze, sonhava com os 18, com uma independência utópica: "aí sim, serei adulta! " pensava.

Com 18, achava "velhas" as mulheres de 25. Mas me sentia muito nova ainda. Não me dedicava muito aos estudos nem me preocupava com futuro profissional. "Ainda é muito cedo pra decidir o que quero na vida!" , filosofava.

Com 25, grávida, assistia empaticamente docimentários sobre gravidez na adolescência. Sempre levava uma meia hora até eu me tocar de que não era bem o meu caso...

E hoje, aos 28, me recuso a acreditar que, finalmente, eu cresci (bom, pelo menos envelheci). Dá pra ver no espelho, e eu dou risada ao descobrir os ainda mínimos sinais so tempo. É engraçado envelhecer, quando não acreditamos na idade.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Doida talk

Ok, vamos ocupar a hora do almoço com coisas úteis.
Eu já nem sei mais por quê continuo me preocupando em atualizar isso aqui. Ninguém mais "bloga". Todos os dias, me sinto tentada a migrar pro Twitter, mas não consigo abandonar esse Blogger. A verdade é que eu não quero, gosto da idéia de ter toda uma fase decisiva da minha vida num endereço só *risos*
Por outro lado, perdi um pouco daquela ânsia de escrever postagens interessantes, que atrairiam algum leitor pra cá. Ninguém lê mais isso há séculos.

Também, falar sobre o quê? Que eu acho que esse mundo tá perdido? Que a humanidade é doida? Que eu não entendo por que os outros não me entendem, e ás vezes me pergunto se sou muito mais doida do que eu acho que sou..? *risos*

Meu marido adora dizer que eu sou doida. Acho engraçado, porque eu entendo de onde ele tira essa idéia, mas não importa o que eu faça ou como tente, não consigo explicar pra ele que não é bem assim *risos*.

Bom, se eu sou doida, pelo menos eu sou uma doida de muita sorte. Isso ele admite: eu tenho sorte pra caramba. Vai ver é por isso que eu me divirto com a vida que levo.

Eu sou feliz comigo mesma, e você?

De bob no serviço

Mais uma vez (e já foram tantas, desde que esse blog está no ar! ), tenho que admitir:

ODEIO procurar emprego, mas sempre esqueço como gosto de trabalhar!

Num momento de ócio aqui na agência, fico remexendo arquivos de fotografias. Coisas bizarras desde mundo.
Inventando moda, criando jingles ofensivos que não vou apresentar nem pros meus colegas de criação.
Lendo panfletos sobre produtos que ajudo a vender, mas eu mesma jamais compraria (embora eu REALMENTE tenha me interessado por um carrinho de varrer elétrico).
Bagunçando minha mesa, achando que isso me faz parecer ocupada.

Vendo as horas passarem...observando melhor um ambiente que nunca tenho tempo de analisar.

É, aqui até que é legal.

DESCOBRI!!

Já sei porque tanta propaganda de cerveja mostra um cara horroroso ou tosco cercado de mulher bonita...
É que cerveja faz isso, mesmo: deixa o cara gordo, barrigudo, com a língua presa... e enxergando qualquer baranga como uma deusa...

Taí... quem disse que não é uma propaganda verossímil!?

quarta-feira, agosto 05, 2009

"Hoje é o seu dia, que dia mais feliiiiiiz..!"

Hoje é aniversário de um dos meus melhores amigos, que está fazendo 21 anos. E, para comemorar, planeja uma festa que, se não vai mobilizar a cidade, pelo menos já tá mobilizando nossa turma *risos*. Até a minha filha de 2 anos entrou nessa: passou o dia com a gente correndo atrás de coisa pra festa. "Lounge" na piscina, sonzinho "chill-out" iluminação de velas, tochas, luz negra...Olha, se sair metade do que estamos esperando, vai ser bem legal! *rs*. Eu acho que nunca vou me esquecer do aniversário dele de 18 anos. Uma das festas mais "chuta-balde" que já fui na minha vida... hehehe!
Gosto desse menino. Acho que é porque em muito, me lembra meu irmão. De uma certa forma, ajuda a enganar a saudade, que só aumenta, ainda mais agora que a distância não é só física...Pra quem cresceu em dupla, esse deserto de uma companhia divertida e confidente é duro de agüentar. Claro, meu marido, minha filha... Mas irmão... é outra coisa. Quem tem, sabe.

Minha felicidade é um pouco menor, sem ele.

domingo, agosto 02, 2009

Por quê escrever blog??

Queria poder publicar tudo o que está se passando pela minha cabeça, mas não posso. Incrível, ninguém visita isso aqui, mas vê lá: é eu escrever uma coisinha, dar uma pisadinha de bola... Pode ter certeza: o mundo todo vai saber.

Eu que sei, porque já passei por isso. Crucificada por dizer algumas "verdades que incomodam". Verdades sobre mim mesma, ainda por cima. Porque, bem ou mal, eu sou aquilo em que acredito, minhas palavras, ações e atitudes. Eventualmente, posso me calar, mas não farei isso sempre. E, pior ainda, não posso finger ser o que não sou, nem concordar com o que não concordo só para ter a aprovação e o reconhecimento de pessoas - na maioria das vezes, de pessoas que sequer se importam comigo de verdade.

E se este tipo de atitudes sempre me foi desprezível antes, hoje ainda mais, porque eu encontrei muito mais amigos entre pessoas que me aceitam como sou agora, e conseguem apontar e me aconselhar sinceramente quanto aos meus defeitos. Sem sarcasmos, ironias e maledicências.

Só lamento. Lamento inclusive porque minha principal forma de reagir ao sarcasmo e a ironia, é ignorando completamente :)

Se não güenta... *risos*

sábado, agosto 01, 2009

...

Posso postar só por postar?
Posso escrever só pra desabafar?
Nem sei o que está abafado, se é grito se é gemido
Ou mesmo se algo está perdido
Escrevo por escrever, pra sentir o gosto das palavras
Pra adivinhar o som que fazem quando ditas
Rimar até com batatas fritas
Quando falta a inspiração.
E,se não mais que de repente
Esvai-se a bateria da gente
Melhor que este post vergonhoso
Seja publicado imediatamente

sexta-feira, julho 31, 2009

"A mulher precisa de um motivo para trair. O homem, só precisa de uma mulher."

Assistindo a um documentário sobre infidelidade conjugal, apareceu essa frase que resume quase tudo. Digo "quase", porque já observei que, para muitas mulheres, o "motivo" é simplesmente ser "vadia".

Homem ou mulher, quem trai é, no mínimo, mau-caráter. Fidelidade é para poucos. "Se não güenta, por que veio?". Nem assuma compromisso. Pra quê? Se prender, sofrer e magoar o outro?

O mundo anda tão liberal, ninguém mais discrimina solteirões, garanhões, solteironas e "mulheres de carreira". Sexo já não tem que ser com amor. Pra quê hipocrisia?

Sei lá. Sou grilada com esse papo. Essa é a verdade.

Ás vezes quero fugir do mundo. E esse é um dos maiores motivos.

Novos Verbetes Para o Dicionário Joollyah-Português

Cecelo: Chinelo, sandália
Poquilos: Sucrilhos
Poponja: Bob Esponja
Cicina: Piscina
Pióca: Tapioca
Bouo aate: Bolo de chocolate
Bebela: Libélula
Mióca Touolaka: Minhoca-Touro do Alasca

Reinventando!

Quero refazer esse layout. Que me perdoem os desiludidos, mas eu nem pareço mais com essa foto...*risos*

Mas continuo a cara do tigrinho aí no título!! Hehehe!

Vou ter de reaprender a escrever coisas divertidas e bonitas, pra galera voltar a comentar aqui. Se bem que, hoje em dia, ninguém mais lê blog...Lê? Agora é tudo Twitter, Facebook, no mínimo um Orkut... Até coloquei um feed do blog no Orkut, mas ninguém mais lê, mesmo. Tá todo mundo muito ocupado mostrando a cara nas fotos. Ninguém mais quer "conhecer os outros por dentro". Esse barato da "verdadeira comunicação" da Internet acabou faz tempo. Que coisa..!

Tudo vai muito rápido. O mundo gira tanto que já dá até pra sentir o "ventinho" da evolução.

Memórias...

Sabe o que é engraçado..?

Olhando no arquivo, na primeira página desse blog...Ele começou exatamente, mas exatamentezinho, dia, mês e ano, em que minha vida toda começou a mudar pra sempre. E eu, claro, não tinha a mínima idéia disso.

No começo, era só um "amor de férias"... Eu estava encantada e triste por ter finalmente descoberto que estava muito apaixonada por alguém que se apaixonou por mim também...Mas esse alguém teve que ir seguir sua vida longe de mim, e, no fundo, eu relutava em aceitar que isso não daria certo. Essa história de relacionamento à distância não daria certo. Não pra nós.

Quando comecei a escrever este blog, com certeza não se passava pela minha cabeça que a saudade (e a maluquice), me levariam a segui-lo, dois meses depois...

...Nem que voltaríamos, tempos depois...

...Nem que nos separaríamos, um ano mais tarde...

...Ou voltaríamos após seis meses..!

Não sabia que eu engravidaria...
Que um anjinho nasceria...
Que teríamos muito a superar...
Que nos casaríamos...
E voltaríamos para o início...
Para reencontrar um recomeço..!

Não sabia que minha vida mudaria tanto, nem que EU mudaria tanto...
E está tudo aqui, de uma forma ou de outra. É engraçado.
Final feliz? Que mané final!! *risos*
Eu quero é começar tudo de novo!!!

FELIZ VIDA NOVA!!

Minha vida COM acentos!!

Alô, pessoal!
Depois de muito, muito tempo, posso prometer que voltarei a atualizar`este blog com uma certa freqüência... Afinal, CONSEGUI OS ACENTOS PARA O MEU COMPUTADOR!

Para quem não sabe, há cerca de... sei lá, forever, eu estava trabalhando com esse laptop e, por algum motivo técnico que só um técnico pôde resolver, ele estava sem acentos. Por isso eu estava com "vergonha" de atualizar o blog. Pega supermal o blog de uma redatora sem acentos...Não?!


Hehehe... e pensar que eu cheguei a ir trampar com essa máquina, escrevendo roteiros oficiais com isso... Era um Deus-Me-Acuda : antes de escrever um "é", por exemplo, eu tinha que escrever a palavra "café". Assim o corretor automático do word reconhecia e acentuava...Aí eu apagava o "excesso de contingente alfabético", e pronto!!! Toda essa "treta" só por um acento agudo..!

Mas agora, isso mudou! Agora EU TENHO ACENTOS!!

Pena que perdi todos os leitores dessa página...

sexta-feira, março 20, 2009

A PONTE de Virginia Rosa

Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
Como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte

A ponte não é de concreto
Não é de ferro não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu
pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente atravessar
Caminhar sobre as águas desse
momento

Como é que faz pra lavar a roupa
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
Como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte

A ponte pode ser qualquer direção
A ponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar
com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente atravessar
Caminhar sobre as águas desse
momento

Nagô, Nagô
Na Golden Gate, eu falei
Nagô, Nagô
Na Golden Gate, eu falei
Nagô, Nagô
Na Golden Gate

terça-feira, março 10, 2009

Produza, produza, produza!

Ah... a sensacao de ser util, mesmo quando nao estamos de fato fazendo merda nenhuma!! *risos*
Estou gostando de trabalhar aqui, mesmo nao recebendo todos os feedbacks que eu queria. Digo, eu faco os trabalhos e demoro pra saber se ficaram bons ou nao. Isso me deixa ansiosa. Gosto de saber os resultados na hora. E, quer saber, detesto ficar sem nada que fazer. Mas nao tem problema, eu fico aqui enrolando. Passando vergonha nesse teclado desconfigurado *rs*.

O unico problema e que as cadeiras sao muito baixas. Acho que preciso de uma cadeira exclusiva pra mim *rs* Prefiro nao encostar os pes no chao do que ter de levantar os bracos para digitar.

terça-feira, março 03, 2009

De volta a ativa..!

Ta, e uma vergonha o blog de uma redatora ser escrito desse jeito, sem acentos nem cedilhas, mas, de boa: to muito a fim de escrever e sem paciencia nenhuma de tentar reconfigurar esse teclado.
Apesar de ninguem mais ler, comentar, dar a minina para esse obliviado blog, EU continuo escrevendo. Registrando. Deixando o rastro digital de minha desinteressante vida.

Quer dizer, desinteressante pros outros, ja que, pra mim, eu sou a pessoa mais interessante do mundo! Hehehe!


Depois de um carnaval dos diabos em Paracuru (fica no Ceara, mas nao se sinta alienado: antes desse feriado eu tambem nem sabia que existia), voltei a trabalhar!! Estou dando uma de redatora publicitaria remunerada numa agencia aqui em Manaus. Hoje e meu segundo dia, to sem nada pra fazer e estou me divertindo. Minha verborragia nao me permite parar. Se nao me dao trabalho, eu invento..! *risos*

Tinha ate esquecido o quanto eu gosto de fazer o que faco. Parece ate engracado pensar que vou receber pra isso...hehehe

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Sinfonia Paulistana


(Billy Blanco)

Fazendo som com as estrelas, ligado no sideral
Por Maria, fez poemas, nas praias do litoral
As ondas contaram ao mar, por isso é que os oceanos
No mundo inteiro cantados, cantarão mais cem mil anos
E o homem entre mar e céu, tem canções por todo lado
Louvado seja Anchieta, pra sempre seja louvado
Navegante tem cantiga, que aprendeu no mar um dia
Qualquer rota que ele siga, se não canta, ele assobia
Cabelos cor da noite, pele de alvorada
Cacique entregou ao branco, a filha amada
Raízes de Brasil, chegaram até aqui
Abençoado o colo dessa mãe antiga
Por 400 anos feitos de cantiga, naquele doce embalo
Da canção Tupi
Na tez de uma paulista em cheiro de floresta
A cor de jambo é a índia, que ninguém contesta
De uma altivez que o Império nunca vira
É a tradição, é a raça, é a nossa origem
As coisas da história de São Paulo exigem
A honra que se faça ao nome de Bartira, Bartira
Era tudo, era o nada rio acima
Que o paulista no peito ia vencer
Pra fazer mais Brasil do que existia
Já um tempo era pouco pra perder
Reunindo oração e despedida na partida da horda triunfal
Caçador da esmeralda perseguida
Foi fazendo a unidade nacional
Bandeiras, monções
Já se dava por glória ao que se ia
Porque mal se sabia se voltava
E a benção levada já servia
De unção para quem por lá ficava
Nas monções quem seguia, na verdade
Já partia cheirando à santidade
Quem não via esmeralda ou não morria
Povoava cidade mais cidade
Bandeiras, monções, São Paulo
Que amanheceu trabalhando
São Paulo, que não sabe adormecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer
São Paulo, todo frio quando amanhece
Correndo no seu tanto o que fazer
Na reza do paulista, trabalho é Padre-Nosso
É a prece de quem luta e quer vencer
Bastante italiano, sírio e japonês
Além do africano, índio e português
Tudo isso ao alho e óleo, temperando a raça
Na capital do tempo, tempo é ouro e hora
Quem vive de espera, é juros de mora
Não tem mais-mais nem menos, ou é sim ou não
No máximo se espera pela condução
Nas retas da Rio-São Paulo, chegando, chegando eu vim
Paulista é quem vem e fica plantando, família e chão
Fazendo a terra mais rica, dinheiro e calo na mão
Dinheiro, mola do mundo, que põe a gente na tona
Leva a gente ao fundo
Sim, senhor, sim, senhor, sim, senhor
Faz a paz e a guerra, traz a Lua pra Terra
No mais aumenta a barriga do comendador
Dinheiro, juras e juros, erguendo todos os muros
Pra ele próprio depois, derrubar, derrubar
É a voz que fala mais forte, razão de vida e de morte
Também só compra o que pode comprar
São Paulo, que amanhece trabalhando
Casais entram no elevador
O fino pra curtir um som: ran ran, ren ren, ron ron
A noite é sempre uma criança, é só não deixar crescer
Assim existe esperança, no amanhecer
São coisas da noite, anúncios conhecidos
Que enfeitam a cidade, em movimentos coloridos
Alguém vem do trabalho, do baralho ou do que for
Do La Licorne ao Ceasa, de alguma coisa do amor
Tem sempre mais um, que vem pela calçada
Na bruma que esconde quem sobrou na madrugada
Dei tempo ao tempo, o tempo é que não dá
Tenho que estar pelas sete, no Viaduto do Chá
Olha o Sol, olha o Sol, cadê o Sol? Onde o Sol?
Sumiu, sumiu, sumiu
Quando amanhece, o Sol comparece por obrigação
Nublado, cansado, um Sol de rotina
Se bem ilumina, nem dão atenção
É que o bandeirante não perde o seu tempo
Olhando pro alto, o Sol verdadeiro está no asfalto
Na terra, no homem e na produção
A cor diferente do céu de São Paulo não é da garoa
É véu de fumaça, que passa, que voa
Na guerra paulista das mil chaminés
São Paulo, que amanhece trabalhando
Começou um novo dia, já volta
Quem ia, o tempo é de chegar
Do metrô chego primeiro, se tempo é dinheiro
Melhor, vou faturar
Sempre ligeiro na rua, como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua, para o que der e vier
A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição
Porque tudo se repete, são sete
E às sete explode em multidão:
Portas de aço levantam, todos parecem correr
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
Que o tempo não espera, a vida é derradeira
Quem é vai ser, já era de qualquer maneira
O mundo é do "eu quero"
Quem me der é triste, tristeza basta a guerra
E o adeus no amor
Você onde é que estava quando o tempo andou?
Na terra que não pára, só você parou
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
O que vale é a versão, pouco interessa o fato
Porque a sensação maior é a do boato
Em coisa de um segundo, noite é madrugada
Notícia ganha o mundo, e a gente não é nada
Você onde é que estava quando o tempo andou?
São Paulo nunca pára, mas você, parou
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
São Paulo que amanhece trabalhando
Na Praça do Patriarca, rua Direita, São Bento
Na Líbero Badaró, no Viaduto do Chá
Lá está aquele moço, que não dá ponto sem nó
Na conversa bem jogada, vai vendendo geladeira
Pra esquimó curtir verão
Papo firme é isso aí, desse dono da calçada
Rei da comunicação
Olhe aqui, dona Teresa, o produto de beleza
Que chegou da Argentina, examina, examina
De brinde pra seu marido
Nova pomada pra calo que resolve a dor de ouvido
Tem Parker 73, compre uma e ganhe três
Nem paga o justo valor, mais outra ali pro doutor
Leve a lei do inquilinato, mesmo não sendo inquilino
Morar na lei é um barato, e ele prova à sua maneira
Que um ataque de besteira, faz de um doutor um otário
Cursando numa avenida o vestibular da vida
Para ser bom empresário
Ser do São Paulo, do Corinthians e Palmeiras
É ter o fino em futebol durante o ano
Em tênis, remo, natação, nas domingueiras
Bom é Pinheiros, Tietê ou Paulistano
Com Ademir, com Rivelino no gramado
Com rei Pelé e suas jogadas de veludo
Não pe de graça que São Paulo é chamado
Melhor da América Latina em quase tudo
Pró-esporte, pró-esporte é a solução
Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição
Lá por setembro o estudante nos ensina
Aquele esporte pelo esporte que não cede
E o meu Mackenzie, dá um show com a medicina
Na grande guerra que se chama MacMed
No corre-corre mundial estamos nessa
Os Fittipaldi estão aí para dizer
Só em São Paulo que é a terra do depressa
A São Silvestre poderia acontecer
Pró-esporte, pró-esporte é a solução
Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição
São Paulo jovem, dos que promovem velocidade
Nos seus cavalos, de roda e ferro, na sua forma de liberdade
O peito agarra, a costa de aço
Que deu garupa na Yamaha, no upa-upa
Feito de abraço e muito amor
São Paulo jovem, na mesma cela
Vão ele e ela, por onde seja
Deus os proteja, pelos caminhos da vida em flor
Tem coisas da Ipiranga, da Itapetininga, até da São João
Às vezes também dá
Puxar o show, o chope, o uísque, boa pinga
E o molho das mulheres que transam por lá
Tem loja, tem butique, tem pizzaria
Boate, restaurante, até casa lotérica
É rua que de nada mais precisaria
Com todo aquele charme do Jardim América
América, rua augusta
E agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Rua augusta, e agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Bartira e João Ramalho nunca imaginaram
Que a tanga e a miçanga vinham outra vez
Agora nos diriam vendo que acertaram:
Valeu o nosso amor, pelo amor de vocês
E a moça vai passando, e ninguém vê mais nada
Quando ela vai na dela, é pra machucar
É a paulistana boa, despreocupada
De short ou minissaia, pondo pra quebrar, pra quebrar
Rua augusta, e agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Na sinfonia, que é de todos os barulhos
De Santo Amaro, ao Brás, ao Centro, ao ABC
Por Santo André, Vila Maria até Guarulhos
Grande São Paulo, como eu gosto de você
São Paulo, que amanhece trabalhando
São Paulo que não pode amanhecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer...


SAMPA, TE AMO!!!

sábado, janeiro 03, 2009

Lavando a roupa suja do mundo...

Deus meu...o que acontece com a humanidade?

O que adianta toda essa movimentação contra a pedofilia, se cada vez mais cedo ensinamos nossas crianças (sobretudo meninas) que o importante é ser bonita, sensual e ter os homens a seus pés?

Do que adianta comprar maconha do tráfico e fumar pra "ficar em paz"?

Qual o sentido de propagandear a solidariedade em meio á política do egoísmo?

Até quando teremos que pagar pela nossa fé?

Sei lá, algumas coisas me magoam tanto que eu gostaria de nem pensar nelas. Nem pra protestar. Porque não adianta nada. Talvez alguns protestos meus soem até hipócritas, porque afinal, é isso: pra sobreviver nesse jogo, por mais sujo que seja, é preciso seguir algumas regras.Ás vezes precisamos lamber a mão que nos açoita. Como na hora de pagar impostos. Sinto que pagamos imposto para comprar carrão e casa de praia pra políticos fazerem orgia ás nossas custas. Mas, se não pagar, o sonegador é você. É triste, é ridículo. O dia que permitirem que todo o nosso imposto seja aplicado conforme nossa escolha (adoção de instituições e famílias carentes, realizações de obras assistenciais e de infra-estrutura via iniciativa privada, apoio á educaçõ, etc) eu vou querer ser a primeira a pagar caro por isso. Preferia pegar toda a grana do imposto e comprar cestas básicas pra distribuir pessoalmente entre quem precisa. Nunca vou achar que paguei caro demais se puder ver o sorriso de cada um que receber minha ajuda.

Meu sonho é ser uma mãe despreocupada, que quando a filha sai pra se divertir, pode ficar tranqüila e confiar nos valores sólidos que passei a ela. Queria que mais pessoas, sobretudo da minha geração, pudessem enxergar como é maravilhoso ter uma família, se comprometer com um casamento, achar que infidelidade e negligência são coisas absurdas e nunca colocar a carreira em primeiro lugar.

Seria tão bom se todos fossem capazes de reconhecer os verdadeiros amigos, as pessoas que valem a pena, e dedicarem-se mais a elas. Deixar cair por terra os preconceitos e abraçar quem precisa e quem merece. Deixem cair por terra os padrões sociais, culturais, estéticos e intelectuais, pois somos todos humanos, e o que importa é um caráter reto e um coração gentil. Há muitas pessoas por aí que valem a pena, esperando dar e receber um bom conselho, uma boa companhia, por quê tantas vezes nos cercamos de gente egoísta, fútil, manipuladora, chantagista, falsa?

Por outro lado, se condicionar minha felicidade a esse sonho, talvez eu passe por essa vida apenas sonhando. Fazendo o que posso eu deleto, excluo, elimino. Varro para longe de mim- na medida do possível - tudo e todos que não valem a pena. Um dia, se Deus quiser, estarei cercada apenas por pessoas das quais eu tenho boas coisas a dizer e a lembrar. Pode ser meia dúzia - mas aquela meia dúzia pelas quais colocaria minha mão no fogo sem hesitar.

Não vou citar nomes porque isso é sempre ma armadilha, mas fico feliz em ter facilmente na cabeça muito mais do que apenas meia dúzia de familiares e amigos que admiro e amo, sinceramente, sem reservas. Mesmo quando dor e mágoa cruzaram nossos caminhos, até no sofrimento pudemos encontrar lições de evolução. São essas pessoas, essas situações que me fazem ter esperança de um dia, poder ter um coração mais tranqüilo.


Mas também tem horas que eu queria só jogar uma bomba nisso tudo.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Tão fácil te querer,2009!

Ano Novo em Itapecirica, chácara do Nandão, aquele clima irresponsável e festivo de sempre! Eu no maior sono, mas mesmo assim foi divertido...aquela bagunça e papos de doido, o Nandão saltitando que nem uma estrela do mar levando choque. A festa só terminou no fim da tarde, de volta á Sampa, no primeiro dia do ano, chegando em casa junto com a chuva de verão.



VOU TE ABRAÇAR DE VERDADE, 2009!

terça-feira, dezembro 23, 2008

2009, o ano das 9idades!

Me sinto melhor. Otimista. Tem horas que a gente lembra mesmo do lado bom da vida.
Depois da tempestade, vem a bonança. A primavera é sempre após o inverno. O sol sempre nasce no início de um novo dia.

2008 foi um ano completo, de grandes transformações em minha vida. Sou grata, muito grata por todas as bénçãos que recebi nesse período, e vou dar o melhor de mim sempre, para evoluir sob todos os aspectos possíveis. Me redescobri como pessoa. Redescobri o mundo. E ainda que o caminho seja longo, realmente quero cumprir minha missão e oferecer em tudo o que faço, o máximo que puder.

Não quero apenas ser otimista. Quero evoluir.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Enquanto isso...

Para quebrar esta seqüência de postagens melancólico-revoltadas dos últimos dias, vou contar uma coisa engraçada que aconteceu. Tenho duas primas, Sylvia e Guacyra que trabalham com crianças, numa escola da família. De vez em quando, troco mensagens de celular com elas, é assim que me comunico com a família, na maioria das vezes, já que moro do outro lado do continente. Há um tempinho atrás, recebi uma mensagem, com o número da Sylvia, pedindo um ônibus para 74 crianças. Claro que a mensagem tinha sido enviada para a pessoa errada, mas eu, com meu espírito de porco, não iria perder a oportunidade da piada. Respondi "Tá bom...Mando de balsa ou pode ser pela Transamazônica mesmo?". E foi isso.

Ontem, meus tios ofereceram um almoço de "pré-Natal" na casa deles, e reunimos a família (inclusive essas duas primas, filhas deles). Em um certo ponto da conversa, o assunto veio à tona.



Sylvia: -Então você recebeu a tal mensagem do ônibus?
Eu: -Recebi...
Sylvia: -Nossa, a gente morreu de rir com sua resposta, foi ótima.
Eu: -Fala sério. Eu vi que a mensagem estava errada, é meu jeitinho espirituoso...
Sylvia: -Não, é que você não sabe o outro lado da história... Conta aí, Guacyra...!


E a prima mais velha, com aquela cara de "paciência..!" que é tão dela, explicou a situação:

Guacyra: -Foi assim... Eu estava indo levar as crianças para o Parque da Mônica, acho, e estava com o telefone da Sylvia. Só que eu NÃO SEI MEXER no celular da Sylvia, e acabei mandando a mensagem para TODOS OS CONTATOS...Agora, imagina o caos: o negócio pipocando, gente ligando pra saber se estava tudo bem...

Sylvia: - E o pior é que tinha uns números nada-a-ver lá.. Tipo, número que você vê na rua e anota, sabe? Meu médico (ela está grávida de 9 meses), imagina o que ele deve ter pensado..!

Guacyra; - Não, o pior fui eu, que só me toquei do que estava acontecendo quando meu próprio celular tocou e eu fui ver o que era...A tal mensagem que eu havia acabado de enviar..!

A verdade vem com o tempo...

Ai, ai...
Ás vezes estamos tristes, aí aparece uma desgraça pra nos fazer rir.
Sim, porque, só rindo mesmo!! *risos*

Há algum tempo atrás - e como todo mundo com boas lembranças na vida - eu tive minha fase "arroubos de juventude". Livre, desimpedida, gatinha e sem-noção. E, como essa combinação de beleza e autoconfiança sempre gera muita inimizade (leia-se inveja), conquistei uma legião de antipatias- nem sei direito por quê.
Enfim, o tempo passa, as coisas mudam...e hoje tudo isso virou um passado divertido, sem culpas e cheio de micos desnecessários, mas sem nenhum arrependimento. Passou, como tudo passa. ("até a uva passa", né Ju? Hahaha)

Mas alguns registros ficam. E foi assim que, despreocupadamente, descobri e ainda hoje descubro coisas no mínimo hilárias. Como gente que dizia me adorar, e, mal eu virava as costas, soltava o esculacho

Incrível até onde chega a falsidade e falta do que fazer humanas..! *risos*. Não sei nem o que poderia ser mais ridículo: me idolatrar ou me apedrejar. Como se eu me importasse. Na época, ou em qualquer época...*risos*

É que ninguém mais lê isso aqui. Se lessem, logo esse texto iria se encher de comentários de gente me acusando de hipocrisia, do tipo "Se não se importasse mesmo, não escreveria isso!". Conheço essa missa. Remonta dos velhos tempos também. *risos*. E, como nos velhos tempos, me faria rir.

Hoje muito mais, porque posso ver claramente como as coisas mudaram. Como eu cresci. E como certas coisas nunca mudam, certas pessoas nunca crescem.

Isso me faz ver que eu estava certa quando buscava viver a vida para mim mesma, e não para os outros. E como "amigo" não é qualquer "gente boa" que cruza nosso caminho. As pessoas que importam podem até ser as que colocam pedras á nossa frente. Mas estão sempre ali, se afirmando, defendendo sem máscaras o que são e o que pensam. Ou mesmo, defendendo suas máscaras. Estão ali. Importam.

Ai, ai... que delícia é poder rachar o bico com a falta de personalidade alheia! *risos*

Credo, como estou sendo malvada. Não guardo mágoas, nem rancores. Afinal, o problema não é meu. Gostaria de poder ajudar a todos os que precisam abrir os olhos para tantos aspectos de si, mas seria o cúmulo da hipocrisia, já que tem tanta coisa em mim que ainda precisa crescer, melhorar, mudar. Inclusive o impulso que me leva a escrever essas coisas. Não deixa de ser cretinice da minha parte. Faço isso porque tenho certeza de que ninguém vai ler (embora tenha a esperança de estar errada...hehe).

Ninguém precisa saber de mim. Eu não sou nada para a maioria das pessoas que "incomodo". Nunca fui.

Só me importa ser alguém para aqueles que eu amo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Cada um no seu quadrado...Tô tirando meu redondo daqui.

Meu, tô muito pê da vida.
Na verdade, estou triste. Magoada demais. Tô me sentindo uma tremenda idiota.
Sei que, o que não tem remédio, remediado está, mas é muito ruim quando você se dedica, se esforça, se preocupa com algo que realmente é importante, que realmente vale a pena, e depois percebe que tudo isso foi totalmente em vão. Sofrer é f***, mas desperdiçar sofrimento é pior ainda.
Tô num baita baixo-astral. Eu nunca esperava por uma coisa dessas. Sabe aquela sua amiga trouxa, cujo namorado a faz de gato e sapato, só deixa a mina na merda, todo mundo sabe que ela é corna de um traste sem-noção, mas ela é toda apaixonada por ele, e você já desistiu de falar, porque ela se vira contra você e diz que você é quem tá causando intriga? Pois é. Digamos que é mais ou menos essa a situação. Pessoas que eu tanto amo, que eu faria de tudo pra ver bem, feliz e prosperando, tomando um cacete após o outro por causa do mau caratismo de outrem. Mas, meu, eu não sei mais o que fazer, não sei mais nem o que pensar. Tô péssima. Tô cheia de raiva já, e isso não é nada bom. Porque tá me fazendo muito mal, e do jeito que nos ultimos tempos eu tenho sido tão feliz, isso tá me matando.

Queria só poder largar mão disso tudo.

Nunca achei que fosse pensar assim.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Desenterrando mil mortos...

Eu e as tragédias em volta da minha vida.

Andraus e Joelma (e eu nem era nascida).Morte de Ayrton Senna (um trauma ao vivo). Mamonas Assassinas (ainda dói). TAM 402 (essa foi perto). GOL 1907 (caminho para casa). TAM 3054 (perto demais).

O Crime da Rua Cuba (lembro de tantos jornais...) Massacre no Carandiru (isso está acontecendo mesmo?).Assassintato de Daniella Perez (paixão por um cadáver) Mansão Richthofen (o assassino mora ao lado), Carla Ceppolina (ô vizinhança boa!).Isabella Nardoni, descanse em paz.


Será que sou maluca, ou apenas a confirmação de que o ser humano tem fascínio pela morte? Violenta, visceral, suja, trágica. Morrer de velhice é bénção. De tragédia é entretenimento.

Quantas vezes, da janela frontal da casa no Jd. Aeroporto, vi os aviões decolando e eu quase torcia para que não subissem. Queria vê-los cair, o fogo e a fumaça espalharem-se pelo ar, eu era apenas uma criança. Se estivesse debruçada nesta janela ás 8:25 da manhã de 31 de Outubro de 1996, eu veria acontecer de fato a cena chocante que tantas vezes passou pela minha imaginação. Mas eu não estava. E, mesmo tendo a notícia chegado antes da nuvem negra se dissipar, não tive coragem de olhar o céu. Só mais tarde, quando o sol quase se punha, corri para a R. Luis Orsini de Castro. E o que vi, não gostaria de ter visto. Dezenas de corpos estendidos no asfalto quente. Sangue pela sarjeta. Destroços por todo lado, o cheiro de carne queimada e querosene. Eu era pouco mais que uma menina e corri para ver o que ninguém deveria ter visto. Mas nada disso me impediu de correr de camisola ás quase nove da noite, pelas ruas do Campo Belo quando um pequeno avião atingiu em cheio uma casa próxima á av. dos Bandeirantes em 2000. O isolamento já feito pelos bombeiros não me permitiu ver coisa alguma. Mas não dormi aquela noite.

Passeando pela periferia de Guarulhos, pendurado na fachada de um boteco, como um troféu, um pedaço de fuselagem. PT-LSD. Vomitei de nervoso. Até hoje, nunca quis ver as fotos dos corpos destroçados dos Mamonas. Quando meus pais foram visitar o Sr. Hildelbrando, não quis vê-lo. Fiquei no carro, chorando. Nunca a morte de pessoas tão distantes me deixou tão arrasada.

Eu já era adulta e costumava comprar cerveja e cigarros tarde da noite no posto Shell em frente ao Aeroporto de Congonhas. Mas durante o dia, quando meu pai parava para abastecer, suava frio cada vez que um avião se aproximava para o pouso. Eu via o choque. Via o piloto calcular mal a altitude e se chocar contra o morro da cabeceira. Via um avião na pista oposta perder o controle e cair sobre o posto que explodiria na mesma hora: eu nem veria a cara da morte.


(nessa hora entra o Bruno e meu MSN pula. De boa, tomei um susto filho da p*** e ME RECUSO a continuar escrevendo).

domingo, dezembro 14, 2008

Ela..!

Ela, que é cheia de encantos...
Que atrai, hipnotiza, mesmeriza.
Ela, dona de cantos e segredos
Me envolve em seus mistérios e maravilha com seus óbvios
Ela que me envolve e me faz lembrar
Saber de onde vim, me fez assim
Tão dela...

Que de quente, tão repentinamente, faz-se fria
Sufoca, me molha, resseca
Avança e sobe, encobre, toca o céu
Me ilumina, sua luz que cega
E guia...

Pulsa meu sangue em teu ritmo
Põe meu coração em moto-contínuo
Como você
Sempre em frente, de toda a gente
SÃO PAULO, minha terra,
Nunca irei te esquecer..!!

sábado, dezembro 13, 2008

A Lua Nova da Vida

Creio que seja até desnecessário lembrar aqui de que a Lua tem fases, e é impressionante a influência de cada uma delas sobre tudo o que há na Terra.Rainha absoluta das águas- o sangue da vida -seu ciclo de luz e penumbra é perene lembrete de como tudo tem seu tempo, tudo muda: surge, brilha, se apaga. E torna a surgir.

Dores de parto, de crescimento. Para aprender nem sempre é preciso sofrer, mas toda graça requer algum esforço. E mais do que receber, é preciso aplicar nossas lições, num processo ás vezes tão doloroso. Reconhecer o problema é o primeiro passo para a solução, sem dúvida. Mas é apenas o primeiro passo.

Tenho chorado por dentro, mas hoje quero exibir meu sorriso. Meu coração está em paz.

Feliz, aprendi uma lição.Entrei na Lua Nova da vida.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Parece incrível

...mas muita coisa pode mudar de um dia para o outro
De um hora para outra
De um segundo para outro.

Acredite.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Ao vazio

Que droga. Já tenho escrito tão pouco, e ainda é mais triste perceber que as últimas postagens foram tão... rasas. Ou melhor, cheias de significado, mas só para mim. Não há sentido em publicar um blog que só o autor entende. Faz?
Mas ultimamente, talvez eu precise ser assim mesmo, cheia de códigos e mistérios. Minha vida mais do que nunca é um livro aberto, mas não vejo mais tanto sentido em abrí-lo publicamente. Com certeza, seria mal-interpretada. E, pela primeira vez, eu me importo com isso.

Também porque no momento, neste exato momento, enfrento uma situação difícil que pode piorar se eu a revelar. Gostaria, no entanto, de escancarar aos quatro ventos a verdade, expôr minha opinião, meus pensamentos, botar em pauta esse assunto. Mas, infelizmente, preciso calar. Ao menos para vocês, ao menos por enquanto. Não por mim, mas por respeito ao próximo.

Mas, se tudo tem um lado bom, estou gostando do tempo e da relação que estou tendo com meus pais. É algo diferente, sinto que agora, pela primeira vez, eles me vêem como adulta e sentem-se felizes por eu ser quem me tornei. E isso me dá uma tranqüilidade e um prazer muito grandes. Afinal de contas, eles parecem estar satisfeitos pela mulher que criaram. E eu me sinto muito contente em ter certeza de que não decepcionei meus pais.

Coisas as quais só começam a importar realmente depois que nos tornamos pais também

:)

segunda-feira, dezembro 08, 2008

"...não correm DE, correm PARA!"

Sampa. Meus amores e temores. O bem e o mal que fazem uma grande metrópole. Consumista. Caótica. Cosmopolita. Mundial.

E todos seus adjetivos.


Da grandeza da cidade para a pequenez de meu quarto, nos fundos da pequena casa de minha pequena família. Até as pessoas são pequenas. Pequeníssimas. Pikenices.

Grandes emoções. Grandes conflitos. Grandes problemas exigem grandes soluções. Grandes atitudes. Grandes mudanças.

Ainda assim, a felicidade de estar aqui é imensa.

Diretamente proporcional à saudade do que meu coração deixou em Manaus.

"O Sonho Não Acabou..."

Há 28 anos, John Lennon foi assassinado, na porta do Edifício Dakota em NY, onde morava com a mulher, Yoko, e seu filho Sean. O autor do crime foi o desequilibrado Mark David Chapman, um maluco que se dizia fã de John e achava que era Holden Caufield, o fictício protagonista do romance "O Apanhador No Campo de Centeio", de J.D Salinger.

Idiota.

Eu nasci quase dois meses depois disso. Não conheci John, e mesmo que ele estivesse vivo, provavelmente nunca me conheceria. É engraçado pensar como, mesmo desencarnado e distante, sua memória sempre foi tão presente em minha vida- herança de meu pai Beatlemaníaco. Até o nome da minha filha foi inspirado por John. Tantos anos depois de sua morte. Tantos quilômetros distante de N.Y. Ou Liverpool.

O sonho não acabou. Acho que não vai acabar nunca.

terça-feira, novembro 04, 2008

Em consideração a vocês! :D

Oba!
Agora que eu vi os dois comentários no post anterior! Tem gente que lembra que estou virtualmente viva!! Yeeee!!

Não tenho postado porque ainda não chegou Internet lá na minha "colocação"...Hahahahaha!

Mas na verdade, tenho escrito á beça. Estou trabalhando agora num ensaio que chamei de "Eu acho que...". Não tem previsão de lançamento, aliás, nem de publicação, mas talvez seja a coisa mais importante que já tenha me dedicado a escrever. É o meu legado filosófico. Quer entender minha cabeça, ver o mundo como eu vejo, basta ler aquilo ali. Mais provável que não passe de um bando de maluquice junta, mas ser maluca não é nenhuma grande novidade pra mim. Há muito eu realmente deixei de me importar com o que as pessoas pensam. Pelo menos a maioria anônima. Só me importo com o caminho à frente. E pela primeira vez eu consigo enxergar a estrada.

Não, não respondi e-mails nem abri o MSN porque o tempo é curto, não abro o Orkut porque quase sempre só dá dor-de-cabeça. Quem realmente quer saber de MIM, passa aqui. Cedo ou tarde, eu dou notícias. Vocês sabem que sim :)

Fica a promessa e a esperança de logo poder ser mais que algumas linhas desencontradas!!

Terve!!

sábado, setembro 20, 2008

TECLA "F"

Ninguém lê isso aqui? F1!!
Ninguém comenta? F2!!
Talvez porque ultimamente, só escrevo besteiras? F3!!
Nunca atualizo? F4!!
Ah,minha vida parece um tédio... F5!!
Me acha arrogante? F6!!
Morre de inveja? F7!!
É "chicleteiro"? F8!!
Não crê em Deus? F9!!
Acha que aparência é tudo? F10!!
Não se dá o devido respeito? F12!!

Não preciso de F11.Estou mandando pra lixeira em tudo o que, realmente, só entulha minha vida e cansa minha beleza.

Dando um Ctrl+Alt+Del na minha vida.

terça-feira, agosto 12, 2008

Mudanças

Não sei o que é mais engraçado: observar as mudanças do mundo, ou as nossas próprias.
Ultimamente, tenho descoberto mais sobre mim mesma. Nos últimos anos, acredito que minha consciência tenha expandido bastante em relação ao meu "eu". Fisicamente, ainda não tenho a mínima noção da minha própria aparência, mas psicologicamente estou muito mais esclarecida. Por exemplo: descobri que eu sou incapaz de deixar qualquer coisa que me atinja passar em branco, e talvez seja por isso que eu tenha uma memória tão boa, o que ás vezes é uma lástima, porque também torna complicado o perdão. Descobri que eu não sei e nem nunca vou saber o que é verdadeiro, pois, se estou correta, posso pecar na falta de humildade, e, sendo humilde, talvez não escolha seguir a um caminho que considero certo, por medo de que talvez esteja errado. Entenderam? Tudo bem. Eu entendi, e isso é o que importa.

domingo, agosto 03, 2008

Lê, laraiê laiê, laraiê laiê, lê lê lê ôôôô...

Mai fáih calor nessa terra? ÊÊÊÊÊ!!!
Mai fáih calor pra caramba? ÔÔÔÔÔ!!!

Mai vem pra cá, vem pra cá, vem pra cá...!


Eu não preciso de dinheiro pra ser mais feliz do que sou, mas seria legal acertar na Mega Sena pelo menos uma vez na vida. Eu seria feliz da mesma forma, só que num carro novo, hehehehe! Ser materialista é horrível, mas negar que uma situação financeira confortável facilita a vida é um pouco...inocente demais. É só equalizar a abundância com a generosidade e tudo se acerta. Eu queria montar um estúdio pro Johnny, comprar um carro pro meu pai, roupas boas pra minha mãe, garantir um bom estudo pra minha filha, botar um computador no Pré-Núcleo, arrumar uma casa melhor pra minha avó, pagar plano de saúde e dentista pra todo mundo! Enquanto não dá, a gente ajuda no que pode, como pode. Mas que se tivesse mais $$ ia poder ajudar mais, isso é.

Quem tudo quer, nada tem. E eu que sempre quis "abraçar o mundo todo.." *rs*

Como somos ignorantes de nós mesmos!! E como é difícil e maravilhoso quando começamos a nos descobrir!!

Aliás, não tô doida, nem nada. Se você leu isso tudo (grata pela atenção!) e não viu muito sentido, não se preocupe. Eu acho que hoje, não quer fingir que sei sobre tudo. Prefiro falar o que estou pensando, simplesmente, como estou pensando. Pronto, assim quem quiser que decida se eu sou louca ou lógica. Pra mim, realmente, não importa.

Tem muita coisa dentro de mim pra entender e reformar antes que eu me aventure a tentar entender o que tem fora.

quarta-feira, julho 23, 2008

Luz, Paz e Amor

Pela primeira vez em muito tempo, sinto-me VERDADEIRAMENTE feliz. Feliz, inclusive, por estar aqui. E principalmente, por ser quem sou, viver a história que vivo, ter a meu redor, as pessoas que tenho.

Sinto como se Deus, afinal, abrisse para mim a janela que, durante tanto tempo, procurei, mesmo achando que era impossível.´

Todo mundo encontra seu Shangri-Lá na vida.

Já aconteceu com você?

sexta-feira, maio 02, 2008

"Pára, papai, pára!"

Eu acredito em justiça. E não faço diferença entre a justiça de Deus e a dos homens, pois acredito que é através de bons homens que se opera a justiça divina. O problema do jurídico brasileiro não é falta de senso, é excesso de "esperteza", de ambição e holofotes. Pior que o tráfico de drogas, nesse país, é o tráfico de influências.

O caso da menina Isabella Nardoni, espancada, esganada e atirada da janela do sexto andar, fez todo mundo gritar por justiça. Mas, poxa, precisa mesmo tudo isso, uma crueldade dessa dimensão, pra se gritar por justiça??

E essa hipocrisia da imprensa, de não condenar os suspeitos, pois isso é trabalho da justiça. Meu bem, já condenaram, dando esse espaço para o caso. A polícia já condenou, pois a fabulosa perícia já colocou o sangue nas mãos (ou nas roupas) do casal. O povo, então, já condenou e linchou moralmente.

Mas, antes de tudo isso, ELES se condenaram.

Eu não sou jornalista, não tenho vínculo com nada, a não ser minha opinião própria, e a confiança que eu deposito no trabalho da polícia científica, e de todos os profissionais de investigação que trabalharam nesse caso. Respeito o GOE e o promotor Cembranelli.

Eu posso e quero berrar:

CADEIA NELES!!