terça-feira, junho 29, 2010

REVISTA INTERA: As novas páginas da música em Manaus

Aconteceu sábado (26) no Espaço Cultural Valer, o lançamento da REVISTA INTERA: uma novidade que vem resgatar, divulgar e impulsionar o cenário local da música que fala alto e tem muito a dizer. Com jeito de fanzine e produção de "gente grande", a revista Intera surgiu como um sonoro cala-boca a quem diz que Manaus não tem rock e no Norte só tem Boi-Bumbá.

Embora a revista não fique devendo em nada no visual e na diagramação descolada, bem ao estilo de seu público-alvo, o ponto forte da Intera com certeza são os textos. E que textos! Ainda que a quantidade de letrinhas possa assustar os menos entusiastas da leitura, a qualidade das colunas, matérias e entrevistas supera de longe qualquer expectativa, provando de uma vez por todas que não só é possível como necessário levar a sério um cenário tão rico quanto desacreditado que é a música local, independente, alternativa, que todo mundo conhecê mas ninguém vê. A Intera chegou para mostrar, botando os Platinados na capa e fazendo jus a cada nome, rosto e som que vêm no recheio, no rock, no rap, na música eletrônica...

Meus anos de trabalho na divulgação da cena underground de São Paulo me mostraram que este é um meio onde pululam boas idéias e faltam iniciativas. Agora Manaus tem - literalmente- nas mãos, a oportunidade de fazer vingar esse projeto nascido "das reuniões de sábado à noite, das discussões via Internet,na troca de idéia, de informação, na briga ou na diversão" - como o jornalista Thiago Hermido assina no primeiro editorial. A também editora da Intera, Renata Paula, creio que dispensa apresentações. Se alguém que se diz "do meio" não conhece, nunca ouviu falar dela e de sua atuação de responsa no cenário cultural manauara,esse alguém não vale nem os R$ 2 que custa a revista...

Pra completar, uma seção de classificados dá aquela força pra conectar quem precisa vender, comprar ou arrumar uma banda (os anúncios dessa seção são gratuitos), e a última página traz a crônica de "Mark Bloch e Sua Guitarra Voadora", uma historinha bem ilustrada que prenuncia uma continuação. Como esperamos que continue a própria revista INTERA, em apresentação e qualidade, cumprindo essa promessa de impulsionar ainda mais alto uma cena que há muito já pode voar com suas próprias asas.


CONTATO

E-mail
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Twitter
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Mini- Mim



Nunca fui uma boa jardineira.Sem contar os feijões que fazia brotar em potes de Danoninho na escola, nunca consegui cultivar por muito tempo qualquer planta que fosse. Na verdade, dei como encerrada minha insistência quando consegui matar um cacto.
Então, por ocasião de meu casamento, meu amigo Henrique presenteou-nos com uma mini-roseira. Linda, cheia de pequenas rosas vermelhas, exibidas, exuberantes. Olhei para elas com o encanto e o receio de quem recebe um recém-nascido.

Com carinho e cuidado, dispensei a elas todo a atenção que achava necessária a uma planta de aparência tão delicada: sombra, água, um pouco de adubo. Mas as rosinhas secaram, caíram e não queriam mais brotar. Mesmo assim, todas as manhãs, regava o pequeno vaso com uma certa tristeza, penalizada por não saber fazer vingar sequer uma flor dada com tanto carinho.

- Rosinha, o que você tem? Eu sou Rosa também, devia saber cuidar de você, mas você é folha e flor e eu sou carne. Me diz o que você gosta, que eu já não sei mais o que fazer.

Nenhuma resposta. Suspirei para o silêncio com o sol da manhã manauara batendo em minhas costas. Esse sol de bem cedinho, gostoso de sentir. Desejei não ter serviço e poder ficar "lagarteando" por horas, como tanto me faz feliz.
Já ia entrando quando deu um "estalo" na minha cabeça: talvez a rosinha goste desse sol também. Tirei o vaso da sombra onde o mantinha. "Eu gosto disso, quem sabe você goste também".

Ás dez em ponto, levei-a de volta á sombra " Depois você volta. Nesso horário o sol é muito forte, pode te fazer mal.". Levei-a para a área de serviço, fiquei lavando roupa e conversando com ela. "Os vizinhos vão achar que sou maluca. Vamos ouvir um pouco de música, rosinha, quem sabe você goste também".

Coloquei música, cantei junto. No fim da tarde, coloquei a rosinha novamente no sol, como prometi. Naquela noite, resolvi deixá-la "dormir" no sereno. É tão bom dormir ao léu em noites tão estreladas como aquela!

-Boa-noite, rosinha! - disse, antes de entrar.

No dia seguinte (impressão minha?) - a rosinha parecia mais verde e folhada. Descobri encantada dois pequenos botões. Quase beijei os brotinhos, batendo palmas de tanta alegria. Talvez agora eu consiga finalmente fazer uma flor brotar nesse mundo. Talvez não fosse mesmo difícil para a Rosa aprender o que a rosinha gosta. Um pouco de sol e sensibilidade. Ora, e quem não gostaria disso?

Pátria de Chutados



Não sei se o Brasil é o único país do mundo onde se dispensam funcionários e pára-se a produção por causa de jogos de futebol, mas não duvido que seja. No fundo, o negócio do brasileiro não é nem futebol: é carnaval. Pode ver: até em época de eleições o negócio é fazer barulho, carreata, ligar o som alto, pintar a cara e sair por aí agitando bandeiras e jogando papel picado para cima. Copa não é só futebol, é churrasco, é bebida (para alguns é bebedeira) , é reunir os amigos, a família, os vizinhos, o país inteiro colocando em pauta, aos berros, a reputação da mãe do juiz.
Cristãos não brincam o carnaval, e tem muito brasileiro que não se preocupa em exercer sua cidadania sequer indo ás urnas, mas copa, ah! Todo mundo gosta, vê, torce, ri, se descabela, pinta a cara, a casa, o carro, o cachorro de verde-amarelo, põe bandeira na janela, até bota a mão no peito pra cantar o Hino Nacional. Ah, se fosse a mesma coisa na Semana da Pátria, que quase ninguém mais lembra quando é!

Mas, em lugar de me lamentar, aproveito. Boto minha bandeira, canto meu hino, saio de verde-amarelo transbordando a honra de ser brasileira e agora - só por agora - ninguém acha que sou maluca.

quarta-feira, abril 07, 2010

Imprevistos...

Ainda bem que este blog só ia durar uns meses.
Posso afirmar com convicção que ele talvez tenha se tornado o registro online mais fiel dessa fase de transformação completa da minha vida. Ele nasceu com o amor que foi o verdedeiro gatilho dessas mudanças e que me guiou até aqui. Sou feliz hoje, muito mais que naquela época. Sou mais completa, mais madura, aprendi um tanto. E já sei que sempre estarei aprendendo.

Hoje acordei apaixonada pela minha vida.

terça-feira, abril 06, 2010

O Vale da Morte

Uma das visões mais marcantes da minha infância é a chama da torre de Cubatão em meio ao nevoeiro da Mata Atlântica, prenunciando a paisagem estranha: Cravada em meio às maravilhas da Serra do Mar, a caveira cinza das indústrias, sempre rodeada por um manto tóxico.Eu era muito pequena para compreender o real significado daquilo, mas minha lógica infantil já me levava a ser assombrada pelos dutos que desciam junto à encosta. Ah, quantos pesadelos tive com estes dutos..!
Eu amava ir ao litoral com a minha família. Arregalava os olhos para cada palmo da estrada de São Paulo até a Praia Grande, litoral Sul. Sabia onde estava cada túnel,cada cachoeira, os melhores panoramas. E também sabia que, em algum ponto do caminho, veria os tanques, as torres e contêineres de uma cidade onde parecia não viver ninguém.

Neste ponto da viagem, era comum meu pai contar histórias medonhas de crianças nascidas sem cérebro, de deformações causadas pela poluição, de cabras nascidas com oito patas... Éramos muito novos, mas já entendíamos dessas coisas de radiação, poluição, a intervenção do homem de forma desastrosa no meio ambiente. Chernobyl era fato recente, e meus pais sempre conversaram com a gente sobre tudo, seguindo o ritimo dos nossos interesses e perguntas- que nunca ficavam sem resposta.Ok, talvez algumas dessas respostas possam causar alguns pesadelos, mas são as questões que nunca serão menos difíceis de engolir, mesmo. Talvez seja uma boa forma de criar uma geração com mais consciência ecológica: contando histórias de terror ambiental para as crianças...

Comigo funcionou. Eu olhava, vidrada, o "Vale da Morte". Suas construções cinza em contraste com a linda floresta pareciam um castelo de vilão de conto de fadas, permanentemente envolto por uma bruma venenosa. Era uma vez um lugar maravilhoso, pujante em recursos naturais, vasto de mangues ricos em biodiversidade, onde os rios encontram o mar.Aí chegou o Lorde Ganância, pisou nas flores, derrubou as árvores, queimou a casa dos animais, destruiu o delicado ecossistema do vale envenenando seus rios e contaminando suas fontes. Trouxe consigo muitos escravos-zumbis, e logo surgiram muitos outros, que se submetem ao Lorde Ganância para poder sustentar-de forma precária- sua família. Por um pouco de dinheiro, o escravo-zumbi entrega sua saúde e a de sua família. Sua energia para ser drenada em prol de uma causa absurda que causará danos irreversíveis para os quais o arrependimento será global e tardio.

Cubatão, onde o vício em dinheiro disfarçou-se sob o nome de "progresso", onde a sede pelo poder foi infinitamente maior que o bom-senso, monumento futuro à arrogância do homem em seu sonho ilusório de supemacia...Cubatão, tenho medo de ti, por tudo o que representas, mas tenho ainda mais medo daqueles que não enxergam teu sinal...A tragédia humana nas vidas dos que te habitam já vai muito além do Socó e das crianças deformadas: são cidadãos de uma terra fundada em honra a um falso Deus, um reinado de ambição erguido sem qualquer respeito às verdadeiras riquezas que lá outrora existiam. Um patrimônio essencial foi destruido. A máquina de destruição não poderia encontrar local mais estratégico. E, pelo benefício de poucos, muitos são massacrados. É um sistema cruel, o que permite isso.

Sinto uma coisa estranha no peito, uma certeza de que a Mãe Natureza, que têm dado mostras do fim de sua tolerância com esse tipo de abusos, vai cobrar em breve pelo erro de Cubatão. Um preço do tamanho desse erro, do tamanho da dor de todas as mães das crianças mortas ou anacéfalas, proporcional à riqueza dos mangues agora depósitos de lodo tóxico, um preço que só irá se pagar quando a Serra do Mar tiver conseguido erradicar de vez o rastro humano em seu território. Mas o tempo da Natureza é eterno. o nosso é limitado, e muito curto. Talvez eu viva para ver Cubatão sendo engolida por deslizamentos, sufocada por seus tóxicos ou ardendo em suas chamas. Mas é certo que nesta vida não poderei vê-la como era antes mesmo de eu nascer, antes da indústria chegar, caminhar descalça em seus mangues, beber água de qualquer bica.

É, meu amigo... "a humanidade que salve a si mesma..."

quinta-feira, março 18, 2010

Pelo direito de ser...SIMPLESMENTE MULHER!!!

Pelo menos no tocante ao Brasil, o feminismo foi uma das piores catástrofes sociais da história. Que me perdoe minha querida Tintti,grande amiga e militante da causa, que conheci durante minhas aventuras na gélida Finlândia. Aqui nos trópicos, a coisa não é tão florida assim. Talvez também não seja em qualquer outro lugar do mundo- mas só posso falar do que conheço.
E o que conheço é uma geração antropofágica de mulheres numa constante competição entre si e com elas próprias. Mulheres que pensam ser mais livres, porém são mais escravas que quaisquer outras. Mulheres que desprezam a própria essência feminina,que, ao longo dos anos em busca de equipararem-se aos homens, acabaram por nivelar-se por baixo, recusando tudo o que as faziam seres mais sofisticados, de sentimentos e atitudes mais refinados.

As mulheres de hoje retardam a maternidade para quando já estão entrando no declínio da idade reprodutiva. E põe a busca pela eterna juventude à frente da busca pela sabedoria da experiência.O papel da mãe e dona-de-casa é ridicularizado, considerado última instância, falta de opção, "sina" das ignorantes, analfabetas e obsoletas.

Provavelmente a avó que foi às ruas pelo direito de votar e trabalhar por um salário digno não imaginou que sua filha queimaria sutiãs em praça pública pela liberdade sexual. Imagino o que se passa pela cabeça dela ao ver os valores e ideais defendidos pela neta de 13 anos...


A mulher tem que ser independente, trabalhar fora, ter formação.Mas, se for bonita e tiver um belo corpo,o conteúdo passa a ser irrelevante para o sucesso. Em se tratando de mulheres consideradas importantes da nossa época, a aparência parece sempre superar o conteúdo. Vejamos a cultuada Megan Fox, atriz de pouco talento, caráter notadamente duvidoso, atitudes lamentáveis e uma beleza estonteante. Ela pode ser horrível por dentro, mas quem liga? Todos querem tê-la, todas querem sê-la.


Aprendemos não devemos nos apegar a nenhum homem nem se prender aos filhos. Tivemos isso tão incutido em nossas mentalidades, que se refletiu em homens que não valorizam as mulheres como esposas e filhos que não reconhecem o valor das mães. Mais triste do que uma jovem que acha absurdo cozinhar e põr a mesa para o marido, é um rapaz que diz jamais querer se envolver com uma garota que prefira as prendas domésticas à uma carreira profissional.

Vejo a situação deste início de século XXI como uma oportunidade para se equilibrar estes valores. Iniciar uma luta pelos direitos de sermos verdadeiramente mulheres. Lutar pelo direito de NÃO optar por uma carreira profissional que exclua uma vivência familiar saudável. Pelo direito de ficar em casa educando nossos filhos, sem ser julgada com desprezo pela sociedade. Lutar por não ser rotulada segundo o número do manequim, não ter a inteligência medida pelo valor de um salário.

E, concluindo, faço questão de frisar a um possível leitor que hoje, aos 30 anos, não penso em mim como nenhuma ignorante, desafortunada ou infeliz por ser dona-de-casa. Na verdade, considero um privilégio muito grande não ser obrigada financeiramente a ter um emprego assalariado, e poder me dedicar inteiramente à minha casa, ao meu marido e à minha filha. Não depender de uma faxineira também é uma oportunidade de independência. Que espécie de independência é a de uma pessoa que nunca tentou fritar um ovo ou lavar a própria roupa..? Não preciso de um patrão me dizendo o que fazer ou não fazer: eu conheço as vantagens e prejuízos de cada ação minha para eu e minha família. não trabalho por dinheiro, e sim por amor. A gratificação é imediata, e o reconhecimento, às vezes pode até vir com o tempo, mas vem com uma solidez que poucas carreiras podem garantir.

Continuo com minha produção intelectual e profissional, eventualmente até ganho dinheiro com isso. Mas fazer o almoço da minha filha e vê-la sorrir, isso patrão nenhum paga.Saber que meu marido já comeu nos melhores restaurantes, e acha o meu arroz o melhor do mundo.

E aí? Quem ganha mais que eu?

*risos*

segunda-feira, dezembro 21, 2009

O Natal do Papai Noel

Joseph Olsen tem 65 anos e mora na Zona Sul de São Paulo. Veio ainda pequeno para o Brasil, com seus pais que fugiam da guerra na Europa. Desde sempre, morou naquela casa humilde, num bairro que nunca prosperou de fato. E do pai herdou apenas a profissão de encanador com a qual sustenta a si e a D. Betina, com quem vive há mais de vinte anos, e tem fama de ser tão mau-humorada e turrona quanto ele. Nunca tiveram filhos e viviam implicando com a molecada da rua, que fazia ainda mais questão de provocar algazarra na frente da casa deles.
Este ano, um desses scouters de agência publicitária, abordou o Sr. Olsen na parada de ônibus, oferecendo emprego de Papai Noel no fim do ano. Seu tipo robusto, de olhos azuis, cabelos e barba brancos era perfeito para o papel! O Sr.Olsen fez sua cara feia de costume, não disse uma palavra e enfiou o cartão da agência no bolso, esquecendo-o ali. Quando D. Betina o encontrou e perguntou o que era aquilo, o Sr. Olsen respondeu com sua rabugice de sempre:
-Um maluco quer que eu seja enfeite de Natal. Joga isso fora logo, ô mulher enxerida!
Mas D. Betina, ao invés disso,começou a resmungar que era por isso que eles viviam na miséria, que o marido era um idiota que não aproveitava nenhuma oportunidade...depois foi subindo o tom de voz, reclamando do estado da casa, do carro, das dívidas...e por fim, acabou declarando que o Sr. Olsen ia sim, trabalhar de Papai Noel, porque eles não estavam na posição de recusar dinheiro.

E foi assim que naquele fim de noite quente e chuvosa, 19 de Dezembro, o Sr. Olsen veio correndo e xingando se abrigar na parada de ônibus. Estava cansado, mais rabugento que nunca, maldizendo a mulher que o obrigara a passar aqueles dias aturando os filhos mimados da gente bem de vida. Saíra atrasado, devido ao grande movimento do shopping,o gerente o obrigara a ficar muito além do horário, e agora o Sr. Olsen não tinha certeza se havia perdido o último ônibus. A rua estava deserta. Praguejando, tirou do bolso ensopado um maço de cigarros baratos. Tirou um cigarro amassado e tentava acendê-lo.
-Oh, p*ta que pariu, só faltava mesmo essa m*rda estar molhada..!
-Papai Noel! É o senhor!?

O Sr. Olsen quase teve um ataque cardíaco com a exclamação. Julgava-se sozinho. Mas em menos de um segundo, um mulatinho magricela e careca surgiu do meio de um monte de papelão embaixo do banco da parada.

-C*ralho, moleque, tá querendo me matar?
-Papai Noel, o senhor veio!
-Que Papai Noel p*rra nenhuma, pivete! Vaza daqui, vai, vai cheirar cola ou assaltar algum bacana no farol..!

O menino riu

-Qué isso, Seu Noel, não faço essas coisas não..!
-Ah, é. Então você mora na rua porque gosta do estilo de vida.
-Olha, gostar, gostar eu não gosto muito, não, mas não dá pra reclamar, também. Tem a parte boa.
-Que é o quê? Não apanhar do seu padrasto bêbado?
-Ih, tenho padrasto não, Seu Noel..!
-Da biscate da tua mãe, então?
-Olha, bem da verdade, lembro muito da minha mãe, não. Nem sei se era biscate ou beata. Desde sempre, o que eu lembro, é dessa vida aqui. Até morei uns tempinhos com uma tiazinha lá, uma tiazona aqui, um abrigo ali...Mas vivo bem é na rua, mesmo. A comida é quase a mesma coisa e eu ainda posso escolher onde vou dormir. E ás vezes acontece até umas coisas legais assim! Quem diria que o senhor ia mesmo aparecer, hein, Seu Noel?
-Se liga, moleque, eu não sou Papai Noel.
-Como não? Essa barba branca, esse olhão azul, essa pança...Abre essa mala aí, aposto que a roupa vermelha tá aí dentro!- o moleque fez menção de pegar a mochila surrada do Sr. Olsen (onde, de fato, estava a fantasia de Papai Noel que ele usava no shopping), mas o velho deu um safanão:
-Tá pensando o quê, vagabundo!- o menino ria ainda mais, certo de que sua suspeita estava confirmada.
-Tô pensando nada, não..! Tô feliz que o senhor tenha aparecido, só isso...o senhor não sabe há quantos anos eu espero pra ver o senhor, Seu Noel!
-Vai alugar outro.Você não tem nem mais idade pra acreditar em papai noel, moleque.
-Eu tenho treze anos...podia até não acreditar, mesmo. Mas todo fim de ano eu sempre vi o senhor em tudo o que é propaganda, de placa, de TV...mas nunca assim de pertinho. Eu até achava que o senhor não existia, mesmo, que era tudo de mentira...Mas agora que eu acredito mesmo, olhaí! a barba é de verdade..!
O menino passou a mão na barba da Sr. Olsen. Ele permitiu por um segundo, depois se afastou
-Quê..! -resmungou. -Ô seu pivete, você acha que se eu fosse papai noel ia estar aqui, todo f*dido, esperando o ônibus, hein? Não ia ser muito mais fácil pegar meu trenó e voar pra casa?
-Ah, mas isso aí eu sei que é mentira! - o menino disse, triunfal. -Isso aí eu sei que já é fantasia, tipo coisa de TV. Essas coisas de rena, neve...Isso não existe!

Então, um pensamento invadiu a mente do Sr. Olsen: a lembrança da neve no seu país de origem. Uma lembrança há muito deixada de lado, a visão e sensação dos flocos caindo mansamente, o pisar fofo e frio na relva coberta de branco...e como era gostoso deslizar no trenó nas colinas em volta da casa, onde sua mãe já preparava um farto jantar para ele e seu pai. Lembrou-se do bosque habitado por belas renas selvagens que gostava de observar ao longe. Não, elas não voavam...ou voavam? -perguntava-se o jovem Joseph, rolando uma bola de neve nas mãos.

-Tá pensando que ônibus vai pro Pólo Norte, é? - o menino interrompeu seus pensamentos com a brincadeira. O Sr. Olsen deu um resmungão. Estava de volta ao ponto de ônibus sujo, ao rapazola impertinente.
- Como é o seu nome, moleque? -ele perguntou, oferecendo um cigarro que o menino recusou.
- Zé das Caixas.
- Isso é nome de gente?
- Sei lá, é assim que todo mundo me chama. É porque eu sou catador, tá ligado? Cato caixa de papelão pra vender. É assim que eu vivo: as caixas são tipo uma mãe: me dão casa e comida.
- Isso aí não é casa, muito menos mãe
- Bom, eu já disse pro senhor que eu não tive mãe. Mas as caixas nunca me deixaram na mão.
- Você é maluco.
- Mas sou bonzinho, né, Seu Noel? Eu sei que o senhor não aparece pra quem não se comporta bem...
O Sr. Olsen se lembrou das crianças do shopping. A maioria era sempre tão bem-vestida quanto mal-educada.Era óbvio que sabiam que acreditar em Papai Noel era um jeito prático de obrigar seus pais a darem-lhe os presentes listados. Era apenas isso que importava: os presentes. Nenhuma das crianças cheirosas e saudáveis da população economicamente ativa demonstrara uma satisfação tão legítima apenas em ver o "bom velhinho" quanto a que se estampava no rosto do jovem encardido e ossudo, encarando-o com os olhos brilhantes de quem presencia um verdadeiro milagre de Natal.
- Não, Zé das Caixas, você não deve ser tão bonzinho. Afinal, eu não trouxe nenhum presente para você.
-Mas, Seu Noel, eu nunca lhe pedi nenhum presente!
-Então, de que te interessa um Papai Noel, criatura?!
- Um presente pode ser qualquer coisa, em qualquer dia. Já ganhei muito presente de aniversário...E no Natal, sempre aparece alguém dando presente: bola, carrinho, roupa...Mas Papai Noel que eu sempre quis,nunca veio. Achei que eu não merecia, mesmo.Mas agora, olha o senhor aqui, conversando comigo!

O Sr. Olsen já havia aberto a boca para dar uma resposta atravessada e resmungona, mas não conseguiu. Calou-se comovido, e virou o rosto para o menino não ver seus olhos azuis ligeiramente cheios d'agua. A rua então, iluminou-se: era o ônibus que se aproximava. Com a chuva, ele havia se atrasado. Ele fez sinal, o coletivo parou. O Sr. Olsen já havia embarcado, mas antes que a porta do veículo se fechasse, ele voltou-se para Zé das Caixas, que ainda lhe sorria, sorriso gostoso de inocência.

O Sr. Olsen revirou os olhos e deu um longo suspiro, antes de ordenar, com seu costumeiro tom rabugento:

-Entra logo, moleque.Já está na hora de você saber a diferença entre uma caixa de papelão e uma casa.

Zé das Caixas chispou pra dentro do ônibus. Abraçou o Sr. Olsen, afundando seu rosto na barba branca com a qual ele tanto sonhara, tentando conter os soluços. O Sr. Olsen também segurava uma lágrima tímida, que tentava a todo esforço rolar pela face que esboçava um sorriso. Pensava na reação de D. Betina.Ela iria ralhar, é claro que ralharia! Mas ele também sabia que o amargor da mulher era justamente a falta da doçura de um filho que a vida lhe negara. Estava decidido: daria a Zé das Caixas, que jamais pedira presente algum, um lar, e um nome. E o levaria a conhecer a sua terra, onde neve, trenós e renas existem...
Existem?

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Crise de Identidade Profissional

Acho que cheguei a uma conclusão: não posso mais me definir profissionalmente como Redatora Publicitária.

Sou uma Redatora. Ponto.

Não sei se sou tão boa com publicidade. Não sei nem se sou tão boa. Não sei se meu negócio é mais a propaganda do que a literatura ou os roteiros de ficção. Queria poder dizer que sou uma daquelas cabeças "geniais", que nos brindam com frases criativas e de efeito sobre os produtos que anunciam. Mas hoje eu não tenho mais certeza se um dia serei uma dessas cabeças, pelo simples fato de que não tenho mais certeza se é isso que eu quero.

Quero escrever. Quero viver de escrever. Quero que as pessoas leiam o que eu escrevo, e gostem. Quero que conheçam as histórias que tenho para contar, as coisas que tenho para dizer. Não porque preciso que elas sabiam, mas porque gosto que elas queiram saber. O que escrevo é o que eu penso. O que penso é o que sou. Não importa a minha cara, minha cor, minha raça, meu sotaque, minha altura, peso, ou como gosto de me vestir.Não importa nem o tom da minha voz, e nem mesmo o que eu falo- pois quando abro a boca, tendo a falar demais e articular de menos. Se quiser me conhecer, leia o que escrevo.

E só então, decida se gosta ou não de mim.

domingo, dezembro 06, 2009

Maior "comédia"..!

Hoje dedico estas linhas de reflexão a um tipo de pessoa que, ao menos uma vez, sempre cruza nosso caminho: o famoso "comédia". Acho que ninguém nem usa mais essa gíria, mas nos meus tempos de adolescente ( pois é, eu disse que estou ficando velha!) significava aquela pessoa falastrona, cheia de contar vantagem, mas que na verdade não era " aqueeela Coca-Cola toda" . *risos*. Já gastei muita saliva lamentando por pessoas assim, e já passei muita raiva também. Hoje em dia,graças a Deus, essas figuras tornaram-se raras na minha vida, mas ás poucas que ainda tenho o merecimento de conhecer, dedico exatamente o que se espera de um (a) comédia: ...risadas!
Sabe aquele Zé Ruela que já passou dos 30, nunca conseguiu manter um relacionamento por muito tempo, até hoje não tem um emprego de carreira -se é que sabe o que quer fazer da vida - vive sem grana e sem perspectiva. Mas ainda acha legal se passar por conquistador, solteiro independente,sai por aí botando banca. Se bobear, ainda "se acha" por ter conseguido comprar o último lançamento em video-game no dia que chegou ás lojas. Esse é o autêntico "comédia". Um caso tão triste que só rindo.É como boa parte das "Maria Ruela": essas mulheres também na faixa dos 30 pra cima, que, ao contrário dos Zé, na maioria das vezes até têm bons empregos, salários e carreira. Mas assim como eles, têm vidas vazias, são emocionalmente imaturas, e por trás da imagem de mulher independente e "poderosa" está uma balzaquiana insegura, obcecada por calorias, que despreza o casamento por medo de não encontrar logo um príncipe e ser taxada de "encalhada".
Nem todo Zé e Maria Ruela, no entanto, são comédias. Só os que tentam disfarçar isso...
Mas ainda existe um tipo pior de comédia: aquele "amigo de ocasião". A pessoa que só lembra que você existe quando quer alguma coisa- porque na maioria do tempo, ele ou ela estão muito ocupados sendo alguém mais importante, mais popular, mais bonito e badalado do que você. Pra quem se ofende, esse é o tipo mais detestado de comédia. Para quem é capaz de rir, esses são, definitivamente, os mais engraçados.
Meu conselho: seja capaz de rir. Logo cedo me deparei com esses tipinhos, ainda no início da adolescência, e se até por isso a experiência foi mais cruel, também tornou a "vacina" mais eficaz. Exercitar hoje e sempre a consciência de quem eu sou me tornou segura o suficiente para achar qualquer pessoa que se ache grande coisa por me superar em qualquer aspecto, uma tremenda comédia. Ainda mais quando essas pessoas acham que estão fazendo um grande favor em fazer parte da minha vida. Pior ainda se ainda vem com aquela puxa-saquice tão autêntica quanto uma nota de R$3 com a cara do Seu Madruga...

Palhaço pode até ser engraçado no circo. Na vida real, não tem graça nenhuma..!

sábado, novembro 28, 2009

Epidemia de Solteiros

"O término de um relacionamento pode ser a maior oportunidade para encontrar o amor da sua vida" - Samantha Kyle

Não sei o que acontece, mas não deve ser só coincidência. Nos últimos dois meses, algumas - não uma, não duas, não três - algumas das minhas amigas mais próximas enfrentaram rompimentos em suas bem-encaminhadas vidas amorosas. Num momento estava tudo bem, no outro...

Ouço as histórias e, em alguns trechos, posso dizer que sei exatamente o que sentem, o que sentiram. Sou humana, pô...e de coração partido, também entendo um bocado. Todo mundo já levou um fora, já perdeu um "grande amor da minha vida". Acho que entre as mulheres, principalmente adolescentes, então, pode ser uma experiência bem devastadora. Tanto quanto...inevitável. E necessária.

Quando digo "necessária", penso que seja uma necessidade voluntária, porém irresistível. Porque a verdade é que, quando estamos curtindo uma fossa, a última coisa que desejamos ouvir é uma Samantha Kyle, com a frase que abre esta postagem. Mas se tem uma pessoa que pode dar testemunho dela sou eu, contando minha história. Todo mundo sabe como meu casamento começou. Curtindo uma fossa...

Fico triste por minhas amigas, mais ainda quando buscam em si um motivo, uma razão para culpar-se pelo fim do relacionamento. TODAS as garotas sobre as quais escrevo aqui são jovens, lindas e inteligentes. E TODAS, ao menos em algum momento, "chegaram à conclusão" de que são feias, ou gordas, ou ignorantes, ou chatas. Nenhuma o é. É doloroso ver o quanto elas se tornam fragilizadas, dependentes, incapazes, num primeiro momento, de acreditar que são maravilhosas mulheres com uma identidade própria, não dependem "dele"...É mais doloroso ainda lembrar do que senti em cada uma das vezes que aconteceu comigo. E ficava pior, quanto mais eu amadurecia.

Mas sobrevivi. Criei uma família linda. Meu marido tem defeitos,eu tenho defeitos, meu casamento tem crises. Mas hoje eu vejo que essa é a "graça": administrar essas crises. Principalmente, o conflito de egos, tão complicado no começo. Um amigo me disse que "no começo é uma maravilha". não é: o começo é a parte mais complicada. Se não ficou complicado ainda, é porque não começou de fato. E, se logo de cara, um ou ambos desistem, creia-me: é melhor assim.

Relacionamento não evolui: ele existe para que as pessoas evoluam.Manter um casamento, uma convivência diária sob um mesmo teto, é uma arte que muito nos ensina sobre o respeito, a tolerância, a necessidade da ordem, da compreensão. O amor não é tudo: ele deve ser a base, o fundamento sobre o qual vamos passar a erguer um colosso de paciência. E é desta paciência que esperamos que venham, pouco a pouco, todas as outras conquistas.

Paciência inclusive, para esperar o que há de vir. Porque virá.Quer melhor chance de encontrar o amor de sua vida do que estar, afinal, desvencilhada de quem não o era?

O coração não está vazio: suas portas estão abertas.

quinta-feira, novembro 26, 2009

A vida é CURTA!

Não consigo pensar em mais nada a não ser no meu filme. Engraçado isso: não esperava mesmo que um roteiro escrito em 10 minutos, só pra marcar presença, seria selecionado no concurso. Depois, não imaginei que um filme gravado em algumas horas, sem ensaios nem atores profissionais, daria tão certo. Mas deu. Depois, achei que não iria agradar. E agora estamos a dois dias da premiação, com quatro indicações e duas matérias de jornal. Que mais eu posso querer ou esperar?
Nada. O que vier é lucro. Toda essa experiência já foi em si uma vitória. Agora eu quero só curtir a vida, que é curta, mas não pode ser só curta!!



Até porque, não é nada demais. Curta que vira capa de revista? Só se for a saia da Geisy Arruda.

sábado, novembro 14, 2009

É clichê, mas é verdade!


A primeira vez a gente nunca esquece!

Gravação da cena de abertura de "Além do Encanto", primeiro filme de ficção escrito e dirigido por mim. As filmagens aconteceram no Recanto dos Curiós, belíssima propriedade ás margens do Tarumã-Açu, conhecida por sediar eventos de wakeboard e festas de gente bonita. Na noite de 8 de Novembro era toda nossa para muito trabalho, risadas e -oba!- muito guaraná Tuchaua!

Abaixo, a ficha técnica e o cronograma de exibições da mostra. Ficou curioso? Aparece lá!


"ALÉM DO ENCANTO" - Um filme de Rosa Moraes

FICHA TÉCNICA

Elenco:

“Encantada” .................. Leda Mayara
“Boto”............................ Santhiago Moss
“Pai”............................... Wander Luis
“Mãe da Grávida”........... Dorotéia Botelho
“Grávida”.........................Mel Rose
“Menino”..........................Marcel Perón
“Menina”..........................Julia Giamarino
“Mãe das Crianças”.........Célia Perón
“Delegado”.......................Niels Newton
“Policial 1”........................Sales Botelho
“Policial 2”.........................Sani Miléo

Equipe:

Roteiro e Direção..................Rosa Moraes
Assistente de Direção...........Caio Luiz
Produção.............................. Renata Paula
Ass. De Produção................. Luis Guilherme Bitterncourt,
Aylton Botelho
Elias Vidal
Samy Castro
Najara Perón
Direção de Arte.....................Inamara Fernandes

Auxiliar de iluminação.............Alvaro Botelho
Continuista...............................Renata Paula
Cameraman e Edição..............Junior Rodrigues
Still ..........................................Thiago Hermido

Agradecimentos Especiais:

Alcy Alves
Ana Scognamiglio
Carla Machado
Francisco Santos Silva
Rodrigo Mari
Flutuante Peixe-Boi


Exibições:

MOSTRA “CINEMA ALÉM DA IMAGEM”
20/11 – Sexta-Feira
*10h
CINEMARK - Manaus

MOSTRA “CURTA 4 ponto 5”
21/11 – Sábado
*10h
CINEMARK - Manaus
*18:30h
ITACOATIARA

22/11 – Domingo
*19h
MANACAPURU

MOSTRA “QUATRINHO.4”
23/11 – Segunda-Feira
*10h
CINEMARK - Manaus

* hora local

quinta-feira, setembro 17, 2009

A dor e a delícia de ser quem eu sou..!

Muito prazer, se for a primeira ou a milésima vez que você acessa este blog. Seja bem vindo, tire os sapatos, espreguiçe, sente-se em qualquer lugar e não repare na bagunça.
Sou Rosa Moraes, sonhadora por vocação e redatora por profissão, embora meus melhores textos eu sempre acabe escrevendo de graça aqui, ali, num pedaço de papel higiênico que nunca mais será encontrado. Escrevi também algumas letras de música que só eu sei e alguns filmes que só eu vi (mas em breve vocês também poderão ver o primeiro filme de ficção escrito e dirigido por mim na telona do Festival Curta 4 ponto 5!!)
Amo trabalhar, odeio ir pro trabalho. Amo cozinhar, odeio lavar a louça. Não sou magra nem gorda, não sou feia nem bonita. Sou baixinha, baixinha que só. E sou paulista, meu!
Ah, quem dera ser um peixe! Amo água e viveria feliz numa cabana a beira-mar, desde que tenha Internet. Não faço questão de ser rica, mas viveria como socialite numa boa. Só não vejo sentido em passar a vida perseguindo uma fortuna, uma posição, um corpo que nunca será o suficiente. Meu negócio é ser feliz hoje, e talvez amanhã. E amanhã eu penso no depois de amanhã. Depois de amanhã eu penso na semana que vem.
Sou Rosa, sou Pikena, sou o nick que me der na telha.Sou dramática, exagerada, sangüínea, de gritos, lágrimas, gargalhadas e biquinhos. A rainha do sarcasmo com um senso de humor babaca. Não tenho idade nem cor de cabelo. E já desisti de entender o mundo há muito tempo.

Muito prazer. Eu sou, provavelmente, alguém que você nunca irá conhecer.

:D

terça-feira, setembro 15, 2009

Amor bipolar

Passou.

Toda aquela frustração e indignação do sábado acabou no domingo à noite, depois de mais alguns surtos pré-menstruais, dramas cinematográficos e até alguns questionamentos filosóficos.

Amanheço numa segunda apaixonada, numa terça romântica, sonhando com uma quarta arrebatadora, uma quinta de companheirismo e uma sexta sensual.

Todo amor é cheio de altos e baixos.

Todo relacionamento é bipolar.

domingo, setembro 13, 2009

Questão de fidelidade...

Tive até uma espécie de pesadelo essa noite. Sonhei que estava em algum lugar inexistente de São Paulo, parecia uma escola ou faculdade. A um certo ponto, me peguei combinando uma ida ao motel com alguém. Aí eu lembrava "Putz, mas eu sou casada..! Não vai dar pra pernoitar, eu tenho que voltar pra casa hoje."

No sonho, eu não senti culpa nenhuma. Só aquela pontinha de receio de quem está fazendo algo com medo de ser pego, mas acha que isso é uma possibilidade um tanto remota. Demorou um pouco para eu me tocar, ainda dentro do sonho, que o meu amante era o Bilud. Claro, por isso foi tão fácil marcar uma rapidinha assim sem culpa nenhuma! Mas.. peraí, então quem era o meu marido, no sonho?

Era ele também, pô! Esquisito, né? Eu era casada (com ele) e tinha um amante (ele também). Mas embora fossem a mesma pessoa, no sonho era como se fossem irmãos gêmmeos, clones de corpo e personalidade. Imagina o absurdo da situação: eu chegando atrasada em casa e inventando uma desculpa pro meu marido para disfarçar o fato que estava era na sem-vergonhice...com ele mesmo. Complifuso.

De qualquer maneira, acordei com um sentimento esquisito. Acho que nunca (ou pelo menos nunca desde que estamos juntos -ou desde que existe esse blog, o que dá no mesmo) nunca tinha tido um sonho em que eu fosse infiel. E agora, não tenho certeza de que foi ou deixou de ser o caso. Se o marido e o amante são a mesma pessoa, é traição? O que confundiu tudo foi o lance de precisar mentir e esconder do marido.

Ai, que confa!! *risos*

Por outro lado, é engraçado isso. Faz pensar. Eu já traí e já fui traída, como todo mundo, eu acho. Meu relacionamento , verdade seja dita, é o resultado de uma traição. Mas de minha parte, meu histórico de infidelidade acabou ali. Tudo isso meu deu uma lição pra vida toda: não traia - e não seja pivô de traição.

E outra ainda mais valiosa: Não mantenha um relacionamento com alguém que você acha que pode trair. Porque, pelo menos pra mim, serviu para confirmar uma coisa que eu não levava muito a sério: QUEM AMA DE VERDADE, NÃO TRAI.. Pode estar com todos os instintos sexuais berrando - o que não podemos controlar- Mas não chega ás vias de fato. "Um momento não vale um relacionamento". Isso é lei. Se valer...bom, aí vai estar claro o valor desse ou daquele relacionamento para você.

Eu só sei que meu marido pode me colocar num polígrafo, fazer interrogatório, pode perguntar até pra Deus, que eu estou muito feliz e honrada de poder dizer de boca cheia (sem trocadilhos imbecis) que sempre lhe fui fiel, fidelíssima. Mas confesso, queridos leitores, que não acho isso uma virtude tão grande quanto se apregoa por aí. Ser fiel, aos olhos do pobvo, só parece ter valor por implicar em algum sacrifício, alguma resistência, alguma luta. No meu caso, foi e tem sido simplesmente muito fácil.

Porque quem ama de verdade, não trai.

sábado, setembro 12, 2009

Eu devia ter enchido a cara ontem

Devia ter bebido, me embriagado. Mas não. Fiquei toda preocupada em me poupar, em ter disposição...

pra quê?

Hoje levantei sem ressaca e vou dormir puta da vida.

Babaquice de mulher.

Estou me sentindo ridícula, fiquei puta com meu marido, virei o computador de "costas" pra ele e estou escrevendo aqui. Dando algumas pausas entre as frases pra ele achar que eu tô no MSN.

Até parece que tem alguma outra alma na net a essa hora. Pelo menos essas "almas"com quem eu gostaria de conversar. Renata, Loyana, Priscilla...mulheres comprometidas, que me entenderiam, ou me mandariam praquele lugar, mas melhorariam meu humor.

Sei lá. Tô muito f***** da vida. Tô até escrevendo um monte de palavrões, coisa que não costumo fazer.

Hehehehe, não deixa de ser cruelmente engraçado ver meu marido espiando minha cara de canto de olho. Ele não vê a tela do meu computador, mas está bem de frente pra mim. ÓBVIO que meu sangue FERVERIA se ele fizesse alguma piada de mau-gosto desse tipo comigo, mas como você acha que estou, aqui seca pra namorar um pouquinho com ele, toda arrumadinha, e ele vir com um papo de não estar a fim de sair..? Eu não sugeri atravessar a noite numa balada, queria tomar um sorvete, algo assim.

Se pelo menos a gente não estivesse passando uns tempos na casa dos pais dele, eu não estaria tão pê da vida. Estamos aqui há quase um mês. Alguém aqui imagina o que é passar quase um mês dormindo num quarto grudado com o dos sogros?

Nada pessoal. É uma questão de PRIVACIDADE e INTIMIDADE, coisas que eu valorizo muito.

Agora ele mandou beijinho, tá tentando "fazer as pazes", pediu pra eu não ficar brava. Vou pensar muito no caso, e provavelmente vou continuar mega-frustrada até ele se tocar e levantar a bunda da rede. Aí, eu juro, esqueceria tudo. Ficaria feliz, feliz.

Poxa vida, é meu marido, o único homem que eu amo nesse mundo...é LÓGICO que eu fico enfezada se ele "não tá a fim" de sair. QUEM não fica enfezado quando o amor da sua vida tá nessas?

Agora, quando EU estou nessas e de TPM, eu posso até exagerar. Mas me sinto com vontade de sei lá o quê. Quebrar tudo, sair berrando. Ainda bem, nessas horas, que eu não dirijo. Acho que seria capaz de sair e ir encher a cara de sorvete sozinha. E isso, claro, pro relacionamento seria uma péssima idéia.

Eu nem devia estar escrevendo essas coisas, eu sei, mas ninguém vai ler mesmo, dane-se.

De TPM no sábado á noite.

Quero que se lasque. Tive uma semana de matar. Não faço a mínima idéia de porque preciso passar por isso.
Eu sou até capaz de tentar não descontar em alguém, mas fechar essas coisas dentro de mim não dá. Acho que nunca fui de fazer isso.
Não queria ficar aqui esta noite. Queria sair, botar a cabeça pra arejar. Queria um tempo com meu marido, e passei a tarde toda me arrumando, no fim não rolou e eu estou ainda mais irritada. Estou aqui, num sábado á noite, toda empetecada, escrevendo num blog que ninguém lê.

Tô com sono, mas tão puta que nem vou conseguir dormir tão cedo.


E só tenho essas linhas pra me ouvir.

sexta-feira, setembro 11, 2009

...

Cansei de vocês humanos. Vocês são malucos, incongruentes, inconstantes, incoerentes e não importa o quão interessante sejam , geralmente não passam de imbecis. (tá, a palavra é feia, mas começa com "im"...)

Destróem a natureza como se pudessem viver sem ela. Acham bonito ser feio. Nunca estão felizes com nada. Desperdiçam a vida toda obcecados em ganhar dinheiro para viver melhor. Quando? Quando o melhor da vida já tiver passado??

As mulheres, para se fazerem respeitar, não se dão o respeito. Ser mãe saiu de moda. O sexo- cúmulo da intimidade - virou um produto. Antes, os humanos trancavam seus diários ã chave. Hoje em dia, publicam na Internet.

As crianças não querem mais ser crianças. Desde cedo são adultizadas, erotizadas, massificadas. Aprendem que puxar o tapete é muito mais do que descobrir o piso. Na escola, lições de arrogância e preconceito. De que adianta o uniforme, se quem não usa o tênis da moda ainda vale menos?

Ser alegre é ser bobo. Sorrir é proibido. O amor não existe além dos contos de fadas. Ser gentil é ser trouxa. Ninguém vence na vida sendo honesto.

A comunicação humana decai na mesma proporção que os meios de comunicação avancam. É saudável ser raquítico. É legal ser ilegal. Exigem respeito sem respeitar os outros.

Tenho vontade de chorar, mas se souberem que choro pela humanidade, vão me chamar de louca.
É, eu sou louca. Isso tudo não tem jeito. Então, por quê esquentar a cabeça?


Quero estar na primeira fila pra ver a bomba H.

quarta-feira, setembro 09, 2009

9/9/9 - DIA MUNDIAL DOS BEATLES!


9. O número do novo, das novidades. Das 9dades! Número misterioso, predizendo as boas vibrações e as grandes mudanças que estão por vir. Nove de novembro, tudo novo novamente!!


E DAÍ?? O IMPORTANTE É QUE HOJE É O DIA MUNDIAL DOS BEATLES!!!

Viva John, Paul, Ringo e George!!
Viva os rapazes de Liverpool!!
Passei minha infância viajando no submarino amarelo, numa mágica e misteriosa viagem pelos campos de morangos eternamente...
Conheci a Lucy no céu com diamantes, e tive noites de dias difíceis...
Lembro de brincar na sala ao som dos vinis dos Beatles, usando um headphone maior que minha cabeça...
aprendi inglês no encarte de Magical Mystery Tour
Meu pai me convencia a comer maças olhando para o logo da Apple
E, se eu atravesso na faixa até hoje, é graças à Abbey Road.
O primeiro show em que fui na minha vida foi o Paul McCartney, no Pacaembu...
Minha filha chama-se Julia, não é por acaso...

E hoje é o dia de celebrar tudo isso!!!

FELIZ DIA MUNDIAL DOS BEATLES!!!