Não há empresa, marca ou promoção que sobreviva a um péssimo atendimento. Mesmo a franquia mais bem-conceituada do mundo. Pode ser o produto ou serviço mais badalado do momento: basta um atendente mau-humorado para espantar a freguesia - e com ela, os lucros.
Quando uma pessoa entra em contato com uma empresa - seja adentrando um estabelecimento, enviando um e-mail ou fazendo um telefonema - ela já passa a ser um cliente mesmo antes de consumir qualquer produto ou serviço. Na verdade não são poucos os clientes que irredutivelmente condicionam o consumo ao bom atendimento preliminar.
A cordialidade e disposição do atendente, recepcionista ou vendedor será o primeiro contato pessoal do cliente com o estabelecimento e portanto, fator decisivo para uma primeira impressão.
A seguir, listamos os maiores inimigos do bom atendimento:
1.Desinteresse: O atendente não cumprimenta- ou o faz mecanicamente, quase sem contato visual - não endireita a postura nem deixa de fazer o que está fazendo (se for um bate-papo com um colega, então é erro gravíssimo!), para se colocar à disposição. Não há desculpa para um garçom, vendedor ou recepcionista não estar atento à mínima requisição do cliente - Não há coisa mais desagradável para ele do que ter de ficar "caçando" um funcionário para ser atendido.
2.Falta de Postura: É outra expressão do desinteresse. Ficar encostado no balcão, mascando chiclete, falando ao celular, sentado, "arrumando" alguma coisa...Vendo Tv, então nem pensar! E o pior é que pessoalmente, já vi atendentes que estavam fazendo tudo isso ao mesmo tempo, sem nem reparar se havia ou não clientes no estabelecimento.
3.Intimidade: Cordialidade e simpatia, na medida certa. Sorrir não é fazer cara de bobo, e ser atencioso não é forçar intimidade. O brasileiro é um povo naturalmente amigável e mais expansivo, mas convenhamos:é muito esquisito ser chamado de "amada" pela mulher do telemarketing...
quarta-feira, março 30, 2011
terça-feira, março 29, 2011
Ana Elise, 23 anos, atendente de pet shop
Ela vem do lado Leste e trampa lá na Zona Sul. Morava ali perto da Globo, mas estava de favor, na casa de uma amiga e resolveu sair. O salário só deu para alugar uma quitenete lá pro Pintadinho. Paciência. Não podia largar o emprego sem arrumar outro.
Gosta de bichos e de gente, Ana Elise freqüenta a Assembléia de Deus. Ela acha a vida boa, tem dois irmãos criados e os pais vivem no interior, com simplicidade e suficiência. Veio pra São Paulo menina, nem lembra quando. Na adolescência perdeu o caminho da escola, entrou pelo atalho das drogas, engravidou, abortou, fugiu da casa da madrinha. Voltou convertida e arrependida, falando de Deus e pedindo pra recomeçar. A todos testemunhava seu milagre pessoal. Ana Elise é feliz, sim.
De manhã, no ônibus, vem agasalhada, lendo uma revista sobre novelas. Ana Elise vê todas, é fã da Globo e da MTV. Queria ser modelo- todo mundo diz que leva jeito - mas vaidade é pecado e ela tem medo de ter de posar nua. Que vergonha, né, Ana Elise? Ela mostra uma foto no celular, onde aparece com a Fátima Bernardes. Ana Elise via muito artista lá no Brooklyn, mas agora não tem tempo pra ver mais nem televisão. O caminho é longo, Ana Elise não se importa. Ainda mais se consegue fazer a viagem sentada, melhor ainda- na janela. Aí Ana Elise larga a revista, olha pro mundo, o pensamento longe... Queria saber o que ela pensa. Acho que em ser modelo, desfilar no Cidade Jardim, aparecer na TV. Ou se entristece por tanto querer um cachorrinho, mas não poder mantê-lo no apartamento tão pequeno. Ás vezes ela fecha os olhos, parece que está dormindo. Vejo na minha mente os sonhos de Ana Elise: um bom marido, uma casinha no interior, filhos correndo no quintal. Só vai despertar quase no último ponto, a parada perto da pet shop, o frio paulista a arrepiar-lhe o pescoço. Ana Elise salta a caminho do trabalho, seguindo o rumo do futuro.
Gosta de bichos e de gente, Ana Elise freqüenta a Assembléia de Deus. Ela acha a vida boa, tem dois irmãos criados e os pais vivem no interior, com simplicidade e suficiência. Veio pra São Paulo menina, nem lembra quando. Na adolescência perdeu o caminho da escola, entrou pelo atalho das drogas, engravidou, abortou, fugiu da casa da madrinha. Voltou convertida e arrependida, falando de Deus e pedindo pra recomeçar. A todos testemunhava seu milagre pessoal. Ana Elise é feliz, sim.
De manhã, no ônibus, vem agasalhada, lendo uma revista sobre novelas. Ana Elise vê todas, é fã da Globo e da MTV. Queria ser modelo- todo mundo diz que leva jeito - mas vaidade é pecado e ela tem medo de ter de posar nua. Que vergonha, né, Ana Elise? Ela mostra uma foto no celular, onde aparece com a Fátima Bernardes. Ana Elise via muito artista lá no Brooklyn, mas agora não tem tempo pra ver mais nem televisão. O caminho é longo, Ana Elise não se importa. Ainda mais se consegue fazer a viagem sentada, melhor ainda- na janela. Aí Ana Elise larga a revista, olha pro mundo, o pensamento longe... Queria saber o que ela pensa. Acho que em ser modelo, desfilar no Cidade Jardim, aparecer na TV. Ou se entristece por tanto querer um cachorrinho, mas não poder mantê-lo no apartamento tão pequeno. Ás vezes ela fecha os olhos, parece que está dormindo. Vejo na minha mente os sonhos de Ana Elise: um bom marido, uma casinha no interior, filhos correndo no quintal. Só vai despertar quase no último ponto, a parada perto da pet shop, o frio paulista a arrepiar-lhe o pescoço. Ana Elise salta a caminho do trabalho, seguindo o rumo do futuro.
SUSTENTABILIDADE: Ambientalismo ou Capitalismo?
Vamos encarar os fatos: a palavra sustentabilidade está tão em voga atualmente porque já não podemos falar mais em preservação. Não é preciso mais buscar embasamento em nenhum número oficial ou gráfico científico para constatar que, quando falamos em "preservar" hoje em dia, já não se trata de uma solução, e sim de não agravar um problema que já está instalado.
É utópica a idéia de que é possível "voltar no tempo" e recuperar o bioma original das regiões devastadas. Até porque a Natureza é como um grande organismo, e muitas vezes a intervenção em áreas aparentemente distantes é capaz de afetar de forma estrutural o ecossistema de uma reserva. Assim como os parques que existem em meio á grandes metrópoles, conservando nada além de uma lembrança da vegetação que outrora dominava toda a região, as florestas e reservas que temos hoje na maioria das vezes estão em maior ou menor grau, comprometidas pelo avanço da "civilização" pelo mundo. Os efeitos de anos e anos da exploração indiscriminada de recursos já são globais.
Por isso, a discussão sobre sustentabilidade já não pode mais ser considerada como "ecológica" ou assunto de ambientalistas, mas uma questão urgente a ser trabalhada prioritariamente por empresários e pessoas diretamente responsáveis (ou pelo menos interessadas) pela movimentação econômica da humanidade. Não deve ser exagero afirmar que os problemas ambientais causados pelo desmatamento, aquecimento global, acúmulo de resíduos e poluição são todos derivados do capitalismo e de uma economia de consumo.
Não faz sentido também, sugerir um retrocesso na história. O que precisa ser feito neste momento é encontrar um real ponto de equilíbrio entre o que está sendo dado no presente e tirado do futuro. Buscar um jeito de acelerar o desenvolvimento e frear a degradação. Mas para isso é necessário que se enxergue além dos custos financeiros, ou teremos apenas postergado o apocalipse.
Sustentabilidade não tem mais a ver com ecologia, e sim com economia.
É utópica a idéia de que é possível "voltar no tempo" e recuperar o bioma original das regiões devastadas. Até porque a Natureza é como um grande organismo, e muitas vezes a intervenção em áreas aparentemente distantes é capaz de afetar de forma estrutural o ecossistema de uma reserva. Assim como os parques que existem em meio á grandes metrópoles, conservando nada além de uma lembrança da vegetação que outrora dominava toda a região, as florestas e reservas que temos hoje na maioria das vezes estão em maior ou menor grau, comprometidas pelo avanço da "civilização" pelo mundo. Os efeitos de anos e anos da exploração indiscriminada de recursos já são globais.
Por isso, a discussão sobre sustentabilidade já não pode mais ser considerada como "ecológica" ou assunto de ambientalistas, mas uma questão urgente a ser trabalhada prioritariamente por empresários e pessoas diretamente responsáveis (ou pelo menos interessadas) pela movimentação econômica da humanidade. Não deve ser exagero afirmar que os problemas ambientais causados pelo desmatamento, aquecimento global, acúmulo de resíduos e poluição são todos derivados do capitalismo e de uma economia de consumo.
Não faz sentido também, sugerir um retrocesso na história. O que precisa ser feito neste momento é encontrar um real ponto de equilíbrio entre o que está sendo dado no presente e tirado do futuro. Buscar um jeito de acelerar o desenvolvimento e frear a degradação. Mas para isso é necessário que se enxergue além dos custos financeiros, ou teremos apenas postergado o apocalipse.
Sustentabilidade não tem mais a ver com ecologia, e sim com economia.
Schwarzeneggices! no Fórum Mundial de Sustentabilidade!
"...precisamos fazer a idéia de 'ecológico' ser mais sexy!"
É, meu caro "Terminator"... pelo jeito ninguém te falou sobre as Mulheres-Fruta e a Mulher-Samambaia, né..?
Já te digo: sensualizar não dá certo.
É, meu caro "Terminator"... pelo jeito ninguém te falou sobre as Mulheres-Fruta e a Mulher-Samambaia, né..?
Já te digo: sensualizar não dá certo.
Plantão PikeNices! : Adeus, Sr. José Alencar!
O Sr. ex-Presidente da República, José Alencar acaba de falecer. Há muito tempo lutando contra um câncer, depois de muitas recaídas e com uma perfuração no abdômem, os médicos do hospital Sírio-Libanês em São Paulo apenas se preocupavam agora em aliviar o sofrimento de seus derradeiros instantes em matéria. Ás 14:30 (horário de Brasília) foi dado o último boletim médico com Alencar ainda vivo. Ele dormia em presença de familiares, sob o efeito de analgésicos.
O Sr. José Alencar foi um exemplo de superação e persistência, sem jamais esmorecer perante a doença. Mesmo após várias cirurgias, tratava do assunto com bom humor e nunca se esquivou da imprensa.
Descanse em paz!
O Sr. José Alencar foi um exemplo de superação e persistência, sem jamais esmorecer perante a doença. Mesmo após várias cirurgias, tratava do assunto com bom humor e nunca se esquivou da imprensa.
Descanse em paz!
Fórum Mundial de Sustentabilidade- EU FUI (mesmo!)
..olha as minhas costas aí, junto com as costas da Cintia Levorin, da Christiane Torloni e do Victor Fasano!!
segunda-feira, março 28, 2011
Fórum Mundial de Sustentabilidade 2011 - EU FUI!
Nos dias 24, 25 e 26 de Março, aconteceu no Hotel Tropical em Manaus o segundo Fórum Mundial de Sustentabilidade, organizado pela Seminars e promovido pelo LIDE, o evento reuniu mais de 700 empresários, cientistas, ambientalistas e formadores de opinião além de 164 jornalistas de veículos do Brasil e do exterior.
O evento trouxe ao Brasil Arnorld Schwarzenegger (ex-ator e ex-Governador da California), Richard Branson (empresário do conglomerado Virgin, com mais de 300 empresas) e o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, além do cineasta James Cameron (que já havia participado da primeira edição do Fórum), Dan Epstein ( responsável pelo desenvolvimento sustentável das olimpíadas de Londres em 2012), e os autores Adam Werbach (chefe de sustentabilidade da Saatchi & Saatchi) e Paul Hawken (ambientalista e empresário).
O Forum, promovido pela empresa Seminars, é uma iniciativa do grupo LIDE que reúne líderes empresariais de diversas áreas. A seus membros juntaram-se cientistas, ambientalistas, ativadores e formadores de opinião para analisar e debater a questão da sustentabilidade na economia e equilíbrio ambiental do planeta. Espera-se que deste evento surjam novas iniciativas e parcerias para encontrar e desenvolver soluções que conciliem progresso econômico e presevação ambiental.
O evento trouxe ao Brasil Arnorld Schwarzenegger (ex-ator e ex-Governador da California), Richard Branson (empresário do conglomerado Virgin, com mais de 300 empresas) e o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, além do cineasta James Cameron (que já havia participado da primeira edição do Fórum), Dan Epstein ( responsável pelo desenvolvimento sustentável das olimpíadas de Londres em 2012), e os autores Adam Werbach (chefe de sustentabilidade da Saatchi & Saatchi) e Paul Hawken (ambientalista e empresário).
O Forum, promovido pela empresa Seminars, é uma iniciativa do grupo LIDE que reúne líderes empresariais de diversas áreas. A seus membros juntaram-se cientistas, ambientalistas, ativadores e formadores de opinião para analisar e debater a questão da sustentabilidade na economia e equilíbrio ambiental do planeta. Espera-se que deste evento surjam novas iniciativas e parcerias para encontrar e desenvolver soluções que conciliem progresso econômico e presevação ambiental.
terça-feira, março 15, 2011
Paliteiro Cheio
Preciso ser mais produtiva. É um saco esse negócio de ficar pensando, pensando, e não fazer nada.
Por outro lado, não sei o que fazer também, e isso me irrita profundamente. É tanta idéia ao mesmo tempo que vira paliteiro cheio: nada sai.
Vontade começar algo novo, mas e aí, onde eu enfio a vergonha se não vingar DE NOVO..?
Afe..!
Por outro lado, não sei o que fazer também, e isso me irrita profundamente. É tanta idéia ao mesmo tempo que vira paliteiro cheio: nada sai.
Vontade começar algo novo, mas e aí, onde eu enfio a vergonha se não vingar DE NOVO..?
Afe..!
sábado, março 12, 2011
Talula, tá, lula, talu lá...
Alguém lembra daquele filme "Jamaica Abaixo de Zero?" quando a turma termina de reformar o trenó, um dos competidores resolve batizá-lo de "Talula" e um outro diz "vai dar nome de vadia pro nosso trenó?" (ao que o primeiro responde: " É o nome da minha mãe..!")
A primeira vez que ouvi esse nome também foi num filme. "Quando as metralhadoras cospem". Mas deixa pra lá, senão vai ter um povo me achando muito mais velha do que minha memória é boa.
Depois por um bom tempo, Talula (ou Tallulah) era só uma das músicas do Sonata Arctica que eu menos gostava...
Agora parece que uma participante do Big Brother com esse nome, e que ela não é lá muito ética...
"Vai dar nome de vadia pro nosso trenó?"
A primeira vez que ouvi esse nome também foi num filme. "Quando as metralhadoras cospem". Mas deixa pra lá, senão vai ter um povo me achando muito mais velha do que minha memória é boa.
Depois por um bom tempo, Talula (ou Tallulah) era só uma das músicas do Sonata Arctica que eu menos gostava...
Agora parece que uma participante do Big Brother com esse nome, e que ela não é lá muito ética...
"Vai dar nome de vadia pro nosso trenó?"
sexta-feira, março 11, 2011
Devassa para menores
Bom, já tá na hora de sacudir isso aqui, né? Vida nova, fim de resguardo, terremoto no Japão e bola pra frente, pro alto, pra cima e subindo.
Finalmente me rendi á curiosidade e fui procurar no Youtube a propaganda da cerveja DEVASSA com a Sandy. Na TV acho que nem teria chance de ver uma coisa dessas: em casa não tenho tempo, e aqui onde tô passando as "férias médicas" (é um nome melhor que "resguardo", né não?), prefiro TV a cabo.
Coitada da Sandy... é verdade que "fiz as pazes" com ela depois do lançamento do CD "Manuscrito". Não li as críticas, não sei como o público recebeu, e tenho certeeeeeeza que meus amigos metaleiros vão me execrar por admitir publicamente que eu gostei, mas no MEU aparelho de som toca o que EU quero, e é pra isso que servem os fones de ouvido.
Agora, Sandy e Devassa... não deu certo não. Tenho certeza que os publicitários que tiveram essa idéia genial também não imaginavam que daria tão errado. E, se bobear, nem a Sandy devia ter imaginado que a campanha ficaria tão ridícula. Não dá para culpá-la por não ser vulgar - aliás, isso é mais ridículo ainda- Mas a verdade é que, "propagandamente", o tiro saiu pela culatra. Sandy bebendo cerveja numa campanha de 1 milhão, só prova uma coisa (ou duas) : ela pode ser péssima atriz, mas a verdadeira virtude é incorruptível.
Agora, sim: eu acredito que ela seja uma boa moça. Com um lado "descolado", sim - e foi aí que ela foi parar nesse comercial - mas uma boa moça de verdade. Engraçado até o jeito dela no comercial: mesmo fazendo seu melhor, não consegue disfarçar a falta de jeito.
Fico feliz ao ver que pelo menos uma celebridade ainda tem vergonha de ser vadia - mesmo de mentirinha.
Finalmente me rendi á curiosidade e fui procurar no Youtube a propaganda da cerveja DEVASSA com a Sandy. Na TV acho que nem teria chance de ver uma coisa dessas: em casa não tenho tempo, e aqui onde tô passando as "férias médicas" (é um nome melhor que "resguardo", né não?), prefiro TV a cabo.
Coitada da Sandy... é verdade que "fiz as pazes" com ela depois do lançamento do CD "Manuscrito". Não li as críticas, não sei como o público recebeu, e tenho certeeeeeeza que meus amigos metaleiros vão me execrar por admitir publicamente que eu gostei, mas no MEU aparelho de som toca o que EU quero, e é pra isso que servem os fones de ouvido.
Agora, Sandy e Devassa... não deu certo não. Tenho certeza que os publicitários que tiveram essa idéia genial também não imaginavam que daria tão errado. E, se bobear, nem a Sandy devia ter imaginado que a campanha ficaria tão ridícula. Não dá para culpá-la por não ser vulgar - aliás, isso é mais ridículo ainda- Mas a verdade é que, "propagandamente", o tiro saiu pela culatra. Sandy bebendo cerveja numa campanha de 1 milhão, só prova uma coisa (ou duas) : ela pode ser péssima atriz, mas a verdadeira virtude é incorruptível.
Agora, sim: eu acredito que ela seja uma boa moça. Com um lado "descolado", sim - e foi aí que ela foi parar nesse comercial - mas uma boa moça de verdade. Engraçado até o jeito dela no comercial: mesmo fazendo seu melhor, não consegue disfarçar a falta de jeito.
Fico feliz ao ver que pelo menos uma celebridade ainda tem vergonha de ser vadia - mesmo de mentirinha.
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Aborto Espontâneo : minha experiência
Durante estes dias difíceis, entre descobrir que minha gravidez de 11 semanas já não mais evoluía e hoje - que fiz a última US pós-curetagem, constatando que está tudo bem e logo poderei ter uma nova gestação- minha maior fonte de informação foram os depoimentos online de mulheres de várias partes do mundo, idades, credos e raças, que passaram por uma -ou algumas- situações semelhantes. De igual mesmo, acredito, apenas a dor.
Mas se a Internet não pode ser fonte segura do que vai ou não acontecer, do que pode ou não ser e como - devemos SEMPRE consultar um médico pessoalmente a respeito de nossa saúde - realmente uma coisa pude confirmar: de que cada caso é um caso. Ler tantas e tão diversas experiências foi bom para mim. Na mais simples das análises, fez com que me sentisse menos sozinha. Por isso, decidi contar também um pouco da minha experiência. A parte física, que mais provoca medo e dúvidas. Seria impossível tentar descrever o que se passa no coração e mente de uma mulher num momento como aquele.
Foi Deus que me mandou para o hospital naquela noite. Não era uma consulta de rotina, na verdade fui parar lá quase por acaso, por uma gota de sangue na calcinha que descobri mais tarde ter saído de um pequeno ferimento externo. Na minha primeira gravidez, sim, tive sangramentos e perdas de líquido significativas, passei por dificuldades no prmeiro trimestre, mas eram outros tempos, eu vivia uma época de stress e abusos: bebia, fumava, não cuidava da alimentação, na verdade, pesava pouco mais de 30 kg (tenho 1,43m) e quase não dormia. Portanto, não me alarmei quando o GO de plantão me deu a guia para o US com os dizeres "ameaça de aborto". Não era a primeira vez que recebia aquilo. E olhei confiante para minha linda e saudável filha de quase 4 anos.
Minha confiança só desmoronou ao ver a ruga de preocupação do médico que fez o US. Não conseguia acreditar no que eu ouvia - no que eu NÂO ouvia. Os batimentos cardíacos do feto haviam cessado. Não havia movimentos.
Nos dias seguintes, rezei por um milagre que não veio. A segunda US confirmou minha tristeza. Choveu muito lá fora e dentro de mim.
A GO então apresentou-me as opções: eu poderia esperar - um máximo de 15 dias - pela expulsão natural dos produtos da gestação ou internar-me imediatamente para a indução e possívelmente uma curetagem. Dra. Evelyn foi maravilhosa em todos os sentidos com sua informação e sensibilidade.
Explicou-me que eu poderia ir tranquilamente para casa e aguardar, se quisesse, para que a sábia Natureza trouxesse a solução, visto que o diagnóstico do óbito havia sido quase imediato. Mas que eu deveria ir direto ao hospital assim que começasse a sangrar, para ter um acompanhamento.
Meu marido estava muito nervoso. Ele é um homem prático que muitas vezes me trouxe equilíbrio, mas naquele instante eu me dei o direito de discordar. Por decisão dele eu ficaria internada desde aquele momento, sob cuidados médicos, especializados. Acabaria de uma vez com aquele sofrimento e minimizaria os riscos. Ele me ama, quer ter outro filho. Sob sua visão, era muita coisa para arriscar.Eu compreendia isso. Mas o que ele nem ninguém poderia compreender era minha luta contra a simples idéia de "aborto". A enxurrada de pensamentos, de lembranças que me vieram, a luta física e psicológica pela minha primeira gravidez... Cada um sabe o que viveu. E eu sei o que vivi até ali para que a menção a "Cytotec" e "Misoprostrol" me desse ânsia de vômito. Quantas - e foram muitas!- que eu conheci usavam essas palavras como sinônimo de alívio, de bénção, de condescendência...Creiam-me, invisíveis leitores: conheci ALGUMAS barrigas que se foram num passe da "palavra mágica" . Cytotec me parecia o nome do próprio diabo. Não, eu SOFRI um aborto! SOFRI!! Mas na minha cabeça ecoavam vozes conhecidas: "É só usar Cytotec, não 'pega' nada..!"
Perdão se estou confundindo alguém com histórias mal contadas... Talvez isso não venha mesmo ao caso.
De volta a Dra. Evelyn...Ela me explicou que, uma vez internada, se não houvesse sangramento, primeiro seria feita a indução, com o tal Cytotec. Disse que eu sentiria cólicas muito fortes, sim, mas que a idéia era essa: expelir. Foi sincera também, dizendo que provavelmente teria de passar por uma curetagem, dado o tempo de gestação (11 semanas), mas que não me preocupasse, era um procedimento simples, feito sob anestesia geral (sedação), e que eu sequer lembraria de nada. Explicou inclusive a importância desse procedimento: limpar totalmente o útero, para evitar infecção- o que seria mil vezes pior.
-E AMIU? - perguntei, já orientada por uma amiga médica.
AMIU é um outro tipo de procedimento para retirada dos produtos de uma gestação que não evoluiu. É uma aspiração desses produtos aravés de uma cânula, como uma seringa. É um processo mais simples, menos arriscado e menos invasivo. Muito usado na rede de atendimento pública, mas praticamente inexistente na particular (por quê será..?)
-Adoro AMIU. Se houvesse dilatação no seu colo, seria a melhor solução. Mas esse hospital não trabalha com AMIU...
...e meu colo estava fechadíssimo. Quem diria. Na primeira gravidez, a briga era para ele não abrir. E agora...
Fechado, sem nenhum sangramento. E os dias passavam. Nenhuma cólica, nenhum corrimento, nenhuma dor, nada. E assim foi até quase o término do prazo de quinze dias. Num fim de tarde de sábado, ao passar o papel higiênico, notei um corrimento gelatinoso, ligeiramente marrom. Pensei: "está próximo!". Mas as horas passaram sem que nada acontecesse.
No domingo, já tarde da noite e sem nenhuma mudança além do discretíssimo sangramento, resolvi ir ao hospital. Me sentia fisicamente bem, mas estava nervosa demais. Comecei a duvidar do quão preparada eu estava para... o que fosse.
Cheguei ao hospital e logo subi para a internação. Não quis ficar num quarto privativo, achei que nem era o caso.Até porque não queria que meu marido ficasse comigo. Na enfermaria só eram permitidas acompanhantes mulheres. Cheguei sozinha, e fui atendida por uma enfermeira simpática, que se apresentou e ofereceu empatia, pois também já havia passado por o que eu estava prestes a enfrentar. Ela me pôs no soro com Ocitocina (um hormônio que produz contrações) e o primeiro comprimido de (argh!) Cytotec.
As dores começaram. Primeiro, realmente uma cólica bem forte. Eu ainda conseguia fazer piadas. Na verdade, me incomodava mais a dor da agulha na mão (eu DETESTO acessos na mão..!) do que as cólicas. Foi nesse estágio que minha querida amiga chegou. Coitada, acho que se soubesse o que viria pela frente, eu mesma faria questão de que ela não tivesse presenciado aquilo. Mas que bom que ela estava lá..!
Rimos, fizemos piada com os programas da TV, comentamos a semelhança da enfermeira com a dançarina Andressa Soares (a Mulher Melancia!), contamos causos. A dor crescia e eu ri até onde consegui. Mas chegou o momento que eu não consegui mais. As lágrimas não vinham: vieram os gritos. E a minha "Mulher Melancia" aconselhava com calma e meiguice que respirasse fundo, fizesse força, dobrasse as pernas. "É como um parto, mas sem o prêmio..!". A doida da minha amiga (bota AMIGA nisso!) chegou a pedir para que eu a mordesse. Se eu o fizesse, não ia sobrar nem osso..!
Resumo da ópera: a dor é lancinante. Gritei, sim. Esperneei, pedi drogas, cesariana, aspirador de pó e até porrada. Nem sei quanto tempo passou. Nada saía, nem sangue. Fiz muita força. Levantava, sentava, pulava e até dançava. E aquele soro no braço..!
Mais força. Um pouco de sangue. Aquilo me tranquilizou, me deu mais coragem para "empurrar". Mesmo assim, já havia amanhecido e eu estava exausta. Vinha cambaleando do banheiro para a cama quando senti um "estalo" dentro de mim. Um líquido lavou o chão, e eu expeli algo que reconheci como o que uma colega de dor e de blog descreveu como um coágulo escuro em forma de rim . Por conta de seu testemunho, achei que já era o feto. Desviei o olhar. Pedi pra Renata chamar a enfermeira, a faxineira, sei lá. Me senti péssima e a dor não passava, parecia piorar. Tentei subir na cama e então veio uma nova contração, que quase me fez perder os sentidos. E, com ela, o feto.
Tentei desviar o olhar, mas foi irresistível. Por um segundo, tirei de minha mente o medo que aquela imagem pudesse assombrar-me o resto da vida. Não sei descrever o que senti ao fitá-lo, mas não foi algo ruim. Se havia alguma sensação negativa, foi eclipsada pelo alívio das dores que desapareceram por completo. As lágrimas finalmente rolaram e murmurei uma prece pessoal por tudo o que aquilo viera representar em minha vida. A Renata me auxiliou a subir na cama e, em segundos, adormeci. Pelo menos seis horas tinham se passado da internação áquele momento.
Acordei um tempo depois- não sei precisar quanto- com uma nova onda de cólica. Senti que algo se desprendia de mim. As dores agora eram esparsas, e sumiam logo após trazer uma enxurrada de sangue e coágulos grossos. Encharquei a cama e algumas fraldas de adulto. Fui levada á US onde o médico constatou que havia sim restos a serem retirados pela curetagem- embora muito pouco - e que eu estava sangrando muito. Ele ficou surpreso até de eu não estar pálida nem sentido vertigens. Saí do consultório caminhando. Um milagre de acordo com meu merecimento.
Da curetagem, nada lembro a não ser a entrada no centro cirúrgico. Dormi e nem lembro de ter sentido sono. Apenas acordei em outro lugar e fiz a pergunta clássica ao primeiro enfermeiro que apareceu: " Já acabou?". Pelo sorriso da resposta, já devia ter acabado fazia era tempo...
Tive alta no dia seguinte, já sem dores. Em cinco dias, o sangramento cessou quase que completamente. Hoje, seis dias depois, a reavaliação mostrou que está tudo bem. Já não tomo mais nenhum remédico, já não sinto mais cólicas. Apenas cumpro mais alguns dias de repouso, e daqui a três meses...quem sabe.
Ah, e um lembrete prático: minha primeira filha nasceu de cesárea. E já que esta dor da expulsão é a mesma do parto, posso dizer com a segurança das duas experiências: VIVA O PARTO NORMAL!!. Não se deixem intimidar pela dor. Ela passa muito mais rápido do que pensamos. Se meu bebê tivesse nascido, teria sido mil vezes melhor passar pela dor ANTES do parto do que enfrentar novamente o pós operatório da cesariana. Eu teria curtido muito mais os primeiros momentos da maternidade sem aquele rasgo na barriga. Não há cólica que pague isso, não... mais uma vez VIVA O PARTO NORMAL!!.
Cicatrizar útero e coração. Regenerar. Renovar. É assim que me sinto: renovada. Como bem disseram os três anjos que acompanhou a tudo de perto (e que aqui na Terra, chamo de amigas) : " A vida continua... na verdade ela nunca parou.Tudo muda, tudo vem. E vem para bem". "Estamos em processo de melhoria contínua" - disse uma outra.
A quem possa estar lendo essas longas linhas, minha gratidão. Seja qual for a história que você esteja escrevendo, meus votos de sucesso e felicidade. E áquelas que compartilham essa intensa experiência, minha empatia, solidariedade e amor. Confiança é a chave. Sempre.
Não, isso não é consolo. Mas ás vezes, pode ser um conforto.
Deus é misterioso e infalível. Sou grata pelas lágrimas que lavam traumas, transformando-os em lições aprendidas. Que o Senhor me faça digna de merecê-las, e jamais esquecer que sou antes de tudo, instrumento do Bem.
Mas se a Internet não pode ser fonte segura do que vai ou não acontecer, do que pode ou não ser e como - devemos SEMPRE consultar um médico pessoalmente a respeito de nossa saúde - realmente uma coisa pude confirmar: de que cada caso é um caso. Ler tantas e tão diversas experiências foi bom para mim. Na mais simples das análises, fez com que me sentisse menos sozinha. Por isso, decidi contar também um pouco da minha experiência. A parte física, que mais provoca medo e dúvidas. Seria impossível tentar descrever o que se passa no coração e mente de uma mulher num momento como aquele.
Foi Deus que me mandou para o hospital naquela noite. Não era uma consulta de rotina, na verdade fui parar lá quase por acaso, por uma gota de sangue na calcinha que descobri mais tarde ter saído de um pequeno ferimento externo. Na minha primeira gravidez, sim, tive sangramentos e perdas de líquido significativas, passei por dificuldades no prmeiro trimestre, mas eram outros tempos, eu vivia uma época de stress e abusos: bebia, fumava, não cuidava da alimentação, na verdade, pesava pouco mais de 30 kg (tenho 1,43m) e quase não dormia. Portanto, não me alarmei quando o GO de plantão me deu a guia para o US com os dizeres "ameaça de aborto". Não era a primeira vez que recebia aquilo. E olhei confiante para minha linda e saudável filha de quase 4 anos.
Minha confiança só desmoronou ao ver a ruga de preocupação do médico que fez o US. Não conseguia acreditar no que eu ouvia - no que eu NÂO ouvia. Os batimentos cardíacos do feto haviam cessado. Não havia movimentos.
Nos dias seguintes, rezei por um milagre que não veio. A segunda US confirmou minha tristeza. Choveu muito lá fora e dentro de mim.
A GO então apresentou-me as opções: eu poderia esperar - um máximo de 15 dias - pela expulsão natural dos produtos da gestação ou internar-me imediatamente para a indução e possívelmente uma curetagem. Dra. Evelyn foi maravilhosa em todos os sentidos com sua informação e sensibilidade.
Explicou-me que eu poderia ir tranquilamente para casa e aguardar, se quisesse, para que a sábia Natureza trouxesse a solução, visto que o diagnóstico do óbito havia sido quase imediato. Mas que eu deveria ir direto ao hospital assim que começasse a sangrar, para ter um acompanhamento.
Meu marido estava muito nervoso. Ele é um homem prático que muitas vezes me trouxe equilíbrio, mas naquele instante eu me dei o direito de discordar. Por decisão dele eu ficaria internada desde aquele momento, sob cuidados médicos, especializados. Acabaria de uma vez com aquele sofrimento e minimizaria os riscos. Ele me ama, quer ter outro filho. Sob sua visão, era muita coisa para arriscar.Eu compreendia isso. Mas o que ele nem ninguém poderia compreender era minha luta contra a simples idéia de "aborto". A enxurrada de pensamentos, de lembranças que me vieram, a luta física e psicológica pela minha primeira gravidez... Cada um sabe o que viveu. E eu sei o que vivi até ali para que a menção a "Cytotec" e "Misoprostrol" me desse ânsia de vômito. Quantas - e foram muitas!- que eu conheci usavam essas palavras como sinônimo de alívio, de bénção, de condescendência...Creiam-me, invisíveis leitores: conheci ALGUMAS barrigas que se foram num passe da "palavra mágica" . Cytotec me parecia o nome do próprio diabo. Não, eu SOFRI um aborto! SOFRI!! Mas na minha cabeça ecoavam vozes conhecidas: "É só usar Cytotec, não 'pega' nada..!"
Perdão se estou confundindo alguém com histórias mal contadas... Talvez isso não venha mesmo ao caso.
De volta a Dra. Evelyn...Ela me explicou que, uma vez internada, se não houvesse sangramento, primeiro seria feita a indução, com o tal Cytotec. Disse que eu sentiria cólicas muito fortes, sim, mas que a idéia era essa: expelir. Foi sincera também, dizendo que provavelmente teria de passar por uma curetagem, dado o tempo de gestação (11 semanas), mas que não me preocupasse, era um procedimento simples, feito sob anestesia geral (sedação), e que eu sequer lembraria de nada. Explicou inclusive a importância desse procedimento: limpar totalmente o útero, para evitar infecção- o que seria mil vezes pior.
-E AMIU? - perguntei, já orientada por uma amiga médica.
AMIU é um outro tipo de procedimento para retirada dos produtos de uma gestação que não evoluiu. É uma aspiração desses produtos aravés de uma cânula, como uma seringa. É um processo mais simples, menos arriscado e menos invasivo. Muito usado na rede de atendimento pública, mas praticamente inexistente na particular (por quê será..?)
-Adoro AMIU. Se houvesse dilatação no seu colo, seria a melhor solução. Mas esse hospital não trabalha com AMIU...
...e meu colo estava fechadíssimo. Quem diria. Na primeira gravidez, a briga era para ele não abrir. E agora...
Fechado, sem nenhum sangramento. E os dias passavam. Nenhuma cólica, nenhum corrimento, nenhuma dor, nada. E assim foi até quase o término do prazo de quinze dias. Num fim de tarde de sábado, ao passar o papel higiênico, notei um corrimento gelatinoso, ligeiramente marrom. Pensei: "está próximo!". Mas as horas passaram sem que nada acontecesse.
No domingo, já tarde da noite e sem nenhuma mudança além do discretíssimo sangramento, resolvi ir ao hospital. Me sentia fisicamente bem, mas estava nervosa demais. Comecei a duvidar do quão preparada eu estava para... o que fosse.
Cheguei ao hospital e logo subi para a internação. Não quis ficar num quarto privativo, achei que nem era o caso.Até porque não queria que meu marido ficasse comigo. Na enfermaria só eram permitidas acompanhantes mulheres. Cheguei sozinha, e fui atendida por uma enfermeira simpática, que se apresentou e ofereceu empatia, pois também já havia passado por o que eu estava prestes a enfrentar. Ela me pôs no soro com Ocitocina (um hormônio que produz contrações) e o primeiro comprimido de (argh!) Cytotec.
As dores começaram. Primeiro, realmente uma cólica bem forte. Eu ainda conseguia fazer piadas. Na verdade, me incomodava mais a dor da agulha na mão (eu DETESTO acessos na mão..!) do que as cólicas. Foi nesse estágio que minha querida amiga chegou. Coitada, acho que se soubesse o que viria pela frente, eu mesma faria questão de que ela não tivesse presenciado aquilo. Mas que bom que ela estava lá..!
Rimos, fizemos piada com os programas da TV, comentamos a semelhança da enfermeira com a dançarina Andressa Soares (a Mulher Melancia!), contamos causos. A dor crescia e eu ri até onde consegui. Mas chegou o momento que eu não consegui mais. As lágrimas não vinham: vieram os gritos. E a minha "Mulher Melancia" aconselhava com calma e meiguice que respirasse fundo, fizesse força, dobrasse as pernas. "É como um parto, mas sem o prêmio..!". A doida da minha amiga (bota AMIGA nisso!) chegou a pedir para que eu a mordesse. Se eu o fizesse, não ia sobrar nem osso..!
Resumo da ópera: a dor é lancinante. Gritei, sim. Esperneei, pedi drogas, cesariana, aspirador de pó e até porrada. Nem sei quanto tempo passou. Nada saía, nem sangue. Fiz muita força. Levantava, sentava, pulava e até dançava. E aquele soro no braço..!
Mais força. Um pouco de sangue. Aquilo me tranquilizou, me deu mais coragem para "empurrar". Mesmo assim, já havia amanhecido e eu estava exausta. Vinha cambaleando do banheiro para a cama quando senti um "estalo" dentro de mim. Um líquido lavou o chão, e eu expeli algo que reconheci como o que uma colega de dor e de blog descreveu como um coágulo escuro em forma de rim . Por conta de seu testemunho, achei que já era o feto. Desviei o olhar. Pedi pra Renata chamar a enfermeira, a faxineira, sei lá. Me senti péssima e a dor não passava, parecia piorar. Tentei subir na cama e então veio uma nova contração, que quase me fez perder os sentidos. E, com ela, o feto.
Tentei desviar o olhar, mas foi irresistível. Por um segundo, tirei de minha mente o medo que aquela imagem pudesse assombrar-me o resto da vida. Não sei descrever o que senti ao fitá-lo, mas não foi algo ruim. Se havia alguma sensação negativa, foi eclipsada pelo alívio das dores que desapareceram por completo. As lágrimas finalmente rolaram e murmurei uma prece pessoal por tudo o que aquilo viera representar em minha vida. A Renata me auxiliou a subir na cama e, em segundos, adormeci. Pelo menos seis horas tinham se passado da internação áquele momento.
Acordei um tempo depois- não sei precisar quanto- com uma nova onda de cólica. Senti que algo se desprendia de mim. As dores agora eram esparsas, e sumiam logo após trazer uma enxurrada de sangue e coágulos grossos. Encharquei a cama e algumas fraldas de adulto. Fui levada á US onde o médico constatou que havia sim restos a serem retirados pela curetagem- embora muito pouco - e que eu estava sangrando muito. Ele ficou surpreso até de eu não estar pálida nem sentido vertigens. Saí do consultório caminhando. Um milagre de acordo com meu merecimento.
Da curetagem, nada lembro a não ser a entrada no centro cirúrgico. Dormi e nem lembro de ter sentido sono. Apenas acordei em outro lugar e fiz a pergunta clássica ao primeiro enfermeiro que apareceu: " Já acabou?". Pelo sorriso da resposta, já devia ter acabado fazia era tempo...
Tive alta no dia seguinte, já sem dores. Em cinco dias, o sangramento cessou quase que completamente. Hoje, seis dias depois, a reavaliação mostrou que está tudo bem. Já não tomo mais nenhum remédico, já não sinto mais cólicas. Apenas cumpro mais alguns dias de repouso, e daqui a três meses...quem sabe.
Ah, e um lembrete prático: minha primeira filha nasceu de cesárea. E já que esta dor da expulsão é a mesma do parto, posso dizer com a segurança das duas experiências: VIVA O PARTO NORMAL!!. Não se deixem intimidar pela dor. Ela passa muito mais rápido do que pensamos. Se meu bebê tivesse nascido, teria sido mil vezes melhor passar pela dor ANTES do parto do que enfrentar novamente o pós operatório da cesariana. Eu teria curtido muito mais os primeiros momentos da maternidade sem aquele rasgo na barriga. Não há cólica que pague isso, não... mais uma vez VIVA O PARTO NORMAL!!.
Cicatrizar útero e coração. Regenerar. Renovar. É assim que me sinto: renovada. Como bem disseram os três anjos que acompanhou a tudo de perto (e que aqui na Terra, chamo de amigas) : " A vida continua... na verdade ela nunca parou.Tudo muda, tudo vem. E vem para bem". "Estamos em processo de melhoria contínua" - disse uma outra.
A quem possa estar lendo essas longas linhas, minha gratidão. Seja qual for a história que você esteja escrevendo, meus votos de sucesso e felicidade. E áquelas que compartilham essa intensa experiência, minha empatia, solidariedade e amor. Confiança é a chave. Sempre.
Não, isso não é consolo. Mas ás vezes, pode ser um conforto.
Deus é misterioso e infalível. Sou grata pelas lágrimas que lavam traumas, transformando-os em lições aprendidas. Que o Senhor me faça digna de merecê-las, e jamais esquecer que sou antes de tudo, instrumento do Bem.
sábado, fevereiro 26, 2011
Quando a gente não anda...a vida EMPURRA.
O sonho começou e terminou em datas festivas. Da descoberta da gravidez- a segunda, desejada, esperada, confirmada, festejada! - a outra descoberta trágica: um coraçãozinho de 11 semanas que parou de bater em meu ventre, deixando partido o que há 30 anos em meu peito.
Não, não consegui tomar nenhuma atitude na hora que não fosse chorar, lamentar, buscar uma culpa que não havia onde encontrar. Acho que nenhuma mãe espera conhecer a dor de perder um filho, nenhuma gestante espera outro momento que não seja o parto. Tentar descrever aqueles sentimentos é doloroso e desgastante para quem passa por isso, e inútil para quem nunca passou. Só se aprende vivendo. Vivendo e aprendendo. E tudo é aprendizado. Rezei até encontrar o novelo que me conduziria ao fim do labirinto escuro do luto, onde encontrei a gratidão. Nunca eu me senti tão sozinha- e nunca me foi tão óbvio que tenho amigos verdadeiros. Nunca eu me senti tão desamparada - e nunca eu reconheci tanto o apoio recebido. Nunca eu me senti tão fraca e culpada - e nunca havia conhecido tão intensamente a força do perdão.Nunca eu senti tanta dor - e nem conhecera tamanho alívio.
Ao sair do hospital, não estava mais grávida nem carregava um bebê no colo. Mesmo assim, senti o pulsar da nova vida.
Fui eu que renasci.
Não, não consegui tomar nenhuma atitude na hora que não fosse chorar, lamentar, buscar uma culpa que não havia onde encontrar. Acho que nenhuma mãe espera conhecer a dor de perder um filho, nenhuma gestante espera outro momento que não seja o parto. Tentar descrever aqueles sentimentos é doloroso e desgastante para quem passa por isso, e inútil para quem nunca passou. Só se aprende vivendo. Vivendo e aprendendo. E tudo é aprendizado. Rezei até encontrar o novelo que me conduziria ao fim do labirinto escuro do luto, onde encontrei a gratidão. Nunca eu me senti tão sozinha- e nunca me foi tão óbvio que tenho amigos verdadeiros. Nunca eu me senti tão desamparada - e nunca eu reconheci tanto o apoio recebido. Nunca eu me senti tão fraca e culpada - e nunca havia conhecido tão intensamente a força do perdão.Nunca eu senti tanta dor - e nem conhecera tamanho alívio.
Ao sair do hospital, não estava mais grávida nem carregava um bebê no colo. Mesmo assim, senti o pulsar da nova vida.
Fui eu que renasci.
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Update: Balzaquiana
Então, tenho 30 anos. Trinta. Achei que isso ia me assustar, me deprimir (será?) me fazer sentir diferente. Que nada. É engraçado pensar que tenho trinta. Trinta. Trin-ta..! *risos*. Não dá nem pra acreditar, parece que estou falando de outra pessoa.
Cá estou eu, trintona, inegavelmente adulta e mesmo assim...
...Bem, vai ver que é por isso que o destino fez questão de tornar esse ano um divisor absoluto de águas em minha vida. E isso porque 2011 está apenas no início.
Cá estou eu, trintona, inegavelmente adulta e mesmo assim...
...Bem, vai ver que é por isso que o destino fez questão de tornar esse ano um divisor absoluto de águas em minha vida. E isso porque 2011 está apenas no início.
terça-feira, novembro 30, 2010
Xi...vazou!
Tô com medo desse WikiLeaks. Pra quem não conhece, é um site na Internet que divulga documentos militares confidenciais dos EUA e outros países (embora a grande sensação seja o furdunço que esse site faz na vida da diplomacia americana).
Dessa vez, telegramas diplomáticos despachados desde a década de 60, foram expostos no site, causando grande dor-de-cabeça para a Sra. Clinton, já não bastase o peso de uma Monica Lewinsky na testa.
De toda a onda, eis a parte que realmente me interessa "Para EUA, Brasil oculta prisão de terroristas, revela WikiLeaks" notícia publicada no Estadão.com.br
Olha os EUA querendo dar motivo pra invadir nossa praia!
Roubar nosso pré-sal (existe, afinal?), nossa Amazônia, nossa água doce, samba, feijoada...
O Lula era "o cara", e a Dilma, vai ser "a mina" ?
Mina de ouro, né...
Ouro,café, água doce, fauna, flora...Até as bundas no Brasil estão em extinção. Até nossas beldades sonham com carreira internacional. "Fulana é top, foi morar nos States. Casou com gringo..." Ah, sai de mim com esse complexo de Paraguaçu!
Compro um Gurgel a álcool e vou viver de banana, mas por mim, passe bem gringolândia, cuidem dos seus que eu cuido dos meus. Bora treinar direito esse exército e fazer uma campanha patriótica REALISTA, não aquela maluquice de Copa do Mundo...
A gente já tem super-herói, né? Duvido que ia rolar aquela operação toda no Rio se o moral das tropas não estivesse lá em cima. E, quem além do Capitão Nascimento pra botar a população aplaudindo e gritando "Caveira neles!" pelos blogsflogslogs da vida?
Foi só mostrar que o mocinho pode ser tão ousado quanto o bandido, sentar e chorar não tá com nada. Capitão Nascimento é o antônimo de Profeta Gentileza. Truculência gera truculência. Até a palavra é truculenta de se dizer!Pára o mundo que eu quero desceeeeeeeeeeeeeer..!!
É, John... a gente tá dizendo, mas ninguém tá ouvindo. :P
Dessa vez, telegramas diplomáticos despachados desde a década de 60, foram expostos no site, causando grande dor-de-cabeça para a Sra. Clinton, já não bastase o peso de uma Monica Lewinsky na testa.
De toda a onda, eis a parte que realmente me interessa "Para EUA, Brasil oculta prisão de terroristas, revela WikiLeaks" notícia publicada no Estadão.com.br
Olha os EUA querendo dar motivo pra invadir nossa praia!
Roubar nosso pré-sal (existe, afinal?), nossa Amazônia, nossa água doce, samba, feijoada...
O Lula era "o cara", e a Dilma, vai ser "a mina" ?
Mina de ouro, né...
Ouro,café, água doce, fauna, flora...Até as bundas no Brasil estão em extinção. Até nossas beldades sonham com carreira internacional. "Fulana é top, foi morar nos States. Casou com gringo..." Ah, sai de mim com esse complexo de Paraguaçu!
Compro um Gurgel a álcool e vou viver de banana, mas por mim, passe bem gringolândia, cuidem dos seus que eu cuido dos meus. Bora treinar direito esse exército e fazer uma campanha patriótica REALISTA, não aquela maluquice de Copa do Mundo...
A gente já tem super-herói, né? Duvido que ia rolar aquela operação toda no Rio se o moral das tropas não estivesse lá em cima. E, quem além do Capitão Nascimento pra botar a população aplaudindo e gritando "Caveira neles!" pelos blogsflogslogs da vida?
Foi só mostrar que o mocinho pode ser tão ousado quanto o bandido, sentar e chorar não tá com nada. Capitão Nascimento é o antônimo de Profeta Gentileza. Truculência gera truculência. Até a palavra é truculenta de se dizer!Pára o mundo que eu quero desceeeeeeeeeeeeeer..!!
É, John... a gente tá dizendo, mas ninguém tá ouvindo. :P
sábado, novembro 27, 2010
Caos e efeito
É incrível isso que está acontecendo no Rio. Quer dizer, eu é que não quero acreditar. O mais difícil é pensar que, no ponto em que chegamos, a ação massiva de coação ao poder paralelo deve ser considerada uma coisa boa. Uma espécie de "dia do juízo" para os demônios e anjos caídos do tráfico.
Acho que só posso imaginar como é ser um desses agentes, viver uma guerra dessas, só eles sabem pelo quê estão lutando, dispostos a arriscar a própria vida e a de tantos outros, culpados ou inocentes...Acho que só posso imaginar como é ser uma dessas pessoas de bem que descem o morro com filho no colo, mãe idosa, irmã grávida, gente que já trabalha muito e sofre demais, e agora não pode sequer ficar no próprio cantinho, desce pro asfalto sem ter pra onde ir, mas a gente se vira, o negócio é ficar vivo.
Penso naquele senhor meio desdentado, 80 anos, que mora no morro desde que era um subúrbio lindo, cheio de colinas e nascentes. Ele está otimista, mesmo tendo que dormir na rua com a filha, o neto e a companheira, acha que quando voltar para casa, o morro terá mudado para melhor. Sua filha nada responde, mas ela não concorda com o pai. Nasceu e pariu em meio a realidade violenta do tráfico. Ali não tem polícia, nem tanque que resolva. Ali, só Deus.
Não é de adimirar que o Brasil tenha elegido para herói o lendário Capitão Nascimento. As palmas no cinema são a mais legítima manifestação de que o povo está tão cansado da situação, que já justifica a violência.
É, Brasil, nem todos somos culpados. Mas todos pagamos caro, de um jeito, ou de outro...
Acho que só posso imaginar como é ser um desses agentes, viver uma guerra dessas, só eles sabem pelo quê estão lutando, dispostos a arriscar a própria vida e a de tantos outros, culpados ou inocentes...Acho que só posso imaginar como é ser uma dessas pessoas de bem que descem o morro com filho no colo, mãe idosa, irmã grávida, gente que já trabalha muito e sofre demais, e agora não pode sequer ficar no próprio cantinho, desce pro asfalto sem ter pra onde ir, mas a gente se vira, o negócio é ficar vivo.
Penso naquele senhor meio desdentado, 80 anos, que mora no morro desde que era um subúrbio lindo, cheio de colinas e nascentes. Ele está otimista, mesmo tendo que dormir na rua com a filha, o neto e a companheira, acha que quando voltar para casa, o morro terá mudado para melhor. Sua filha nada responde, mas ela não concorda com o pai. Nasceu e pariu em meio a realidade violenta do tráfico. Ali não tem polícia, nem tanque que resolva. Ali, só Deus.
Não é de adimirar que o Brasil tenha elegido para herói o lendário Capitão Nascimento. As palmas no cinema são a mais legítima manifestação de que o povo está tão cansado da situação, que já justifica a violência.
É, Brasil, nem todos somos culpados. Mas todos pagamos caro, de um jeito, ou de outro...
"Abre a janela da favela...você vai ver a beleza que tem dentro dela..." Ponto de Equilíbrio
O documentário Meninas , sobre a dimensão do problema da gravidez na puberdade através da vida de meninas pobres e muito jovens -13,14,15 anos - moradoras do Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro.
A delicadeza e originalidade da abordagem, respeitando o ponto de vista delas,um tanto romântico e infantilizado. A última cena traz um epílogo chocante, contrastando com o clima leve de todo o filme, tamanha a ternura com que a diretora tratou o assunto. Mesmo dentro de uma situação tão controversa quanto a dessas meninas-mães, ainda há momentos de grande beleza e emoção no filme.
Mas, não acreditem no que digo: assistam!
A delicadeza e originalidade da abordagem, respeitando o ponto de vista delas,um tanto romântico e infantilizado. A última cena traz um epílogo chocante, contrastando com o clima leve de todo o filme, tamanha a ternura com que a diretora tratou o assunto. Mesmo dentro de uma situação tão controversa quanto a dessas meninas-mães, ainda há momentos de grande beleza e emoção no filme.
Mas, não acreditem no que digo: assistam!
quarta-feira, novembro 24, 2010
Rosa McCartney e o Ninho de Mafagafos
São seis da manhã em São Paulo, a garoa se espalha no chão. Sabemos que a escolha da companhia aérea é uma decisão do cliente, mas ficar esperando bagagem dar a volta na esteira, ninguém merece.
Pisei em solo paulista ainda na pista - e por mais que rime, não seria verdadeiro expôr de outra forma. A mágica e misteriosa viagem através do Brasil foi concluída com êxito. Thank you leis da aerodinâmica!
Agora, a mágica misteriosa viagem através da cidade. São Paulo, minha São Paulo, my Saint Paul, Paul McCartney! Cada ônibus era um submarino amarelo e todos os cruzamentos se tornaram Abbey Road. Dá pra ir a pé da casa da minha mãe ao hotel onde Sir Paul se hospedou. "Alô,seu Beatle! Somos vizinhos!"
Chove chuva, chove sem parar...Upa! Sem Parar, aquele chocolate? Ah, se fosse assim, deixa chover..! Mas eu me sinto uma tremenda idiota enrolada nessa capa de chuva que mais parece um saco de lixo. E, quer saber? Tô toda molhada. Não adiantou piscirocas.
Não tem grana nem chuva que pague ir ao show de um Beatle com seus pais. Meus pais detestam futebol. São espiritualizados, mas não religiosos. Não freqüentam clubes, restaurantes nem trabalham em empresas afeitas á confraternizações. Negócio deles é (muito) poucos e (muito) bons shows. Meu irmão foi praticamente no colo para o primeiro show do Paul McCartney no Brasil. Eu voltei rouca e dolorida pra espalhar a novidade na escola.
Dessa vez não teve escola. Dormi até as 15h. Ainda bem que terminei o colégio em 1998.
Tudo bem in the rain, 64 mil pessoas no estádio e meu tio consegue ver lá da pista a minha lanterna diferente. Ser esquisito é legal quando se precisa de um destaque no meio de mais de 60 mil pessoas...
Showzaço. Somzaço. Pernadaço até achar um táxi livre. E preçaralho, claro. Por aquela quantia, dava pra alugar uma limusine numa segunda-feira qualquer.
Peraê, era segunda, mas não era qualquer.
Era a segunda apresentação do Paul!
Apresentação de primeira, inclusive. Babem, cariocas, mas o Paul ama os paulistas, que têm Paul até no nome..!
Essa doeu.
Pisei em solo paulista ainda na pista - e por mais que rime, não seria verdadeiro expôr de outra forma. A mágica e misteriosa viagem através do Brasil foi concluída com êxito. Thank you leis da aerodinâmica!
Agora, a mágica misteriosa viagem através da cidade. São Paulo, minha São Paulo, my Saint Paul, Paul McCartney! Cada ônibus era um submarino amarelo e todos os cruzamentos se tornaram Abbey Road. Dá pra ir a pé da casa da minha mãe ao hotel onde Sir Paul se hospedou. "Alô,seu Beatle! Somos vizinhos!"
Chove chuva, chove sem parar...Upa! Sem Parar, aquele chocolate? Ah, se fosse assim, deixa chover..! Mas eu me sinto uma tremenda idiota enrolada nessa capa de chuva que mais parece um saco de lixo. E, quer saber? Tô toda molhada. Não adiantou piscirocas.
Não tem grana nem chuva que pague ir ao show de um Beatle com seus pais. Meus pais detestam futebol. São espiritualizados, mas não religiosos. Não freqüentam clubes, restaurantes nem trabalham em empresas afeitas á confraternizações. Negócio deles é (muito) poucos e (muito) bons shows. Meu irmão foi praticamente no colo para o primeiro show do Paul McCartney no Brasil. Eu voltei rouca e dolorida pra espalhar a novidade na escola.
Dessa vez não teve escola. Dormi até as 15h. Ainda bem que terminei o colégio em 1998.
Tudo bem in the rain, 64 mil pessoas no estádio e meu tio consegue ver lá da pista a minha lanterna diferente. Ser esquisito é legal quando se precisa de um destaque no meio de mais de 60 mil pessoas...
Showzaço. Somzaço. Pernadaço até achar um táxi livre. E preçaralho, claro. Por aquela quantia, dava pra alugar uma limusine numa segunda-feira qualquer.
Peraê, era segunda, mas não era qualquer.
Era a segunda apresentação do Paul!
Apresentação de primeira, inclusive. Babem, cariocas, mas o Paul ama os paulistas, que têm Paul até no nome..!
Essa doeu.
quinta-feira, setembro 02, 2010
Hipocrisia social
O que mais me deixa puta em ter "crescido" é entender o que significa TER de aceitar certas normas de conduta social. Pois é,nem precisei chegar aos 30 pra entender que rebeldia adolescente é puro luxo, acreditem meus caros amigos de 16 anos:o mundo lá fora é canibal e sua dieta básica é composta de autores de frases como "Eu nunca aceitaria uma coisa dessas!". Crescer é condescender com muita coisa, em nome de outras tantas, que nem passariam pela sua cabeça ocupada em sonhar com o bonitão da classe ou a carteira de motorista.
Por exemplo, este blog. Eu já fui uma blogueira de relativo sucesso, sabe? Isso quando eu não tava nem aí com o que os outros pensavam de mim. Muito menos em como iria afetar minha imagem respeitável de senhora casada e mãe, ou até minha carreira profissional. Hoje é isso: em nome da moral, dos bons costumes e de todas aquelas coisas que eu já contestei, tenho que aparar as arestas da minha personalidade quando uso meu nome em público. (curtiram o "quando uso meu nome..", né?;P)
Enfim, percebi que essa hipocrisia toda também tolheu minha criatividade. Quando leio esse blog,ás vezes tenho vergonha do que escrevo. Pô, cada post chato ue eu vou te contar! Aliás, já contei; é só ler pra crer.
Se eu fosse postar aqui tudo o que se passa pela minha cabeça, também, iam me tachar de maluca. Eu não posso mais me dar o luxo de receber hate mail. Imagina que chato? A gente não questiona nada quando alguém te odeia por ser o que é. Mas é muito chato ser censurada quando tentamos mostrar o melhor da gente.
É foda quando o melhor da gente é ser a gente mesma quando se é meio doido por dentro.
Por exemplo, este blog. Eu já fui uma blogueira de relativo sucesso, sabe? Isso quando eu não tava nem aí com o que os outros pensavam de mim. Muito menos em como iria afetar minha imagem respeitável de senhora casada e mãe, ou até minha carreira profissional. Hoje é isso: em nome da moral, dos bons costumes e de todas aquelas coisas que eu já contestei, tenho que aparar as arestas da minha personalidade quando uso meu nome em público. (curtiram o "quando uso meu nome..", né?;P)
Enfim, percebi que essa hipocrisia toda também tolheu minha criatividade. Quando leio esse blog,ás vezes tenho vergonha do que escrevo. Pô, cada post chato ue eu vou te contar! Aliás, já contei; é só ler pra crer.
Se eu fosse postar aqui tudo o que se passa pela minha cabeça, também, iam me tachar de maluca. Eu não posso mais me dar o luxo de receber hate mail. Imagina que chato? A gente não questiona nada quando alguém te odeia por ser o que é. Mas é muito chato ser censurada quando tentamos mostrar o melhor da gente.
É foda quando o melhor da gente é ser a gente mesma quando se é meio doido por dentro.
segunda-feira, agosto 30, 2010
segunda-feira, agosto 23, 2010
Delírios a 37º C
Estou com febre, acho que tô gripada de novo. Esse inverno me derrubou: definitivamente, eu desacostumei do frio de Sampa. Eu não gosto muito de frio, a não ser que possa ficar em casa, só enrolada no cobertor, na frente da lareira, assistindo a um monte de filmes legais. É a única coisa que gosto de fazer no frio, então, acho que posso me contentar em fazer isso só de vez em quando, ao invés de deixar de fazer coisas tão importantes quanto, que é andar pela calça descalça, num vestido de uma peça só, e achar legal quando espirrar água na nossa roupa. Sei que o clima é um fator determinante para a vida das espécies, e que não cabe a nós gostar ou não disso, mas... me adapto mais facilmente a climas quentes. Sou uma espécie de humana fotossintética ou algo parecido. Vai ver que é por isso que meu cabelo fica verde ás vezes.
*Não, não precisa chamar o 192, não, eu não tô delirando, sou maluca assim mesmo.*
Só que aqui em SP já é um frio bissurdo (bissurdo= que faz doer e tampar os dois ouvidos). E ainda essa febre a me gelar por dentro. Ótimo. Se não baixar já-ja, vou ter de tomar um banho morno. E vocês podem prever que, a derradeira coisa que eu desejo agora, é um banho morno.
Ainda mais que o chuveiro não tem box nem cortina. Vai vendo.
Bom, estou com os sintomas clássicos: nariz entupido, dores no corpo, febre baixa e sem-vergonha. Calma, não é H1N1. Deve ser esses resfriados bestas de entrar e sair de dentro dos lugares aquecidos para o frio extremo do sereno de Sampa. A gravidade dessa gripe depende muito da agenda do gripado: se ele tinha um compromisso social importante, por exemplo. Ou algo inadiável. Aí é uma porcaria. Mas, se o trabalhador é do tipo folgado e conseguiu uma desculpa para pegar um atestado e ficar em casa coçando o pé: maravilha!! Não precisa nem fingir. A parte ruim é que você provavelmente vai estar podre demais para aproveitar a folga extra. Mas ficar em casa também pode revelar grandes prazeres...
...como a cadeira de balanço, a lareira, o cobertor... e o ócio.
Já sei porque dizem que o inferno é quente. No frio a gente se sente tão mal que não dá vontade nem de pecar. (essa eu posto no twitter, pra reafirmar minha teoria. Pode ver que os países escandinavos têm índice de criminalidade muito menor que nos países tropicais. Isso é porque o frio não dá vontade fazer NADA a não ser sentir calor!! Por quê acham que os finlandeses amam sauna? Porque é tão frio, mas tão frio lá fora, que inventaram um jeito de poderem ficar lá.. só curtindo o suor pingando...
Se não fosse na sauna, finlandês suaria? (essa é outra pérola tuitável)
Paulista é viciado em trabalho. Seja calor ou frio (e geralmente é frio..!), tá sempre trabalhando. Já que o clima é uma porcaria e não dá pra curtir uma praia, melhor trabalhar que nem um doido pra poder comprar uma casa de praia no Rio... porque lá o clima é show, só tem gente bronzeada e a praia é logo ali...
aí, maluco trabalha, trabalha, trabalha... sobre na vida e no andar do escritório, sobr pra cobertura dos prédios no alto do Campo Belo, sobre na encosta do morro onde ele comprou sua casa de praia- a qual nunca tem tempo de freqüentar, porque está sempre trabalhando.
Aí chega o carioca... o carioca mora num barraco sem-vergonha no morro, mas acorda todo dia com a vista mais linda que o melhor 5 estrelas da cidade. Praia, marzão, tudo isso de graça, é sol e calor na maior parte do ano, gastar com roupa de frio pra quê? Dá pra fazer bico, vender sanduíche, bugiganga.. ou roubar aqueles gringos idiotas que vivem dando bobeira no calçadão. Ou não, menino até sonha em ser médico, advogado... mas pra fazer faculdade precisa de dinheiro, e dinheiro o tráfico dá. Não deixa de ser uma espécie de primeira opção. Bom, não estou aqui pra julgar nem promover uma discussão ética e filosófica sobre a criminalidade, o fato é esse: Se você não consegue se dar bem "no asfalto" porque falta diploma, currículo, documentação, etc... Não interessa: o tráfico é emprego fácil e garantido. E alguns ainda vêem vantagem em obter maior acesso ás drogas. É muito fácil sustentar um vício assim. Alguns são conscientes de que trabalham por e pela droga.Acho que esse é o tipo mais triste de se conhecer.
Ou seja, revisitando a eterna questão " se-o-Rio-é-mais-violento-que-SP", proponho a seguinte teoria: não é uma questão de violência, talvez seja uma questão de.. tráfico. *risos*. Lá tem mais traficante, mais drogas...
Ah, deixa eu parar com isso.. ninguém vai entender e os cariocas vão ficar chateados...Com razão, eu fico pê da vida quando um carioca fala qualquer coisa sobre SP que não seja boa...mas poxa, aceitemos a realidade: não dá pra comparar as duas metrópoles de forma tão generalizada. São duas realidades diferentes, óbvio que isso criaria dois tipos de pessoas...praticamente :)
*Não, não precisa chamar o 192, não, eu não tô delirando, sou maluca assim mesmo.*
Só que aqui em SP já é um frio bissurdo (bissurdo= que faz doer e tampar os dois ouvidos). E ainda essa febre a me gelar por dentro. Ótimo. Se não baixar já-ja, vou ter de tomar um banho morno. E vocês podem prever que, a derradeira coisa que eu desejo agora, é um banho morno.
Ainda mais que o chuveiro não tem box nem cortina. Vai vendo.
Bom, estou com os sintomas clássicos: nariz entupido, dores no corpo, febre baixa e sem-vergonha. Calma, não é H1N1. Deve ser esses resfriados bestas de entrar e sair de dentro dos lugares aquecidos para o frio extremo do sereno de Sampa. A gravidade dessa gripe depende muito da agenda do gripado: se ele tinha um compromisso social importante, por exemplo. Ou algo inadiável. Aí é uma porcaria. Mas, se o trabalhador é do tipo folgado e conseguiu uma desculpa para pegar um atestado e ficar em casa coçando o pé: maravilha!! Não precisa nem fingir. A parte ruim é que você provavelmente vai estar podre demais para aproveitar a folga extra. Mas ficar em casa também pode revelar grandes prazeres...
...como a cadeira de balanço, a lareira, o cobertor... e o ócio.
Já sei porque dizem que o inferno é quente. No frio a gente se sente tão mal que não dá vontade nem de pecar. (essa eu posto no twitter, pra reafirmar minha teoria. Pode ver que os países escandinavos têm índice de criminalidade muito menor que nos países tropicais. Isso é porque o frio não dá vontade fazer NADA a não ser sentir calor!! Por quê acham que os finlandeses amam sauna? Porque é tão frio, mas tão frio lá fora, que inventaram um jeito de poderem ficar lá.. só curtindo o suor pingando...
Se não fosse na sauna, finlandês suaria? (essa é outra pérola tuitável)
Paulista é viciado em trabalho. Seja calor ou frio (e geralmente é frio..!), tá sempre trabalhando. Já que o clima é uma porcaria e não dá pra curtir uma praia, melhor trabalhar que nem um doido pra poder comprar uma casa de praia no Rio... porque lá o clima é show, só tem gente bronzeada e a praia é logo ali...
aí, maluco trabalha, trabalha, trabalha... sobre na vida e no andar do escritório, sobr pra cobertura dos prédios no alto do Campo Belo, sobre na encosta do morro onde ele comprou sua casa de praia- a qual nunca tem tempo de freqüentar, porque está sempre trabalhando.
Aí chega o carioca... o carioca mora num barraco sem-vergonha no morro, mas acorda todo dia com a vista mais linda que o melhor 5 estrelas da cidade. Praia, marzão, tudo isso de graça, é sol e calor na maior parte do ano, gastar com roupa de frio pra quê? Dá pra fazer bico, vender sanduíche, bugiganga.. ou roubar aqueles gringos idiotas que vivem dando bobeira no calçadão. Ou não, menino até sonha em ser médico, advogado... mas pra fazer faculdade precisa de dinheiro, e dinheiro o tráfico dá. Não deixa de ser uma espécie de primeira opção. Bom, não estou aqui pra julgar nem promover uma discussão ética e filosófica sobre a criminalidade, o fato é esse: Se você não consegue se dar bem "no asfalto" porque falta diploma, currículo, documentação, etc... Não interessa: o tráfico é emprego fácil e garantido. E alguns ainda vêem vantagem em obter maior acesso ás drogas. É muito fácil sustentar um vício assim. Alguns são conscientes de que trabalham por e pela droga.Acho que esse é o tipo mais triste de se conhecer.
Ou seja, revisitando a eterna questão " se-o-Rio-é-mais-violento-que-SP", proponho a seguinte teoria: não é uma questão de violência, talvez seja uma questão de.. tráfico. *risos*. Lá tem mais traficante, mais drogas...
Ah, deixa eu parar com isso.. ninguém vai entender e os cariocas vão ficar chateados...Com razão, eu fico pê da vida quando um carioca fala qualquer coisa sobre SP que não seja boa...mas poxa, aceitemos a realidade: não dá pra comparar as duas metrópoles de forma tão generalizada. São duas realidades diferentes, óbvio que isso criaria dois tipos de pessoas...praticamente :)
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