terça-feira, novembro 30, 2010

Xi...vazou!

Tô com medo desse WikiLeaks. Pra quem não conhece, é um site na Internet que divulga documentos militares confidenciais dos EUA e outros países (embora a grande sensação seja o furdunço que esse site faz na vida da diplomacia americana).

Dessa vez, telegramas diplomáticos despachados desde a década de 60, foram expostos no site, causando grande dor-de-cabeça para a Sra. Clinton, já não bastase o peso de uma Monica Lewinsky na testa.

De toda a onda, eis a parte que realmente me interessa "Para EUA, Brasil oculta prisão de terroristas, revela WikiLeaks" notícia publicada no Estadão.com.br

Olha os EUA querendo dar motivo pra invadir nossa praia!
Roubar nosso pré-sal (existe, afinal?), nossa Amazônia, nossa água doce, samba, feijoada...

O Lula era "o cara", e a Dilma, vai ser "a mina" ?

Mina de ouro, né...

Ouro,café, água doce, fauna, flora...Até as bundas no Brasil estão em extinção. Até nossas beldades sonham com carreira internacional. "Fulana é top, foi morar nos States. Casou com gringo..." Ah, sai de mim com esse complexo de Paraguaçu!

Compro um Gurgel a álcool e vou viver de banana, mas por mim, passe bem gringolândia, cuidem dos seus que eu cuido dos meus. Bora treinar direito esse exército e fazer uma campanha patriótica REALISTA, não aquela maluquice de Copa do Mundo...

A gente já tem super-herói, né? Duvido que ia rolar aquela operação toda no Rio se o moral das tropas não estivesse lá em cima. E, quem além do Capitão Nascimento pra botar a população aplaudindo e gritando "Caveira neles!" pelos blogsflogslogs da vida?

Foi só mostrar que o mocinho pode ser tão ousado quanto o bandido, sentar e chorar não tá com nada. Capitão Nascimento é o antônimo de Profeta Gentileza. Truculência gera truculência. Até a palavra é truculenta de se dizer!Pára o mundo que eu quero desceeeeeeeeeeeeeer..!!

É, John... a gente tá dizendo, mas ninguém tá ouvindo. :P

sábado, novembro 27, 2010

Caos e efeito

É incrível isso que está acontecendo no Rio. Quer dizer, eu é que não quero acreditar. O mais difícil é pensar que, no ponto em que chegamos, a ação massiva de coação ao poder paralelo deve ser considerada uma coisa boa. Uma espécie de "dia do juízo" para os demônios e anjos caídos do tráfico.

Acho que só posso imaginar como é ser um desses agentes, viver uma guerra dessas, só eles sabem pelo quê estão lutando, dispostos a arriscar a própria vida e a de tantos outros, culpados ou inocentes...Acho que só posso imaginar como é ser uma dessas pessoas de bem que descem o morro com filho no colo, mãe idosa, irmã grávida, gente que já trabalha muito e sofre demais, e agora não pode sequer ficar no próprio cantinho, desce pro asfalto sem ter pra onde ir, mas a gente se vira, o negócio é ficar vivo.

Penso naquele senhor meio desdentado, 80 anos, que mora no morro desde que era um subúrbio lindo, cheio de colinas e nascentes. Ele está otimista, mesmo tendo que dormir na rua com a filha, o neto e a companheira, acha que quando voltar para casa, o morro terá mudado para melhor. Sua filha nada responde, mas ela não concorda com o pai. Nasceu e pariu em meio a realidade violenta do tráfico. Ali não tem polícia, nem tanque que resolva. Ali, só Deus.

Não é de adimirar que o Brasil tenha elegido para herói o lendário Capitão Nascimento. As palmas no cinema são a mais legítima manifestação de que o povo está tão cansado da situação, que já justifica a violência.

É, Brasil, nem todos somos culpados. Mas todos pagamos caro, de um jeito, ou de outro...

"Abre a janela da favela...você vai ver a beleza que tem dentro dela..." Ponto de Equilíbrio

O documentário Meninas , sobre a dimensão do problema da gravidez na puberdade através da vida de meninas pobres e muito jovens -13,14,15 anos - moradoras do Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro.

A delicadeza e originalidade da abordagem, respeitando o ponto de vista delas,um tanto romântico e infantilizado. A última cena traz um epílogo chocante, contrastando com o clima leve de todo o filme, tamanha a ternura com que a diretora tratou o assunto. Mesmo dentro de uma situação tão controversa quanto a dessas meninas-mães, ainda há momentos de grande beleza e emoção no filme.

Mas, não acreditem no que digo: assistam!

quarta-feira, novembro 24, 2010

Rosa McCartney e o Ninho de Mafagafos

São seis da manhã em São Paulo, a garoa se espalha no chão. Sabemos que a escolha da companhia aérea é uma decisão do cliente, mas ficar esperando bagagem dar a volta na esteira, ninguém merece.

Pisei em solo paulista ainda na pista - e por mais que rime, não seria verdadeiro expôr de outra forma. A mágica e misteriosa viagem através do Brasil foi concluída com êxito. Thank you leis da aerodinâmica!

Agora, a mágica misteriosa viagem através da cidade. São Paulo, minha São Paulo, my Saint Paul, Paul McCartney! Cada ônibus era um submarino amarelo e todos os cruzamentos se tornaram Abbey Road. Dá pra ir a pé da casa da minha mãe ao hotel onde Sir Paul se hospedou. "Alô,seu Beatle! Somos vizinhos!"

Chove chuva, chove sem parar...Upa! Sem Parar, aquele chocolate? Ah, se fosse assim, deixa chover..! Mas eu me sinto uma tremenda idiota enrolada nessa capa de chuva que mais parece um saco de lixo. E, quer saber? Tô toda molhada. Não adiantou piscirocas.

Não tem grana nem chuva que pague ir ao show de um Beatle com seus pais. Meus pais detestam futebol. São espiritualizados, mas não religiosos. Não freqüentam clubes, restaurantes nem trabalham em empresas afeitas á confraternizações. Negócio deles é (muito) poucos e (muito) bons shows. Meu irmão foi praticamente no colo para o primeiro show do Paul McCartney no Brasil. Eu voltei rouca e dolorida pra espalhar a novidade na escola.

Dessa vez não teve escola. Dormi até as 15h. Ainda bem que terminei o colégio em 1998.

Tudo bem in the rain, 64 mil pessoas no estádio e meu tio consegue ver lá da pista a minha lanterna diferente. Ser esquisito é legal quando se precisa de um destaque no meio de mais de 60 mil pessoas...

Showzaço. Somzaço. Pernadaço até achar um táxi livre. E preçaralho, claro. Por aquela quantia, dava pra alugar uma limusine numa segunda-feira qualquer.

Peraê, era segunda, mas não era qualquer.

Era a segunda apresentação do Paul!

Apresentação de primeira, inclusive. Babem, cariocas, mas o Paul ama os paulistas, que têm Paul até no nome..!

Essa doeu.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Hipocrisia social

O que mais me deixa puta em ter "crescido" é entender o que significa TER de aceitar certas normas de conduta social. Pois é,nem precisei chegar aos 30 pra entender que rebeldia adolescente é puro luxo, acreditem meus caros amigos de 16 anos:o mundo lá fora é canibal e sua dieta básica é composta de autores de frases como "Eu nunca aceitaria uma coisa dessas!". Crescer é condescender com muita coisa, em nome de outras tantas, que nem passariam pela sua cabeça ocupada em sonhar com o bonitão da classe ou a carteira de motorista.

Por exemplo, este blog. Eu já fui uma blogueira de relativo sucesso, sabe? Isso quando eu não tava nem aí com o que os outros pensavam de mim. Muito menos em como iria afetar minha imagem respeitável de senhora casada e mãe, ou até minha carreira profissional. Hoje é isso: em nome da moral, dos bons costumes e de todas aquelas coisas que eu já contestei, tenho que aparar as arestas da minha personalidade quando uso meu nome em público. (curtiram o "quando uso meu nome..", né?;P)

Enfim, percebi que essa hipocrisia toda também tolheu minha criatividade. Quando leio esse blog,ás vezes tenho vergonha do que escrevo. Pô, cada post chato ue eu vou te contar! Aliás, já contei; é só ler pra crer.

Se eu fosse postar aqui tudo o que se passa pela minha cabeça, também, iam me tachar de maluca. Eu não posso mais me dar o luxo de receber hate mail. Imagina que chato? A gente não questiona nada quando alguém te odeia por ser o que é. Mas é muito chato ser censurada quando tentamos mostrar o melhor da gente.

É foda quando o melhor da gente é ser a gente mesma quando se é meio doido por dentro.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Relatório #23

De boa? Esse planeta é coisa de maluco. Cada dia mais eu acho engraçado viver aqui.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Delírios a 37º C

Estou com febre, acho que tô gripada de novo. Esse inverno me derrubou: definitivamente, eu desacostumei do frio de Sampa. Eu não gosto muito de frio, a não ser que possa ficar em casa, só enrolada no cobertor, na frente da lareira, assistindo a um monte de filmes legais. É a única coisa que gosto de fazer no frio, então, acho que posso me contentar em fazer isso só de vez em quando, ao invés de deixar de fazer coisas tão importantes quanto, que é andar pela calça descalça, num vestido de uma peça só, e achar legal quando espirrar água na nossa roupa. Sei que o clima é um fator determinante para a vida das espécies, e que não cabe a nós gostar ou não disso, mas... me adapto mais facilmente a climas quentes. Sou uma espécie de humana fotossintética ou algo parecido. Vai ver que é por isso que meu cabelo fica verde ás vezes.

*Não, não precisa chamar o 192, não, eu não tô delirando, sou maluca assim mesmo.*

Só que aqui em SP já é um frio bissurdo (bissurdo= que faz doer e tampar os dois ouvidos). E ainda essa febre a me gelar por dentro. Ótimo. Se não baixar já-ja, vou ter de tomar um banho morno. E vocês podem prever que, a derradeira coisa que eu desejo agora, é um banho morno.

Ainda mais que o chuveiro não tem box nem cortina. Vai vendo.

Bom, estou com os sintomas clássicos: nariz entupido, dores no corpo, febre baixa e sem-vergonha. Calma, não é H1N1. Deve ser esses resfriados bestas de entrar e sair de dentro dos lugares aquecidos para o frio extremo do sereno de Sampa. A gravidade dessa gripe depende muito da agenda do gripado: se ele tinha um compromisso social importante, por exemplo. Ou algo inadiável. Aí é uma porcaria. Mas, se o trabalhador é do tipo folgado e conseguiu uma desculpa para pegar um atestado e ficar em casa coçando o pé: maravilha!! Não precisa nem fingir. A parte ruim é que você provavelmente vai estar podre demais para aproveitar a folga extra. Mas ficar em casa também pode revelar grandes prazeres...

...como a cadeira de balanço, a lareira, o cobertor... e o ócio.

Já sei porque dizem que o inferno é quente. No frio a gente se sente tão mal que não dá vontade nem de pecar. (essa eu posto no twitter, pra reafirmar minha teoria. Pode ver que os países escandinavos têm índice de criminalidade muito menor que nos países tropicais. Isso é porque o frio não dá vontade fazer NADA a não ser sentir calor!! Por quê acham que os finlandeses amam sauna? Porque é tão frio, mas tão frio lá fora, que inventaram um jeito de poderem ficar lá.. só curtindo o suor pingando...

Se não fosse na sauna, finlandês suaria? (essa é outra pérola tuitável)

Paulista é viciado em trabalho. Seja calor ou frio (e geralmente é frio..!), tá sempre trabalhando. Já que o clima é uma porcaria e não dá pra curtir uma praia, melhor trabalhar que nem um doido pra poder comprar uma casa de praia no Rio... porque lá o clima é show, só tem gente bronzeada e a praia é logo ali...

aí, maluco trabalha, trabalha, trabalha... sobre na vida e no andar do escritório, sobr pra cobertura dos prédios no alto do Campo Belo, sobre na encosta do morro onde ele comprou sua casa de praia- a qual nunca tem tempo de freqüentar, porque está sempre trabalhando.
Aí chega o carioca... o carioca mora num barraco sem-vergonha no morro, mas acorda todo dia com a vista mais linda que o melhor 5 estrelas da cidade. Praia, marzão, tudo isso de graça, é sol e calor na maior parte do ano, gastar com roupa de frio pra quê? Dá pra fazer bico, vender sanduíche, bugiganga.. ou roubar aqueles gringos idiotas que vivem dando bobeira no calçadão. Ou não, menino até sonha em ser médico, advogado... mas pra fazer faculdade precisa de dinheiro, e dinheiro o tráfico dá. Não deixa de ser uma espécie de primeira opção. Bom, não estou aqui pra julgar nem promover uma discussão ética e filosófica sobre a criminalidade, o fato é esse: Se você não consegue se dar bem "no asfalto" porque falta diploma, currículo, documentação, etc... Não interessa: o tráfico é emprego fácil e garantido. E alguns ainda vêem vantagem em obter maior acesso ás drogas. É muito fácil sustentar um vício assim. Alguns são conscientes de que trabalham por e pela droga.Acho que esse é o tipo mais triste de se conhecer.

Ou seja, revisitando a eterna questão " se-o-Rio-é-mais-violento-que-SP", proponho a seguinte teoria: não é uma questão de violência, talvez seja uma questão de.. tráfico. *risos*. Lá tem mais traficante, mais drogas...

Ah, deixa eu parar com isso.. ninguém vai entender e os cariocas vão ficar chateados...Com razão, eu fico pê da vida quando um carioca fala qualquer coisa sobre SP que não seja boa...mas poxa, aceitemos a realidade: não dá pra comparar as duas metrópoles de forma tão generalizada. São duas realidades diferentes, óbvio que isso criaria dois tipos de pessoas...praticamente :)

quarta-feira, agosto 04, 2010

Banheiro virtual

Quer saber? Blog é legal. Dá pra escrever qualquer coisa. É como a latrina do pensamento: eu venho aqui, despejo toda a m... que tenho na cabeça e clico em "publicar postagem" . É como se fosse a descarga.

Ensaio sobre a viseira

Ok, cá estou eu novamente: felino no colo e nenhuma idéia na cabeça, a escrever pro vazio.
Mas tá tão frio que o negócio é ir mesmo postando e escrevendo qualquer coisa só pra esquentar os dedos.

Estava assistindo "Ensaio Sobre a Cegueira", o filme baseado no maravilhoso livro do Saramago. Aprecio o livro e o filme de formas diferentes. Acho que o filme é uma obra-prima do audiovisual por seus cenários, elenco, fotografia, figurino, atuação, trilha sonora, e por todos os motivos que levam alguém familiarizado com o meio a reconhecer quando uma produção é estruturalmente boa.

O livro é irretocável, e apesar do roteiro do filme ser excelente, não há comparação com a obra original, muito mais intensa e profunda na abordagem do tema. Não é como no filme, em que ainda é possível tentar desviar os olhos das cenas de extrema violência. Nas palavras de Saramago a descrição de todo aquele horror nos torna muito mais do que espectadores. É como se as palavras obrigassem nossa mente não apenas a ilustrar a situação, mas vivenciá-la. É doloroso, e por isso mesmo, genial.

Mas ao final o que fica é uma sensação ruim, pesada, que ao invés de se lavar na chuva redentora, perdura com o desfecho pressuposto da heroína do momento, angustiada pela cegueira após tanto tempo sem fechar os olhos para tudo o que ninguém deveria ver.

É dessa sensação e desse peso que estou tentando me livrar agora, perseguindo a criatividade e pensando em marmotas nos seus buracos. Está um frio picoléico e eu estou com umas 80 blusas, mesmo assim nada me anima a tirar a mão esquerda do bolso. E, se você está estranhando essa afirmação ou é novo aqui ou não me conhece- todo mundo já sabe que eu digito com uma mão só, mas isso é mais motivo de chacota do que habilidade. Anyway, em dias frios como hoje eu saio na vantagem: cinco dedos congelados a menos.

É... relendo esse blog dá pra entender a parca visitação.

quarta-feira, julho 28, 2010

Rascunho

Um passo, uma palavra. O negócio é sair escrevendo. Escrever é caminhar pelo verbo, ir em frente e sempre chegar em algum lugart interesante. Ou não. Passeando por meus jardins de palavras só para olhar as letras florescendo. Gosto disso. Dá uma sensação de paz.
Sempre penso em atualizar isso aqui, mas quanto mais busco um assunto, mais me foge a inspiração. Escrevo como quem anda de bicicleta: uma vez no ritimo, se parar, posso cair. O começo é sempre morro acima, mas na ladeira, solto os pedair para sentir o vento no rosto, a velocidade, o fluxo. Nessas horas, escrever é como voar.
Este é meu ninho, minha flor, meu blog.

segunda-feira, julho 26, 2010

CAMPANHA: DOE UM SORRISO PARA " ALINE" !!







Esta é Aline Fernandes (nome fictício). Uma jovem que, por causa de sua aparência, vive reclusa e recentemente apresentou traços de depressão. A recomendação de especialistas é ar fresco e injeçôes de autoestima regulares, mas seu quadro é tão grave que ela se recusa a sair e desenvolveu rejeiçâo ás injeçôes, o que têm agravado seu problema.
Graças á açôes entre amigos no Twitter e outras redes sociais, já conseguimos arrecadar o bastante para custear a série de cirurgias plásticas, incluindo o transplante de rosto, para esta pobre criatura. Mas venho através dessa campanha, pedir a colaboração de vocês no tratamento a base de SEMANCOL, um poderoso e raro medicamento que, acreditamos ser a única soluçâo para esse caso tão grave.

Sua melhor contribuição é o apoio, o carinho e a solidariedade a Aline. Por favor,enviem suas mensagens positivas para pikenice@gmail.com ou no twitter com a tag #sorriaaline

Doe um sorriso agora mesmo!

quinta-feira, julho 15, 2010

Bem-feito!!

Eu acho o fiofó usar o blog para publicar inimportâncias pessoais e depois reclamar da falta de adeptos. Mas é isso aí, c'est ma vie, e não há nada que eu possa fazer. Sou dona-de-casa, não arqueóloga investigativa.

sexta-feira, julho 09, 2010

VIVA OS BATALHÕES PAULISTAS DO EXÉRCITO CONSTITUCIONALISTA!

Nove de Julho é a luz da Pátria
Data imortal deste berço augusto
Os bandeirantes denodados
Deste São Paulo vanguardeiro e justo

Nove de Julho é a glória do Brasil
Cantado por São Paulo
Sob um lindo céu de anil

Nove de Julho é a luz da Pátria
Data imortal deste berço augusto
Os bandeirantes denodados
Deste São Paulo vanguardeiro e justo

Nove de Julho heróica é bela data
Marco inicial da jornada democrata
Piratininga terra do trabalho
Onde são reis, a enxada e o malho

Seu povo altivo vai espalhando
Amor pela Pátria e vai cantando
Solo querido, terra amorosa
Pátria de bravos, sempre formosa

quinta-feira, julho 08, 2010


A chama do amor cegou meus olhos
Só vejo teu rosto em cada esquina
Tua ausência é como a fome
Seguir tua luz, teu rumo,é minha sina,
Noites perdidas vagando ao luar
Sonhos guardados no fundo do peito
Por quantas vidas irei te buscar?
Estrela do tempo me ensina a esperar
Diz quem resiste a essa paixão
Quente ,indomável,força da vida
Cruzam o espaço,planetas e sois
Vontade e destino, dos deuses e nós!

quarta-feira, julho 07, 2010

SAVANA AOS 18 (2010)

...a maioria dos meninos à minha volta não valia tanto a pena assim.O único que ainda me deixava curiosa pra provar desse fruto era o loirinho da P3.Ah! Com ele eu sou capaz até de sonhar algo bem sujo, bem inconfessável, aquela coisa bem "noir", do cara que chega todo cheio de pose no bar e olha aquela garota com jeito de ordinária, encostada numa mesa de sinuca. Ele olha para ela com um jeito bem sexy e vem se aproximando, fixo no decote dela, que o encara cheia de desejo, e ele pergunta com aquela voz máscula...
-Tem fogo?
-Tenho... só não tenho cigarro!

Seria a desculpa para um beijo agarrado, e a história poderia partir daí para uma censura 18 anos, mas ali, na vida real da escadaria do cursinho, eu estava estática, embasbacada, totalmente imobilizada, mutificada, mumificada, zumbizenta e querendo MORRER de vergonha. Não sabia o que era mais inacreditável: o fato dele ter vindo falar comigo, ou aquela resposta altamente TOSCA que eu havia dado.
- Tá na mão!- ele puxou uma caixinha e me ofereceu cigaros. "Eu..." -comecei a falar, mas desisti. "Eu não fumo", afinal de contas, não era a mesma coisa que "Eu nunca fumei". Eu não perderia essa oportunidade, precisava oferecer esse sacrifício do meu pulmão a alguma coisa que valesse a pena. Conhecer o maior gatinho da Av. Paulista!

Colocamos os cigarros na boca, eu ainda não conseguia parar de sorir.
-Sim, e o fogo?
-Ah, é!

Comecei a revirar a mochila, procurando um "isqueiro". Óbviamente, não encontraria nada- não TINHA nada ali. Comecei a esboçar uma cara de injuriada "mas eu tinha CERTEZA de que estava aqui..!". Enquanto isso, passou um moço fumando, ele pediu o fogo, acendeu. Interrompeu minha "expedição" dentro da enorme mochila e pediu meu cigarro, para acender. Acendeu e me devolveu.
-Obrigada.
-De nada.

Mas ao invés dele virar as costas e ir embora, como a maioria dos alunos já havia ido, ele ficou ali, parado na minha frente. Primeiro eu tive a impressão de que ele estava me desafiando a dar a primeira tragada, como se soubesse que eu nunca havia fumado. Depois vi que ele estava apenas sendo agradável, puxando conversa.

-Fez o simuladão?
-Fiz, mas não peguei meu resultado ainda.
-Nem eu. É só um simulado.
-Mas os melhores lugares ganham prêmios.
-Não acho que estou em lugar de ser premiada.
-Nem eu.
- Vai prestar vestibular para quê?
-Ainda não tenho certeza.
-Nem eu. Olha quanta coisa temos em comum.
-A incerteza é uma coisa estranha de se compartilhar...
-Olhaí, já mostrou talento pra Filosofia.
-Todo maluco acha que é filósofo...

Ficamos ali conversando um tempão e fumando (a certo ponto eu pedi liçenca para ir ao banheiro e comprei um isqueiro, que "achei" na minha bolsa). Descobri muito mais que apenas seu sonhado nome.Quando o sol começou a baixar, é que nos despedimos. Ele me deu três cigarros "pra fumar enquanto esperava o ônibus". Assim que nos perdemos de vista, tirei da bolsa um tubinho de Vitamina C, coloquei a última pastilha no bolso, enfiei os cigarros e o isqueiro no tubinho e meti no outro bolso da calça largona de moletom branco.Coloquei os fones de ouvido, aumentei o volume, e os ruídos da cidade desapareceram sob o meu sonho. O ônibus virou carruagem e levou a princesa de volta a seu castelo, onde foi perdendo não apenas o sapatinho, mas as meias, a blusa, a camiseta, e toda a roupa no caminho até a ducha...
-Minina, não deixa tudo jogado desse jeito! - ralhou Maria, funcionária da casa desde que Savana era bebê.
-Ah, Mariazinha, hoje eu posso, que sou princesa. Acabei de encontrar meu Príncipe Encantado..!
-Ôxi! E ele já sabe disso?
-Tem coisas, Maria, que as pessoas não precisam saber...


********************

- Caraca, o cigarro!
Freei o carro na mesma hora. A Paola quase veio beijar o pára-brisa dianteiro.
-Tem cigarro aqui, sua noiada! - Brunette riu.
-Não, pô, eu esqueci meu cigarro no bolso da calça!E minha mãe vai separar a roupa suja antes de dormir, e vai achar!!- meu desespero se justificava por estar vendo perfeitamente a cena: minha mãe tateando os bolsos da calça, encontrando aquele tubinho de Vitamina C, abrindo para ver se estava vazio e -surpresa!- cai três cigarros e um isqueiro. Panorâmica e sobe, fechando no rosto dela. Vai, vai, no olhar. No olho. Na gota de suor escorrendo pelo canto do olho. E a voz furiosa em off:SAVANAAAAAAAAAAAAAA..!
-Tua mãe não sabe que você fuma?
-Paola, nem EU sei que fumo, esqueceu??
-Tá,tá,tá...Sem desesperoooo...Savana, quer voltar?
-Cê tá maluca que eu vou entrar em casa cheirando à maconha, e com o maior bafo de cachaça!
-Mas você não tava fumando!- testemunha Paola
-Nem bebendo! - emenda Paloma
-Há, há, há...ai, e agora, como eu saio dessa...- comecei a pensar mil coisas ao mesmo tempo, enquanto as meninas matraqueavam entre colheradas daquela gelatina envenenada. Eu sabia que aquilo não iria acabar bem, mas ia falar o quê?
De volta ao meu problema, peguei o celular e liguei para minha mãe.

-Oi, mãe. Faz um favor pra mim? Eu tô voltando pra pegar o meu cartão do banco, que esqueci na gaveta da escrivaninha lá atrás, você pode pegar ele pra mim e me entregar aqui no portão? Tô aqui na avenida, já. Valeu, mãe, te amo!

-O quê você tá fazendo, Ana?

Dei meia-volta no carro e desci a rua na contramão, à toda. Repassei o plano na minha cabeça: se quando me atendeu mamãe estava na sala (e deveria estar, porque era hora da novela), ela precisou esperar o próximo comercial, atravessar a casa, o quintal (o que era quase sempre um pouco demorado por causa dos quatro cães-fila de estimação), subir no meu apartamento, destrancar a porta, atravessar o quarto e fuçar na escrivaninha. Levaria uns 5 minutos. Eu precisava chegar lá em três. Mas acho que dava para fazer em 2 e meio.

-Savana, sua MALUCA, você vai matar a gente!
-Se eu não fizer isso, minha mãe vai ME matar!

Reduzi um absurdo para entrar no condomínio. Acho que demorei mais do portão do condomínio até em casa do que no caminho todo de volta. Mas eu não podia chamar a atenção. Já tinha sido ousadia demais essa escapadela.

-Fiquem quietas, pelamorrr! - saí do carro e entrei correndo pela lateral da casa, que ia direto á área de serviço. Minha mãe ainda estava indo buscar meu cartão. Nos encontramos quase na porta da lavanderia, mas por sorte, em lados opostos da piscina.

- Savana! Veio buscar..?
- Pode ir ver lá pra mim, mamãe? Eu vou olhar se não esqueci no bolso da minha roupa suja.
-Então vai lá no seu quarto que eu olho na lavanderia e aproveito para separar a roupa...
-NÃO! - é que...é que aí se estiver aqui eu não preciso subiiiir até lá, né... É que a gente tá atrasada, quer dizer, EU tô... -fui dizendo isso e correndo pra lavanderia. Minha mãe foi subindo para o quarto. Ela tá acostumada com isso: minha família inteira, quando está com pressa, não fala coisa com coisa...
Mexi em dois cestos da minha altura, cheios de roupa suja, para me tocar de que mamãe separa as roupas brancas numa outra bacia. Achei. Enfiei a mão no bolso, resgatei minha "vitamina C" e saí vazando:
-Achei, mãe! Tchau, já vou!
-Vai com Deus, minha filha! - ela berrou lá do apartamento.Com certeza não tinha nem chegado até a escrivaninha, ainda.

Voltei para o carro, que agora parecia um café holandês. O pote com a gelatina estava vazio, e aquelas quatro idiotas ainda queriam ficar MAIS doidonas?

-Ei, a noite tá só começando, turma.
-Pois éééééééé..! -repetiram as gêmeas, com uma preocupante e equivocada empolgação.

**********

Acordei com tanta dor-de-cabeça que nem conseguia abrir os olhos. A boca estava ressecada e com gosto de pneu de caminhão.Parabéns, Savana, essa é a sua primeira ressaca!- eu cuidaria para que fosse a última. As últimas 24 horas estavam parecendo rumspringa. Aquele ritual amish onde os adolescentes experimentam a vida longe de sua cultura rígida.
A voz forte do meu pai ressoava por toda a casa e fazia vibrar meu cérebro alcoolizado. Mesmo ali do apartamento dava para ouvir claramente aquele seu tom de descontentamento. Por causa do seu tom de voz, meu pai não falava: trovejava. Não gritava: rugia. Me assustei. "Pronto, agora eles descobriram tudo, e estão discutindo para qual colégio interno ou país muçulmano vão me mandar pro intercâmbio!"- pensei.
Vesti o roupão por cima da camisola e fui atravessando o quintal cautelosamente, tentando compreender melhor sobre o quê esbravejava meu pai

-Mas como, meu bem, você esqueceu de olhar os bolsos da roupa suja, e a Dona Maria não olhou também?
-Não, amor, eu sempre olho, mas ontem a Savana passou aqui e eu me atrapalhei...
-Era minha melhor camisa de reunião, eu queria usá-la hoje..!O quê são essas manchas laranjas?
-Não sei, amor, só tinha peças brancas na máquina, com certeza ela deve estar com algum defeito..!

Defeito eu não sei. Mas se era gripe, passou...

terça-feira, julho 06, 2010

Júlia em: KUNG-FU PANDA : Mestre Oogway


Ela tem três anos e adora Filosofia...e cereais!Eis um dos motivos pelo qual é delicioso assistir desenhos com minha filha para poder "debatê-los" depois!


Júlia entra na cozinha e começa a fazer perguntas sobre o Mestre Oogway, a tartaruga centenária e sábia de “Kung Fu Panda”. Depois de passar meia hora enrolada em tentativas de explicar por quê o Mestre Oogway “subiu”(ao céu), Júlia tenta escapulir da cozinha levando o cabo da minha vassoura.
-Devolve isso aqui, você não é o Mestre Oogway!- tratei de resgatar o que a Julia quis fazer de bengala.
-Mãe, por quê o Mestre Oogway usa isso?
-Pra se apoiar, filha. Para auxiliar a ficar de pé.
-Por quê ele não consegue ficar de pé?
-Porque ele é muito velhinho.
-Por quê ele é muito velhinho?
-Porque ele já está há muito tempo na Terra.
-Por quê?
-Porque chegou antes de nós.
-Por quê?
-Não sei, mas deve ter um motivo.
-O destino?
(quase engasgando)
-É, talvez.
-O destino dele é derrotar o Tai-Lung.
-Esse é o destino do Panda. O do Oogway era treinar o ShiFu, pra ele aceitar treinar o Panda.
-Não era o destino da Tigresa?
-Não. Por isso inclusive, que ela e os outros foram lá enfrentar o Tai Lung e apanharam, se machucaram...
-O ShiFu falou pra eles não irem, né?
-É, mas eles desobedeceram.
-Mãe?
-Sim, Juju?
- A Cely tem um boneco do Mestre ShiFu, compra um pra mim também?
-Quem sabe, Julinha, quem sabe..!



Não adianta apenas oferecermos filmes inteligentes às nossas crianças, é preciso saber é como estas mensagens são compreendidas. Para ter acesso aos nossos filhos não adianta só conhecer o mundo onde eles vivem, precisamos nos esforçar para conhecê-lo e identificar como eles o conhecem.
E isso é simplesmente mágico..!

Maquininha de escrever

Estava lendo uma matéria sobre pessoas que ainda usam a máquina de escrever, gravam em K7, fotografam e filmam com câmeras antigas... Os autores do texto chamaram isso de "cultura de resistência". Agora já sei que meus pais não são malucos parados no tempo: são (como o nome em si já evoca uma banda das antigassas) "Heróis da Resistência".
Se vocês acham que "maquina de escrever"é uma coisa do "tempo do Onça", pois eu aprendi a datilografar em uma de 1835 ou 1935 (está gravado o ano bem na frente dela, uma Remington, mas não me recordo exatamente.). Não que funcionasse maravilhosamente, mas dava para escrever coisas nela. Ainda deve dar, se eu me interessar em montar uma expedição à garagem da casa de meus pais, resgatá-la e dar-lhe uma bela limpeza. O que eu mais gostava nela, é que além do preto ela escrevia em vermelho, verde e amarelo. Mais chique, impossível.
Nunca tive máquina de escrever elétrica. Lembro de uma amiga - Michelle Dariva, de muitas pizzas e confusões - que tinha uma no quarto. Eu achava aquilo mágico. Mas demorei muitos anos para sair do velho caderno-e-caneta. Mesmo depois que tivemos um 386 (que acho que nem tinha processador de texto) e depois um Compaq Presario com Pentium II (ooooooh!!) - eu ainda preferia escrever à mão. Foram os blogs que me acostumaram a ser criativa no teclado - além de ser muito legal poder escrever conversando com umas cinco pessoas ao mesmo tempo no MSN. Eu sou ótima em multiconversas: sempre sobra papo pra todo mundo!! O Fúlvio disse que vai fazer uma petição no Orkut: "BOTÃO OFFLINE PARA A ROSINHA!", mas aí, como vão ficar as reuniões da turma? "É DE CAROÇA!" , "OLHA O GATO!", 'DE VINTE, PAPAI!"..?? Ah, fala sério!

terça-feira, junho 29, 2010

REVISTA INTERA: As novas páginas da música em Manaus

Aconteceu sábado (26) no Espaço Cultural Valer, o lançamento da REVISTA INTERA: uma novidade que vem resgatar, divulgar e impulsionar o cenário local da música que fala alto e tem muito a dizer. Com jeito de fanzine e produção de "gente grande", a revista Intera surgiu como um sonoro cala-boca a quem diz que Manaus não tem rock e no Norte só tem Boi-Bumbá.

Embora a revista não fique devendo em nada no visual e na diagramação descolada, bem ao estilo de seu público-alvo, o ponto forte da Intera com certeza são os textos. E que textos! Ainda que a quantidade de letrinhas possa assustar os menos entusiastas da leitura, a qualidade das colunas, matérias e entrevistas supera de longe qualquer expectativa, provando de uma vez por todas que não só é possível como necessário levar a sério um cenário tão rico quanto desacreditado que é a música local, independente, alternativa, que todo mundo conhecê mas ninguém vê. A Intera chegou para mostrar, botando os Platinados na capa e fazendo jus a cada nome, rosto e som que vêm no recheio, no rock, no rap, na música eletrônica...

Meus anos de trabalho na divulgação da cena underground de São Paulo me mostraram que este é um meio onde pululam boas idéias e faltam iniciativas. Agora Manaus tem - literalmente- nas mãos, a oportunidade de fazer vingar esse projeto nascido "das reuniões de sábado à noite, das discussões via Internet,na troca de idéia, de informação, na briga ou na diversão" - como o jornalista Thiago Hermido assina no primeiro editorial. A também editora da Intera, Renata Paula, creio que dispensa apresentações. Se alguém que se diz "do meio" não conhece, nunca ouviu falar dela e de sua atuação de responsa no cenário cultural manauara,esse alguém não vale nem os R$ 2 que custa a revista...

Pra completar, uma seção de classificados dá aquela força pra conectar quem precisa vender, comprar ou arrumar uma banda (os anúncios dessa seção são gratuitos), e a última página traz a crônica de "Mark Bloch e Sua Guitarra Voadora", uma historinha bem ilustrada que prenuncia uma continuação. Como esperamos que continue a própria revista INTERA, em apresentação e qualidade, cumprindo essa promessa de impulsionar ainda mais alto uma cena que há muito já pode voar com suas próprias asas.


CONTATO

E-mail
revistaintera@gmail.com

Twitter
www.twitter.com/revistaintera

Mini- Mim



Nunca fui uma boa jardineira.Sem contar os feijões que fazia brotar em potes de Danoninho na escola, nunca consegui cultivar por muito tempo qualquer planta que fosse. Na verdade, dei como encerrada minha insistência quando consegui matar um cacto.
Então, por ocasião de meu casamento, meu amigo Henrique presenteou-nos com uma mini-roseira. Linda, cheia de pequenas rosas vermelhas, exibidas, exuberantes. Olhei para elas com o encanto e o receio de quem recebe um recém-nascido.

Com carinho e cuidado, dispensei a elas todo a atenção que achava necessária a uma planta de aparência tão delicada: sombra, água, um pouco de adubo. Mas as rosinhas secaram, caíram e não queriam mais brotar. Mesmo assim, todas as manhãs, regava o pequeno vaso com uma certa tristeza, penalizada por não saber fazer vingar sequer uma flor dada com tanto carinho.

- Rosinha, o que você tem? Eu sou Rosa também, devia saber cuidar de você, mas você é folha e flor e eu sou carne. Me diz o que você gosta, que eu já não sei mais o que fazer.

Nenhuma resposta. Suspirei para o silêncio com o sol da manhã manauara batendo em minhas costas. Esse sol de bem cedinho, gostoso de sentir. Desejei não ter serviço e poder ficar "lagarteando" por horas, como tanto me faz feliz.
Já ia entrando quando deu um "estalo" na minha cabeça: talvez a rosinha goste desse sol também. Tirei o vaso da sombra onde o mantinha. "Eu gosto disso, quem sabe você goste também".

Ás dez em ponto, levei-a de volta á sombra " Depois você volta. Nesso horário o sol é muito forte, pode te fazer mal.". Levei-a para a área de serviço, fiquei lavando roupa e conversando com ela. "Os vizinhos vão achar que sou maluca. Vamos ouvir um pouco de música, rosinha, quem sabe você goste também".

Coloquei música, cantei junto. No fim da tarde, coloquei a rosinha novamente no sol, como prometi. Naquela noite, resolvi deixá-la "dormir" no sereno. É tão bom dormir ao léu em noites tão estreladas como aquela!

-Boa-noite, rosinha! - disse, antes de entrar.

No dia seguinte (impressão minha?) - a rosinha parecia mais verde e folhada. Descobri encantada dois pequenos botões. Quase beijei os brotinhos, batendo palmas de tanta alegria. Talvez agora eu consiga finalmente fazer uma flor brotar nesse mundo. Talvez não fosse mesmo difícil para a Rosa aprender o que a rosinha gosta. Um pouco de sol e sensibilidade. Ora, e quem não gostaria disso?

Pátria de Chutados



Não sei se o Brasil é o único país do mundo onde se dispensam funcionários e pára-se a produção por causa de jogos de futebol, mas não duvido que seja. No fundo, o negócio do brasileiro não é nem futebol: é carnaval. Pode ver: até em época de eleições o negócio é fazer barulho, carreata, ligar o som alto, pintar a cara e sair por aí agitando bandeiras e jogando papel picado para cima. Copa não é só futebol, é churrasco, é bebida (para alguns é bebedeira) , é reunir os amigos, a família, os vizinhos, o país inteiro colocando em pauta, aos berros, a reputação da mãe do juiz.
Cristãos não brincam o carnaval, e tem muito brasileiro que não se preocupa em exercer sua cidadania sequer indo ás urnas, mas copa, ah! Todo mundo gosta, vê, torce, ri, se descabela, pinta a cara, a casa, o carro, o cachorro de verde-amarelo, põe bandeira na janela, até bota a mão no peito pra cantar o Hino Nacional. Ah, se fosse a mesma coisa na Semana da Pátria, que quase ninguém mais lembra quando é!

Mas, em lugar de me lamentar, aproveito. Boto minha bandeira, canto meu hino, saio de verde-amarelo transbordando a honra de ser brasileira e agora - só por agora - ninguém acha que sou maluca.

quarta-feira, abril 07, 2010

Imprevistos...

Ainda bem que este blog só ia durar uns meses.
Posso afirmar com convicção que ele talvez tenha se tornado o registro online mais fiel dessa fase de transformação completa da minha vida. Ele nasceu com o amor que foi o verdedeiro gatilho dessas mudanças e que me guiou até aqui. Sou feliz hoje, muito mais que naquela época. Sou mais completa, mais madura, aprendi um tanto. E já sei que sempre estarei aprendendo.

Hoje acordei apaixonada pela minha vida.

terça-feira, abril 06, 2010

O Vale da Morte

Uma das visões mais marcantes da minha infância é a chama da torre de Cubatão em meio ao nevoeiro da Mata Atlântica, prenunciando a paisagem estranha: Cravada em meio às maravilhas da Serra do Mar, a caveira cinza das indústrias, sempre rodeada por um manto tóxico.Eu era muito pequena para compreender o real significado daquilo, mas minha lógica infantil já me levava a ser assombrada pelos dutos que desciam junto à encosta. Ah, quantos pesadelos tive com estes dutos..!
Eu amava ir ao litoral com a minha família. Arregalava os olhos para cada palmo da estrada de São Paulo até a Praia Grande, litoral Sul. Sabia onde estava cada túnel,cada cachoeira, os melhores panoramas. E também sabia que, em algum ponto do caminho, veria os tanques, as torres e contêineres de uma cidade onde parecia não viver ninguém.

Neste ponto da viagem, era comum meu pai contar histórias medonhas de crianças nascidas sem cérebro, de deformações causadas pela poluição, de cabras nascidas com oito patas... Éramos muito novos, mas já entendíamos dessas coisas de radiação, poluição, a intervenção do homem de forma desastrosa no meio ambiente. Chernobyl era fato recente, e meus pais sempre conversaram com a gente sobre tudo, seguindo o ritimo dos nossos interesses e perguntas- que nunca ficavam sem resposta.Ok, talvez algumas dessas respostas possam causar alguns pesadelos, mas são as questões que nunca serão menos difíceis de engolir, mesmo. Talvez seja uma boa forma de criar uma geração com mais consciência ecológica: contando histórias de terror ambiental para as crianças...

Comigo funcionou. Eu olhava, vidrada, o "Vale da Morte". Suas construções cinza em contraste com a linda floresta pareciam um castelo de vilão de conto de fadas, permanentemente envolto por uma bruma venenosa. Era uma vez um lugar maravilhoso, pujante em recursos naturais, vasto de mangues ricos em biodiversidade, onde os rios encontram o mar.Aí chegou o Lorde Ganância, pisou nas flores, derrubou as árvores, queimou a casa dos animais, destruiu o delicado ecossistema do vale envenenando seus rios e contaminando suas fontes. Trouxe consigo muitos escravos-zumbis, e logo surgiram muitos outros, que se submetem ao Lorde Ganância para poder sustentar-de forma precária- sua família. Por um pouco de dinheiro, o escravo-zumbi entrega sua saúde e a de sua família. Sua energia para ser drenada em prol de uma causa absurda que causará danos irreversíveis para os quais o arrependimento será global e tardio.

Cubatão, onde o vício em dinheiro disfarçou-se sob o nome de "progresso", onde a sede pelo poder foi infinitamente maior que o bom-senso, monumento futuro à arrogância do homem em seu sonho ilusório de supemacia...Cubatão, tenho medo de ti, por tudo o que representas, mas tenho ainda mais medo daqueles que não enxergam teu sinal...A tragédia humana nas vidas dos que te habitam já vai muito além do Socó e das crianças deformadas: são cidadãos de uma terra fundada em honra a um falso Deus, um reinado de ambição erguido sem qualquer respeito às verdadeiras riquezas que lá outrora existiam. Um patrimônio essencial foi destruido. A máquina de destruição não poderia encontrar local mais estratégico. E, pelo benefício de poucos, muitos são massacrados. É um sistema cruel, o que permite isso.

Sinto uma coisa estranha no peito, uma certeza de que a Mãe Natureza, que têm dado mostras do fim de sua tolerância com esse tipo de abusos, vai cobrar em breve pelo erro de Cubatão. Um preço do tamanho desse erro, do tamanho da dor de todas as mães das crianças mortas ou anacéfalas, proporcional à riqueza dos mangues agora depósitos de lodo tóxico, um preço que só irá se pagar quando a Serra do Mar tiver conseguido erradicar de vez o rastro humano em seu território. Mas o tempo da Natureza é eterno. o nosso é limitado, e muito curto. Talvez eu viva para ver Cubatão sendo engolida por deslizamentos, sufocada por seus tóxicos ou ardendo em suas chamas. Mas é certo que nesta vida não poderei vê-la como era antes mesmo de eu nascer, antes da indústria chegar, caminhar descalça em seus mangues, beber água de qualquer bica.

É, meu amigo... "a humanidade que salve a si mesma..."

quinta-feira, março 18, 2010

Pelo direito de ser...SIMPLESMENTE MULHER!!!

Pelo menos no tocante ao Brasil, o feminismo foi uma das piores catástrofes sociais da história. Que me perdoe minha querida Tintti,grande amiga e militante da causa, que conheci durante minhas aventuras na gélida Finlândia. Aqui nos trópicos, a coisa não é tão florida assim. Talvez também não seja em qualquer outro lugar do mundo- mas só posso falar do que conheço.
E o que conheço é uma geração antropofágica de mulheres numa constante competição entre si e com elas próprias. Mulheres que pensam ser mais livres, porém são mais escravas que quaisquer outras. Mulheres que desprezam a própria essência feminina,que, ao longo dos anos em busca de equipararem-se aos homens, acabaram por nivelar-se por baixo, recusando tudo o que as faziam seres mais sofisticados, de sentimentos e atitudes mais refinados.

As mulheres de hoje retardam a maternidade para quando já estão entrando no declínio da idade reprodutiva. E põe a busca pela eterna juventude à frente da busca pela sabedoria da experiência.O papel da mãe e dona-de-casa é ridicularizado, considerado última instância, falta de opção, "sina" das ignorantes, analfabetas e obsoletas.

Provavelmente a avó que foi às ruas pelo direito de votar e trabalhar por um salário digno não imaginou que sua filha queimaria sutiãs em praça pública pela liberdade sexual. Imagino o que se passa pela cabeça dela ao ver os valores e ideais defendidos pela neta de 13 anos...


A mulher tem que ser independente, trabalhar fora, ter formação.Mas, se for bonita e tiver um belo corpo,o conteúdo passa a ser irrelevante para o sucesso. Em se tratando de mulheres consideradas importantes da nossa época, a aparência parece sempre superar o conteúdo. Vejamos a cultuada Megan Fox, atriz de pouco talento, caráter notadamente duvidoso, atitudes lamentáveis e uma beleza estonteante. Ela pode ser horrível por dentro, mas quem liga? Todos querem tê-la, todas querem sê-la.


Aprendemos não devemos nos apegar a nenhum homem nem se prender aos filhos. Tivemos isso tão incutido em nossas mentalidades, que se refletiu em homens que não valorizam as mulheres como esposas e filhos que não reconhecem o valor das mães. Mais triste do que uma jovem que acha absurdo cozinhar e põr a mesa para o marido, é um rapaz que diz jamais querer se envolver com uma garota que prefira as prendas domésticas à uma carreira profissional.

Vejo a situação deste início de século XXI como uma oportunidade para se equilibrar estes valores. Iniciar uma luta pelos direitos de sermos verdadeiramente mulheres. Lutar pelo direito de NÃO optar por uma carreira profissional que exclua uma vivência familiar saudável. Pelo direito de ficar em casa educando nossos filhos, sem ser julgada com desprezo pela sociedade. Lutar por não ser rotulada segundo o número do manequim, não ter a inteligência medida pelo valor de um salário.

E, concluindo, faço questão de frisar a um possível leitor que hoje, aos 30 anos, não penso em mim como nenhuma ignorante, desafortunada ou infeliz por ser dona-de-casa. Na verdade, considero um privilégio muito grande não ser obrigada financeiramente a ter um emprego assalariado, e poder me dedicar inteiramente à minha casa, ao meu marido e à minha filha. Não depender de uma faxineira também é uma oportunidade de independência. Que espécie de independência é a de uma pessoa que nunca tentou fritar um ovo ou lavar a própria roupa..? Não preciso de um patrão me dizendo o que fazer ou não fazer: eu conheço as vantagens e prejuízos de cada ação minha para eu e minha família. não trabalho por dinheiro, e sim por amor. A gratificação é imediata, e o reconhecimento, às vezes pode até vir com o tempo, mas vem com uma solidez que poucas carreiras podem garantir.

Continuo com minha produção intelectual e profissional, eventualmente até ganho dinheiro com isso. Mas fazer o almoço da minha filha e vê-la sorrir, isso patrão nenhum paga.Saber que meu marido já comeu nos melhores restaurantes, e acha o meu arroz o melhor do mundo.

E aí? Quem ganha mais que eu?

*risos*

segunda-feira, dezembro 21, 2009

O Natal do Papai Noel

Joseph Olsen tem 65 anos e mora na Zona Sul de São Paulo. Veio ainda pequeno para o Brasil, com seus pais que fugiam da guerra na Europa. Desde sempre, morou naquela casa humilde, num bairro que nunca prosperou de fato. E do pai herdou apenas a profissão de encanador com a qual sustenta a si e a D. Betina, com quem vive há mais de vinte anos, e tem fama de ser tão mau-humorada e turrona quanto ele. Nunca tiveram filhos e viviam implicando com a molecada da rua, que fazia ainda mais questão de provocar algazarra na frente da casa deles.
Este ano, um desses scouters de agência publicitária, abordou o Sr. Olsen na parada de ônibus, oferecendo emprego de Papai Noel no fim do ano. Seu tipo robusto, de olhos azuis, cabelos e barba brancos era perfeito para o papel! O Sr.Olsen fez sua cara feia de costume, não disse uma palavra e enfiou o cartão da agência no bolso, esquecendo-o ali. Quando D. Betina o encontrou e perguntou o que era aquilo, o Sr. Olsen respondeu com sua rabugice de sempre:
-Um maluco quer que eu seja enfeite de Natal. Joga isso fora logo, ô mulher enxerida!
Mas D. Betina, ao invés disso,começou a resmungar que era por isso que eles viviam na miséria, que o marido era um idiota que não aproveitava nenhuma oportunidade...depois foi subindo o tom de voz, reclamando do estado da casa, do carro, das dívidas...e por fim, acabou declarando que o Sr. Olsen ia sim, trabalhar de Papai Noel, porque eles não estavam na posição de recusar dinheiro.

E foi assim que naquele fim de noite quente e chuvosa, 19 de Dezembro, o Sr. Olsen veio correndo e xingando se abrigar na parada de ônibus. Estava cansado, mais rabugento que nunca, maldizendo a mulher que o obrigara a passar aqueles dias aturando os filhos mimados da gente bem de vida. Saíra atrasado, devido ao grande movimento do shopping,o gerente o obrigara a ficar muito além do horário, e agora o Sr. Olsen não tinha certeza se havia perdido o último ônibus. A rua estava deserta. Praguejando, tirou do bolso ensopado um maço de cigarros baratos. Tirou um cigarro amassado e tentava acendê-lo.
-Oh, p*ta que pariu, só faltava mesmo essa m*rda estar molhada..!
-Papai Noel! É o senhor!?

O Sr. Olsen quase teve um ataque cardíaco com a exclamação. Julgava-se sozinho. Mas em menos de um segundo, um mulatinho magricela e careca surgiu do meio de um monte de papelão embaixo do banco da parada.

-C*ralho, moleque, tá querendo me matar?
-Papai Noel, o senhor veio!
-Que Papai Noel p*rra nenhuma, pivete! Vaza daqui, vai, vai cheirar cola ou assaltar algum bacana no farol..!

O menino riu

-Qué isso, Seu Noel, não faço essas coisas não..!
-Ah, é. Então você mora na rua porque gosta do estilo de vida.
-Olha, gostar, gostar eu não gosto muito, não, mas não dá pra reclamar, também. Tem a parte boa.
-Que é o quê? Não apanhar do seu padrasto bêbado?
-Ih, tenho padrasto não, Seu Noel..!
-Da biscate da tua mãe, então?
-Olha, bem da verdade, lembro muito da minha mãe, não. Nem sei se era biscate ou beata. Desde sempre, o que eu lembro, é dessa vida aqui. Até morei uns tempinhos com uma tiazinha lá, uma tiazona aqui, um abrigo ali...Mas vivo bem é na rua, mesmo. A comida é quase a mesma coisa e eu ainda posso escolher onde vou dormir. E ás vezes acontece até umas coisas legais assim! Quem diria que o senhor ia mesmo aparecer, hein, Seu Noel?
-Se liga, moleque, eu não sou Papai Noel.
-Como não? Essa barba branca, esse olhão azul, essa pança...Abre essa mala aí, aposto que a roupa vermelha tá aí dentro!- o moleque fez menção de pegar a mochila surrada do Sr. Olsen (onde, de fato, estava a fantasia de Papai Noel que ele usava no shopping), mas o velho deu um safanão:
-Tá pensando o quê, vagabundo!- o menino ria ainda mais, certo de que sua suspeita estava confirmada.
-Tô pensando nada, não..! Tô feliz que o senhor tenha aparecido, só isso...o senhor não sabe há quantos anos eu espero pra ver o senhor, Seu Noel!
-Vai alugar outro.Você não tem nem mais idade pra acreditar em papai noel, moleque.
-Eu tenho treze anos...podia até não acreditar, mesmo. Mas todo fim de ano eu sempre vi o senhor em tudo o que é propaganda, de placa, de TV...mas nunca assim de pertinho. Eu até achava que o senhor não existia, mesmo, que era tudo de mentira...Mas agora que eu acredito mesmo, olhaí! a barba é de verdade..!
O menino passou a mão na barba da Sr. Olsen. Ele permitiu por um segundo, depois se afastou
-Quê..! -resmungou. -Ô seu pivete, você acha que se eu fosse papai noel ia estar aqui, todo f*dido, esperando o ônibus, hein? Não ia ser muito mais fácil pegar meu trenó e voar pra casa?
-Ah, mas isso aí eu sei que é mentira! - o menino disse, triunfal. -Isso aí eu sei que já é fantasia, tipo coisa de TV. Essas coisas de rena, neve...Isso não existe!

Então, um pensamento invadiu a mente do Sr. Olsen: a lembrança da neve no seu país de origem. Uma lembrança há muito deixada de lado, a visão e sensação dos flocos caindo mansamente, o pisar fofo e frio na relva coberta de branco...e como era gostoso deslizar no trenó nas colinas em volta da casa, onde sua mãe já preparava um farto jantar para ele e seu pai. Lembrou-se do bosque habitado por belas renas selvagens que gostava de observar ao longe. Não, elas não voavam...ou voavam? -perguntava-se o jovem Joseph, rolando uma bola de neve nas mãos.

-Tá pensando que ônibus vai pro Pólo Norte, é? - o menino interrompeu seus pensamentos com a brincadeira. O Sr. Olsen deu um resmungão. Estava de volta ao ponto de ônibus sujo, ao rapazola impertinente.
- Como é o seu nome, moleque? -ele perguntou, oferecendo um cigarro que o menino recusou.
- Zé das Caixas.
- Isso é nome de gente?
- Sei lá, é assim que todo mundo me chama. É porque eu sou catador, tá ligado? Cato caixa de papelão pra vender. É assim que eu vivo: as caixas são tipo uma mãe: me dão casa e comida.
- Isso aí não é casa, muito menos mãe
- Bom, eu já disse pro senhor que eu não tive mãe. Mas as caixas nunca me deixaram na mão.
- Você é maluco.
- Mas sou bonzinho, né, Seu Noel? Eu sei que o senhor não aparece pra quem não se comporta bem...
O Sr. Olsen se lembrou das crianças do shopping. A maioria era sempre tão bem-vestida quanto mal-educada.Era óbvio que sabiam que acreditar em Papai Noel era um jeito prático de obrigar seus pais a darem-lhe os presentes listados. Era apenas isso que importava: os presentes. Nenhuma das crianças cheirosas e saudáveis da população economicamente ativa demonstrara uma satisfação tão legítima apenas em ver o "bom velhinho" quanto a que se estampava no rosto do jovem encardido e ossudo, encarando-o com os olhos brilhantes de quem presencia um verdadeiro milagre de Natal.
- Não, Zé das Caixas, você não deve ser tão bonzinho. Afinal, eu não trouxe nenhum presente para você.
-Mas, Seu Noel, eu nunca lhe pedi nenhum presente!
-Então, de que te interessa um Papai Noel, criatura?!
- Um presente pode ser qualquer coisa, em qualquer dia. Já ganhei muito presente de aniversário...E no Natal, sempre aparece alguém dando presente: bola, carrinho, roupa...Mas Papai Noel que eu sempre quis,nunca veio. Achei que eu não merecia, mesmo.Mas agora, olha o senhor aqui, conversando comigo!

O Sr. Olsen já havia aberto a boca para dar uma resposta atravessada e resmungona, mas não conseguiu. Calou-se comovido, e virou o rosto para o menino não ver seus olhos azuis ligeiramente cheios d'agua. A rua então, iluminou-se: era o ônibus que se aproximava. Com a chuva, ele havia se atrasado. Ele fez sinal, o coletivo parou. O Sr. Olsen já havia embarcado, mas antes que a porta do veículo se fechasse, ele voltou-se para Zé das Caixas, que ainda lhe sorria, sorriso gostoso de inocência.

O Sr. Olsen revirou os olhos e deu um longo suspiro, antes de ordenar, com seu costumeiro tom rabugento:

-Entra logo, moleque.Já está na hora de você saber a diferença entre uma caixa de papelão e uma casa.

Zé das Caixas chispou pra dentro do ônibus. Abraçou o Sr. Olsen, afundando seu rosto na barba branca com a qual ele tanto sonhara, tentando conter os soluços. O Sr. Olsen também segurava uma lágrima tímida, que tentava a todo esforço rolar pela face que esboçava um sorriso. Pensava na reação de D. Betina.Ela iria ralhar, é claro que ralharia! Mas ele também sabia que o amargor da mulher era justamente a falta da doçura de um filho que a vida lhe negara. Estava decidido: daria a Zé das Caixas, que jamais pedira presente algum, um lar, e um nome. E o levaria a conhecer a sua terra, onde neve, trenós e renas existem...
Existem?

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Crise de Identidade Profissional

Acho que cheguei a uma conclusão: não posso mais me definir profissionalmente como Redatora Publicitária.

Sou uma Redatora. Ponto.

Não sei se sou tão boa com publicidade. Não sei nem se sou tão boa. Não sei se meu negócio é mais a propaganda do que a literatura ou os roteiros de ficção. Queria poder dizer que sou uma daquelas cabeças "geniais", que nos brindam com frases criativas e de efeito sobre os produtos que anunciam. Mas hoje eu não tenho mais certeza se um dia serei uma dessas cabeças, pelo simples fato de que não tenho mais certeza se é isso que eu quero.

Quero escrever. Quero viver de escrever. Quero que as pessoas leiam o que eu escrevo, e gostem. Quero que conheçam as histórias que tenho para contar, as coisas que tenho para dizer. Não porque preciso que elas sabiam, mas porque gosto que elas queiram saber. O que escrevo é o que eu penso. O que penso é o que sou. Não importa a minha cara, minha cor, minha raça, meu sotaque, minha altura, peso, ou como gosto de me vestir.Não importa nem o tom da minha voz, e nem mesmo o que eu falo- pois quando abro a boca, tendo a falar demais e articular de menos. Se quiser me conhecer, leia o que escrevo.

E só então, decida se gosta ou não de mim.

domingo, dezembro 06, 2009

Maior "comédia"..!

Hoje dedico estas linhas de reflexão a um tipo de pessoa que, ao menos uma vez, sempre cruza nosso caminho: o famoso "comédia". Acho que ninguém nem usa mais essa gíria, mas nos meus tempos de adolescente ( pois é, eu disse que estou ficando velha!) significava aquela pessoa falastrona, cheia de contar vantagem, mas que na verdade não era " aqueeela Coca-Cola toda" . *risos*. Já gastei muita saliva lamentando por pessoas assim, e já passei muita raiva também. Hoje em dia,graças a Deus, essas figuras tornaram-se raras na minha vida, mas ás poucas que ainda tenho o merecimento de conhecer, dedico exatamente o que se espera de um (a) comédia: ...risadas!
Sabe aquele Zé Ruela que já passou dos 30, nunca conseguiu manter um relacionamento por muito tempo, até hoje não tem um emprego de carreira -se é que sabe o que quer fazer da vida - vive sem grana e sem perspectiva. Mas ainda acha legal se passar por conquistador, solteiro independente,sai por aí botando banca. Se bobear, ainda "se acha" por ter conseguido comprar o último lançamento em video-game no dia que chegou ás lojas. Esse é o autêntico "comédia". Um caso tão triste que só rindo.É como boa parte das "Maria Ruela": essas mulheres também na faixa dos 30 pra cima, que, ao contrário dos Zé, na maioria das vezes até têm bons empregos, salários e carreira. Mas assim como eles, têm vidas vazias, são emocionalmente imaturas, e por trás da imagem de mulher independente e "poderosa" está uma balzaquiana insegura, obcecada por calorias, que despreza o casamento por medo de não encontrar logo um príncipe e ser taxada de "encalhada".
Nem todo Zé e Maria Ruela, no entanto, são comédias. Só os que tentam disfarçar isso...
Mas ainda existe um tipo pior de comédia: aquele "amigo de ocasião". A pessoa que só lembra que você existe quando quer alguma coisa- porque na maioria do tempo, ele ou ela estão muito ocupados sendo alguém mais importante, mais popular, mais bonito e badalado do que você. Pra quem se ofende, esse é o tipo mais detestado de comédia. Para quem é capaz de rir, esses são, definitivamente, os mais engraçados.
Meu conselho: seja capaz de rir. Logo cedo me deparei com esses tipinhos, ainda no início da adolescência, e se até por isso a experiência foi mais cruel, também tornou a "vacina" mais eficaz. Exercitar hoje e sempre a consciência de quem eu sou me tornou segura o suficiente para achar qualquer pessoa que se ache grande coisa por me superar em qualquer aspecto, uma tremenda comédia. Ainda mais quando essas pessoas acham que estão fazendo um grande favor em fazer parte da minha vida. Pior ainda se ainda vem com aquela puxa-saquice tão autêntica quanto uma nota de R$3 com a cara do Seu Madruga...

Palhaço pode até ser engraçado no circo. Na vida real, não tem graça nenhuma..!

sábado, novembro 28, 2009

Epidemia de Solteiros

"O término de um relacionamento pode ser a maior oportunidade para encontrar o amor da sua vida" - Samantha Kyle

Não sei o que acontece, mas não deve ser só coincidência. Nos últimos dois meses, algumas - não uma, não duas, não três - algumas das minhas amigas mais próximas enfrentaram rompimentos em suas bem-encaminhadas vidas amorosas. Num momento estava tudo bem, no outro...

Ouço as histórias e, em alguns trechos, posso dizer que sei exatamente o que sentem, o que sentiram. Sou humana, pô...e de coração partido, também entendo um bocado. Todo mundo já levou um fora, já perdeu um "grande amor da minha vida". Acho que entre as mulheres, principalmente adolescentes, então, pode ser uma experiência bem devastadora. Tanto quanto...inevitável. E necessária.

Quando digo "necessária", penso que seja uma necessidade voluntária, porém irresistível. Porque a verdade é que, quando estamos curtindo uma fossa, a última coisa que desejamos ouvir é uma Samantha Kyle, com a frase que abre esta postagem. Mas se tem uma pessoa que pode dar testemunho dela sou eu, contando minha história. Todo mundo sabe como meu casamento começou. Curtindo uma fossa...

Fico triste por minhas amigas, mais ainda quando buscam em si um motivo, uma razão para culpar-se pelo fim do relacionamento. TODAS as garotas sobre as quais escrevo aqui são jovens, lindas e inteligentes. E TODAS, ao menos em algum momento, "chegaram à conclusão" de que são feias, ou gordas, ou ignorantes, ou chatas. Nenhuma o é. É doloroso ver o quanto elas se tornam fragilizadas, dependentes, incapazes, num primeiro momento, de acreditar que são maravilhosas mulheres com uma identidade própria, não dependem "dele"...É mais doloroso ainda lembrar do que senti em cada uma das vezes que aconteceu comigo. E ficava pior, quanto mais eu amadurecia.

Mas sobrevivi. Criei uma família linda. Meu marido tem defeitos,eu tenho defeitos, meu casamento tem crises. Mas hoje eu vejo que essa é a "graça": administrar essas crises. Principalmente, o conflito de egos, tão complicado no começo. Um amigo me disse que "no começo é uma maravilha". não é: o começo é a parte mais complicada. Se não ficou complicado ainda, é porque não começou de fato. E, se logo de cara, um ou ambos desistem, creia-me: é melhor assim.

Relacionamento não evolui: ele existe para que as pessoas evoluam.Manter um casamento, uma convivência diária sob um mesmo teto, é uma arte que muito nos ensina sobre o respeito, a tolerância, a necessidade da ordem, da compreensão. O amor não é tudo: ele deve ser a base, o fundamento sobre o qual vamos passar a erguer um colosso de paciência. E é desta paciência que esperamos que venham, pouco a pouco, todas as outras conquistas.

Paciência inclusive, para esperar o que há de vir. Porque virá.Quer melhor chance de encontrar o amor de sua vida do que estar, afinal, desvencilhada de quem não o era?

O coração não está vazio: suas portas estão abertas.

quinta-feira, novembro 26, 2009

A vida é CURTA!

Não consigo pensar em mais nada a não ser no meu filme. Engraçado isso: não esperava mesmo que um roteiro escrito em 10 minutos, só pra marcar presença, seria selecionado no concurso. Depois, não imaginei que um filme gravado em algumas horas, sem ensaios nem atores profissionais, daria tão certo. Mas deu. Depois, achei que não iria agradar. E agora estamos a dois dias da premiação, com quatro indicações e duas matérias de jornal. Que mais eu posso querer ou esperar?
Nada. O que vier é lucro. Toda essa experiência já foi em si uma vitória. Agora eu quero só curtir a vida, que é curta, mas não pode ser só curta!!



Até porque, não é nada demais. Curta que vira capa de revista? Só se for a saia da Geisy Arruda.

sábado, novembro 14, 2009

É clichê, mas é verdade!


A primeira vez a gente nunca esquece!

Gravação da cena de abertura de "Além do Encanto", primeiro filme de ficção escrito e dirigido por mim. As filmagens aconteceram no Recanto dos Curiós, belíssima propriedade ás margens do Tarumã-Açu, conhecida por sediar eventos de wakeboard e festas de gente bonita. Na noite de 8 de Novembro era toda nossa para muito trabalho, risadas e -oba!- muito guaraná Tuchaua!

Abaixo, a ficha técnica e o cronograma de exibições da mostra. Ficou curioso? Aparece lá!


"ALÉM DO ENCANTO" - Um filme de Rosa Moraes

FICHA TÉCNICA

Elenco:

“Encantada” .................. Leda Mayara
“Boto”............................ Santhiago Moss
“Pai”............................... Wander Luis
“Mãe da Grávida”........... Dorotéia Botelho
“Grávida”.........................Mel Rose
“Menino”..........................Marcel Perón
“Menina”..........................Julia Giamarino
“Mãe das Crianças”.........Célia Perón
“Delegado”.......................Niels Newton
“Policial 1”........................Sales Botelho
“Policial 2”.........................Sani Miléo

Equipe:

Roteiro e Direção..................Rosa Moraes
Assistente de Direção...........Caio Luiz
Produção.............................. Renata Paula
Ass. De Produção................. Luis Guilherme Bitterncourt,
Aylton Botelho
Elias Vidal
Samy Castro
Najara Perón
Direção de Arte.....................Inamara Fernandes

Auxiliar de iluminação.............Alvaro Botelho
Continuista...............................Renata Paula
Cameraman e Edição..............Junior Rodrigues
Still ..........................................Thiago Hermido

Agradecimentos Especiais:

Alcy Alves
Ana Scognamiglio
Carla Machado
Francisco Santos Silva
Rodrigo Mari
Flutuante Peixe-Boi


Exibições:

MOSTRA “CINEMA ALÉM DA IMAGEM”
20/11 – Sexta-Feira
*10h
CINEMARK - Manaus

MOSTRA “CURTA 4 ponto 5”
21/11 – Sábado
*10h
CINEMARK - Manaus
*18:30h
ITACOATIARA

22/11 – Domingo
*19h
MANACAPURU

MOSTRA “QUATRINHO.4”
23/11 – Segunda-Feira
*10h
CINEMARK - Manaus

* hora local

quinta-feira, setembro 17, 2009

A dor e a delícia de ser quem eu sou..!

Muito prazer, se for a primeira ou a milésima vez que você acessa este blog. Seja bem vindo, tire os sapatos, espreguiçe, sente-se em qualquer lugar e não repare na bagunça.
Sou Rosa Moraes, sonhadora por vocação e redatora por profissão, embora meus melhores textos eu sempre acabe escrevendo de graça aqui, ali, num pedaço de papel higiênico que nunca mais será encontrado. Escrevi também algumas letras de música que só eu sei e alguns filmes que só eu vi (mas em breve vocês também poderão ver o primeiro filme de ficção escrito e dirigido por mim na telona do Festival Curta 4 ponto 5!!)
Amo trabalhar, odeio ir pro trabalho. Amo cozinhar, odeio lavar a louça. Não sou magra nem gorda, não sou feia nem bonita. Sou baixinha, baixinha que só. E sou paulista, meu!
Ah, quem dera ser um peixe! Amo água e viveria feliz numa cabana a beira-mar, desde que tenha Internet. Não faço questão de ser rica, mas viveria como socialite numa boa. Só não vejo sentido em passar a vida perseguindo uma fortuna, uma posição, um corpo que nunca será o suficiente. Meu negócio é ser feliz hoje, e talvez amanhã. E amanhã eu penso no depois de amanhã. Depois de amanhã eu penso na semana que vem.
Sou Rosa, sou Pikena, sou o nick que me der na telha.Sou dramática, exagerada, sangüínea, de gritos, lágrimas, gargalhadas e biquinhos. A rainha do sarcasmo com um senso de humor babaca. Não tenho idade nem cor de cabelo. E já desisti de entender o mundo há muito tempo.

Muito prazer. Eu sou, provavelmente, alguém que você nunca irá conhecer.

:D

terça-feira, setembro 15, 2009

Amor bipolar

Passou.

Toda aquela frustração e indignação do sábado acabou no domingo à noite, depois de mais alguns surtos pré-menstruais, dramas cinematográficos e até alguns questionamentos filosóficos.

Amanheço numa segunda apaixonada, numa terça romântica, sonhando com uma quarta arrebatadora, uma quinta de companheirismo e uma sexta sensual.

Todo amor é cheio de altos e baixos.

Todo relacionamento é bipolar.

domingo, setembro 13, 2009

Questão de fidelidade...

Tive até uma espécie de pesadelo essa noite. Sonhei que estava em algum lugar inexistente de São Paulo, parecia uma escola ou faculdade. A um certo ponto, me peguei combinando uma ida ao motel com alguém. Aí eu lembrava "Putz, mas eu sou casada..! Não vai dar pra pernoitar, eu tenho que voltar pra casa hoje."

No sonho, eu não senti culpa nenhuma. Só aquela pontinha de receio de quem está fazendo algo com medo de ser pego, mas acha que isso é uma possibilidade um tanto remota. Demorou um pouco para eu me tocar, ainda dentro do sonho, que o meu amante era o Bilud. Claro, por isso foi tão fácil marcar uma rapidinha assim sem culpa nenhuma! Mas.. peraí, então quem era o meu marido, no sonho?

Era ele também, pô! Esquisito, né? Eu era casada (com ele) e tinha um amante (ele também). Mas embora fossem a mesma pessoa, no sonho era como se fossem irmãos gêmmeos, clones de corpo e personalidade. Imagina o absurdo da situação: eu chegando atrasada em casa e inventando uma desculpa pro meu marido para disfarçar o fato que estava era na sem-vergonhice...com ele mesmo. Complifuso.

De qualquer maneira, acordei com um sentimento esquisito. Acho que nunca (ou pelo menos nunca desde que estamos juntos -ou desde que existe esse blog, o que dá no mesmo) nunca tinha tido um sonho em que eu fosse infiel. E agora, não tenho certeza de que foi ou deixou de ser o caso. Se o marido e o amante são a mesma pessoa, é traição? O que confundiu tudo foi o lance de precisar mentir e esconder do marido.

Ai, que confa!! *risos*

Por outro lado, é engraçado isso. Faz pensar. Eu já traí e já fui traída, como todo mundo, eu acho. Meu relacionamento , verdade seja dita, é o resultado de uma traição. Mas de minha parte, meu histórico de infidelidade acabou ali. Tudo isso meu deu uma lição pra vida toda: não traia - e não seja pivô de traição.

E outra ainda mais valiosa: Não mantenha um relacionamento com alguém que você acha que pode trair. Porque, pelo menos pra mim, serviu para confirmar uma coisa que eu não levava muito a sério: QUEM AMA DE VERDADE, NÃO TRAI.. Pode estar com todos os instintos sexuais berrando - o que não podemos controlar- Mas não chega ás vias de fato. "Um momento não vale um relacionamento". Isso é lei. Se valer...bom, aí vai estar claro o valor desse ou daquele relacionamento para você.

Eu só sei que meu marido pode me colocar num polígrafo, fazer interrogatório, pode perguntar até pra Deus, que eu estou muito feliz e honrada de poder dizer de boca cheia (sem trocadilhos imbecis) que sempre lhe fui fiel, fidelíssima. Mas confesso, queridos leitores, que não acho isso uma virtude tão grande quanto se apregoa por aí. Ser fiel, aos olhos do pobvo, só parece ter valor por implicar em algum sacrifício, alguma resistência, alguma luta. No meu caso, foi e tem sido simplesmente muito fácil.

Porque quem ama de verdade, não trai.

sábado, setembro 12, 2009

Eu devia ter enchido a cara ontem

Devia ter bebido, me embriagado. Mas não. Fiquei toda preocupada em me poupar, em ter disposição...

pra quê?

Hoje levantei sem ressaca e vou dormir puta da vida.

Babaquice de mulher.

Estou me sentindo ridícula, fiquei puta com meu marido, virei o computador de "costas" pra ele e estou escrevendo aqui. Dando algumas pausas entre as frases pra ele achar que eu tô no MSN.

Até parece que tem alguma outra alma na net a essa hora. Pelo menos essas "almas"com quem eu gostaria de conversar. Renata, Loyana, Priscilla...mulheres comprometidas, que me entenderiam, ou me mandariam praquele lugar, mas melhorariam meu humor.

Sei lá. Tô muito f***** da vida. Tô até escrevendo um monte de palavrões, coisa que não costumo fazer.

Hehehehe, não deixa de ser cruelmente engraçado ver meu marido espiando minha cara de canto de olho. Ele não vê a tela do meu computador, mas está bem de frente pra mim. ÓBVIO que meu sangue FERVERIA se ele fizesse alguma piada de mau-gosto desse tipo comigo, mas como você acha que estou, aqui seca pra namorar um pouquinho com ele, toda arrumadinha, e ele vir com um papo de não estar a fim de sair..? Eu não sugeri atravessar a noite numa balada, queria tomar um sorvete, algo assim.

Se pelo menos a gente não estivesse passando uns tempos na casa dos pais dele, eu não estaria tão pê da vida. Estamos aqui há quase um mês. Alguém aqui imagina o que é passar quase um mês dormindo num quarto grudado com o dos sogros?

Nada pessoal. É uma questão de PRIVACIDADE e INTIMIDADE, coisas que eu valorizo muito.

Agora ele mandou beijinho, tá tentando "fazer as pazes", pediu pra eu não ficar brava. Vou pensar muito no caso, e provavelmente vou continuar mega-frustrada até ele se tocar e levantar a bunda da rede. Aí, eu juro, esqueceria tudo. Ficaria feliz, feliz.

Poxa vida, é meu marido, o único homem que eu amo nesse mundo...é LÓGICO que eu fico enfezada se ele "não tá a fim" de sair. QUEM não fica enfezado quando o amor da sua vida tá nessas?

Agora, quando EU estou nessas e de TPM, eu posso até exagerar. Mas me sinto com vontade de sei lá o quê. Quebrar tudo, sair berrando. Ainda bem, nessas horas, que eu não dirijo. Acho que seria capaz de sair e ir encher a cara de sorvete sozinha. E isso, claro, pro relacionamento seria uma péssima idéia.

Eu nem devia estar escrevendo essas coisas, eu sei, mas ninguém vai ler mesmo, dane-se.

De TPM no sábado á noite.

Quero que se lasque. Tive uma semana de matar. Não faço a mínima idéia de porque preciso passar por isso.
Eu sou até capaz de tentar não descontar em alguém, mas fechar essas coisas dentro de mim não dá. Acho que nunca fui de fazer isso.
Não queria ficar aqui esta noite. Queria sair, botar a cabeça pra arejar. Queria um tempo com meu marido, e passei a tarde toda me arrumando, no fim não rolou e eu estou ainda mais irritada. Estou aqui, num sábado á noite, toda empetecada, escrevendo num blog que ninguém lê.

Tô com sono, mas tão puta que nem vou conseguir dormir tão cedo.


E só tenho essas linhas pra me ouvir.

sexta-feira, setembro 11, 2009

...

Cansei de vocês humanos. Vocês são malucos, incongruentes, inconstantes, incoerentes e não importa o quão interessante sejam , geralmente não passam de imbecis. (tá, a palavra é feia, mas começa com "im"...)

Destróem a natureza como se pudessem viver sem ela. Acham bonito ser feio. Nunca estão felizes com nada. Desperdiçam a vida toda obcecados em ganhar dinheiro para viver melhor. Quando? Quando o melhor da vida já tiver passado??

As mulheres, para se fazerem respeitar, não se dão o respeito. Ser mãe saiu de moda. O sexo- cúmulo da intimidade - virou um produto. Antes, os humanos trancavam seus diários ã chave. Hoje em dia, publicam na Internet.

As crianças não querem mais ser crianças. Desde cedo são adultizadas, erotizadas, massificadas. Aprendem que puxar o tapete é muito mais do que descobrir o piso. Na escola, lições de arrogância e preconceito. De que adianta o uniforme, se quem não usa o tênis da moda ainda vale menos?

Ser alegre é ser bobo. Sorrir é proibido. O amor não existe além dos contos de fadas. Ser gentil é ser trouxa. Ninguém vence na vida sendo honesto.

A comunicação humana decai na mesma proporção que os meios de comunicação avancam. É saudável ser raquítico. É legal ser ilegal. Exigem respeito sem respeitar os outros.

Tenho vontade de chorar, mas se souberem que choro pela humanidade, vão me chamar de louca.
É, eu sou louca. Isso tudo não tem jeito. Então, por quê esquentar a cabeça?


Quero estar na primeira fila pra ver a bomba H.

quarta-feira, setembro 09, 2009

9/9/9 - DIA MUNDIAL DOS BEATLES!


9. O número do novo, das novidades. Das 9dades! Número misterioso, predizendo as boas vibrações e as grandes mudanças que estão por vir. Nove de novembro, tudo novo novamente!!


E DAÍ?? O IMPORTANTE É QUE HOJE É O DIA MUNDIAL DOS BEATLES!!!

Viva John, Paul, Ringo e George!!
Viva os rapazes de Liverpool!!
Passei minha infância viajando no submarino amarelo, numa mágica e misteriosa viagem pelos campos de morangos eternamente...
Conheci a Lucy no céu com diamantes, e tive noites de dias difíceis...
Lembro de brincar na sala ao som dos vinis dos Beatles, usando um headphone maior que minha cabeça...
aprendi inglês no encarte de Magical Mystery Tour
Meu pai me convencia a comer maças olhando para o logo da Apple
E, se eu atravesso na faixa até hoje, é graças à Abbey Road.
O primeiro show em que fui na minha vida foi o Paul McCartney, no Pacaembu...
Minha filha chama-se Julia, não é por acaso...

E hoje é o dia de celebrar tudo isso!!!

FELIZ DIA MUNDIAL DOS BEATLES!!!

terça-feira, setembro 08, 2009

PikeNices! - Conclusões (II)

* Não importa quão cedo eu acorde, sempre vou levantar atrasada

*O shampoo sempre acaba quando é a minha vez de tomar banho

*Se o dia está um tédio porque não tem nada pra fazer, pode ter certeza de que o trabalho que aparecer será um saco. E virá pra mesa ás cinco horas da tarde.

*Trabalhos legais só aparecem quando eu estou entupida com milhões de outros trabalhos com prazo mais curto que são prioridade.

*A manteiga nem sempre cai pra baixo, mas as migalhas sempre fazem muito mais sujeira e se espalham muito mais do que um pingo de manteiga.

*A bateria do celular só acaba quando o papo está bom.

*Ou, se você está esperando alguém IMPORTANTE ligar.

*O filme é ruim na mesma proporção da sua empolgação para assistí-lo.

*Se for no cinema em Manaus, leve casaco para neve.

*Se for no cinema na Finlândia, vá com uma roupa bem leve.

*A pizza só demora se você está com fome.

*O ônibus só chega rápido se você acender um cigarro.

* Só aparece pouca gente na festa se você fez comida para um batalhão.

* Nunca tente desemperrar um zíper com os dentes.

Quem ama o feio...



Taí. A maior prova de que não existem padrões de beleza, afinal. Essas coisinhas horrorosas mais fofas do mundo, que justificam a lendária história da expressão "mãe coruja". Como alguém pode chamar de "feios" esses filhotinhos tão cuti-cuti?

Amo corujas. Ainda vou merecer ver uma Suindara voando por aqui.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Figuras: "Dona Façanha"

Estou inaugurando uma nova "seção"nesse blog: a megaclichêzamente nomeada FIGURAS , onde dedicarei algumas parcas linhas para falar a respeito de pessoas er..."únicas", de certa forma. ( e "esquisitas" de qualquer jeito!).

Começo falando da dona da bodega aqui perto do meu trabalho. É uma tiazona descabelada, baixinha, nem gorda nem magra, tipo uma mistura de D. Florinda com Cascatinha. Se eu passo na bodega ás seis da manhã, ela está lá, debruçada no balcão, lendo jornal. Se eu passo ás oito, ela está lá, debruçada no balcão, lendo jornal. Se eu passo às três da tarde...adivinha só?

Pois é. Juro que eu já pensei que fosse um daqueles bustos de madeira decorativos. Só que a véia tá mais pra espanhtalho...

Mas o legal da D. Façanha é justamente a capacidade que lhe rendeu o apelido. Porque ela é tão simpática e bem-humorada que ela é capaz de realizar a façanha de atender os clientes sem olhar na cara deles. Mas isso é até uma boa coisa, porque olhar na cara dela significa levar uma encarada silenciosa que diz: "Você interrompeu meu jornal!"

Ontem, meu marido, como sempre, veio me buscar e parou na bodega da "Dona Façanha" pra comprar alguma coisa pra beber. E ali estavam reunidos alguns taxistas (não sei por quê, vive cheio de taxista ali, mas não tem nenhum ponto por perto). Eles estavam elogiando efusivamente as coxinhas da D. Façanha ( o salgadinho, bem dito! ), e os risólis, etc...E a Dona Façanha lá, nem te ligo, olhando um ponto no horizonte com cara de fita Teflon. Acho que se os tios estivessem falando que a comida dela era uma merda, ela ia estar com a mesma expressão sorumbática de frigideira fria depois que acaba a omelete.

Dona Façanha é a Miss Simpatia da região Norte. Dona Façanha é um ícone do atendimento manauara.Dona Façanha é uma figura!

quarta-feira, setembro 02, 2009

NEO- Essa vida é boa, mas eu odiei o final. Tem reembolso?

E ESTE






É o maldito asteróide que, DIZEM, um dia, se chocará contra a Terra.


No fim das contas, o mundo vai acabar por uma batata.

EM&Tantas lembranças..!

Não sei se já postei sobre isso antes (devo ter postado), mas bastou uma simples menção da minha amiga Priscilla pra eu entrar numa seqüência de flashbacks de um tempo muito legal na minha vida...Quando eu estudava na EM&T- Escola de Música e Tecnologia.
Eu me divertia absurdos na aula (com a maravilhosa Eliete Murari, e fora dela, dentro e fora da escola. Edu Letti,Edu Ardanuy,Jefferson,Faíska,Nilton Wood, Kiko, Kika, Paulinho, Vanessa, Ju... e mais tanta gente com quem dividi muitas tardes, noites, happy hours. Foi numa dessas que descobri o EMPÓRIO, o bar mais mequetrefe da cidade, onde ás vezes o garçom tinha que ir comprar a cerveja no supermercado (!!) e onde serviam licor de Kiwi num copo de requeijão cheio até a boca. Mas o som...Só diretoria!! Pelo nível dos freqüentadores acima citados, vocês imaginam o nível das "jams" que aconteciam por ali. E pouquíssimas pessoas testemunharam isso, já que o público do bar parecia restrito ao pessoal da Escola...Cada festa maluca eu vivenciei por ali!

Saudades do Taffo, de sua Rosa Branca que tantas vezes virou referência para os meninos brincarem com meu nome. Saudades dos eventos, de conviver lá dentro com meu irmão, meu melhor amigo, das risadas e histórias que vieram, passaram, mas ficaram na memória.

terça-feira, setembro 01, 2009

Criativa em Crise

Fazia tempo que não passava por um "branco" desses.
Estou há uma semana debruçada nesse computador sem que nada realmente digno de aplausos tenha passado por esse teclado.
E o pior é que não posso nem dizer que é uma crise de criatividade... Eu até tenho alguma das minhas típicas boas idéias aqui ou ali... Só não consigo criar para o que IMPORTA, como os benditos jobs na minha mesa.

Tenho feio os anúncios mais meia-boca da minha carreira. É vergonhoso.

Agora, preciso escrever um roteiro de 3 minutos e meio para o festival Curta 4ponto5. Quero inscrever dois roteiros. Um já está pronto, apesar de eu ter achado meio bostinha. Minha chance vai ser o segundo, que tem que sair ainda hoje. Amanhã vou inscrevê-los.

Droga...


Queria uma lâmpada acesa.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Twittando...

Guardem bem esta data: 27 de Agosto de 2009. Neste dia, rendi-me ao Twitter.

E ACHEI UMA PORCARIA!!

Putz treco sem graça, não dá pra entender nada do que está acontecendo, todo mundo fala ao mesmo tempo, é uma grande linha cruzada. E eu sou do tempo em que linha cruzada era defeito.

Fui seduzida por aquela história da Xuxa, que além de só escrever besteira, tem uma filha de 11 anos que escreve "cena"com "s" e ainda tem nego achando normal. Bom, num mundo que pergunta d ond vc tc? deve até ser. "Eu num xei nda dissu nhaummmm..!"

As pessoas poderiam estar se comunicando melhor que nunca, mas estão cada vez menos dispostas a praticar a boa comunicação. Sou eu quadrada demais ou tá tudo indo pro espaço?

Anyway, não posso mais ser acusada de me recusar a evoluir. Já estou no Twitter.

(mas vou continuar por aqui).

segunda-feira, agosto 24, 2009

Tragédia a beira do caminho.

Ontem, voltando para buscar nossa filha após um cansativo dia de preparativos para a mudança, meu marido perguntou se eu não queria ver como havia ficado o apartamento. Concordei, sem muito entusiasmo: a curiosidade era grande, mas o cansaço era maior.
No desvio do caminho, os destroços de um acidente: um Palio Weekend vermelho, todo retorcido. Impacto em alta velocidade, sem dúvida. O instinto de urubu do Biludo falou mais alto, e ele quis parar o carro para ver de perto. Muitos curiosos fizeram o mesmo. Nenhum carro de resgate por perto. Concluí que já deviam ter removido as vítimas.

Engano. Ao me aproximar do que sobrou do carro, um homem entre a vida e a morte, mais próximo dessa última, estava preso ás ferragens. Afastei-me antes que visse mais do que eu não queria ver, e foi só pelos comentários que eu soube da moça de rosto mutilado, e do bebê de seis meses que fora retirado e levado pelos populares. Em quais condições, desconheço.

Chega o carro de bombeiros. A ambulância. Duas motos de apoio. Socorro. Papai bebeu demais.

Não ficamos para ver o fim da história.À morte trágica se opõe o esforço heróico dos bombeiros. Ao pai de família se opõe o homem irresponsável. À um alegre passeio de domingo opõe-se a bebida.

Á esta conclusão, opõe-se a mídia.

Quase trinta

Não há um só dia em que eu não pense que estou chegando aos trinta anos. Mesmo assim, inegavelmente adulta, ainda não consigo "realizar" minha situação de mulher casada, mãe de família, trabalhando as 8 ás 18. Ainda gosto de fantasiar sobre o que quero ser quando crescer.

Quando tinha nove, dez anos, olhava as garotas de 15, e pensava "um dia, serei como elas, terei essa aparência de moça"

Quando tinha quinze, sonhava com os 18, com uma independência utópica: "aí sim, serei adulta! " pensava.

Com 18, achava "velhas" as mulheres de 25. Mas me sentia muito nova ainda. Não me dedicava muito aos estudos nem me preocupava com futuro profissional. "Ainda é muito cedo pra decidir o que quero na vida!" , filosofava.

Com 25, grávida, assistia empaticamente docimentários sobre gravidez na adolescência. Sempre levava uma meia hora até eu me tocar de que não era bem o meu caso...

E hoje, aos 28, me recuso a acreditar que, finalmente, eu cresci (bom, pelo menos envelheci). Dá pra ver no espelho, e eu dou risada ao descobrir os ainda mínimos sinais so tempo. É engraçado envelhecer, quando não acreditamos na idade.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Doida talk

Ok, vamos ocupar a hora do almoço com coisas úteis.
Eu já nem sei mais por quê continuo me preocupando em atualizar isso aqui. Ninguém mais "bloga". Todos os dias, me sinto tentada a migrar pro Twitter, mas não consigo abandonar esse Blogger. A verdade é que eu não quero, gosto da idéia de ter toda uma fase decisiva da minha vida num endereço só *risos*
Por outro lado, perdi um pouco daquela ânsia de escrever postagens interessantes, que atrairiam algum leitor pra cá. Ninguém lê mais isso há séculos.

Também, falar sobre o quê? Que eu acho que esse mundo tá perdido? Que a humanidade é doida? Que eu não entendo por que os outros não me entendem, e ás vezes me pergunto se sou muito mais doida do que eu acho que sou..? *risos*

Meu marido adora dizer que eu sou doida. Acho engraçado, porque eu entendo de onde ele tira essa idéia, mas não importa o que eu faça ou como tente, não consigo explicar pra ele que não é bem assim *risos*.

Bom, se eu sou doida, pelo menos eu sou uma doida de muita sorte. Isso ele admite: eu tenho sorte pra caramba. Vai ver é por isso que eu me divirto com a vida que levo.

Eu sou feliz comigo mesma, e você?

De bob no serviço

Mais uma vez (e já foram tantas, desde que esse blog está no ar! ), tenho que admitir:

ODEIO procurar emprego, mas sempre esqueço como gosto de trabalhar!

Num momento de ócio aqui na agência, fico remexendo arquivos de fotografias. Coisas bizarras desde mundo.
Inventando moda, criando jingles ofensivos que não vou apresentar nem pros meus colegas de criação.
Lendo panfletos sobre produtos que ajudo a vender, mas eu mesma jamais compraria (embora eu REALMENTE tenha me interessado por um carrinho de varrer elétrico).
Bagunçando minha mesa, achando que isso me faz parecer ocupada.

Vendo as horas passarem...observando melhor um ambiente que nunca tenho tempo de analisar.

É, aqui até que é legal.

DESCOBRI!!

Já sei porque tanta propaganda de cerveja mostra um cara horroroso ou tosco cercado de mulher bonita...
É que cerveja faz isso, mesmo: deixa o cara gordo, barrigudo, com a língua presa... e enxergando qualquer baranga como uma deusa...

Taí... quem disse que não é uma propaganda verossímil!?

quarta-feira, agosto 05, 2009

"Hoje é o seu dia, que dia mais feliiiiiiz..!"

Hoje é aniversário de um dos meus melhores amigos, que está fazendo 21 anos. E, para comemorar, planeja uma festa que, se não vai mobilizar a cidade, pelo menos já tá mobilizando nossa turma *risos*. Até a minha filha de 2 anos entrou nessa: passou o dia com a gente correndo atrás de coisa pra festa. "Lounge" na piscina, sonzinho "chill-out" iluminação de velas, tochas, luz negra...Olha, se sair metade do que estamos esperando, vai ser bem legal! *rs*. Eu acho que nunca vou me esquecer do aniversário dele de 18 anos. Uma das festas mais "chuta-balde" que já fui na minha vida... hehehe!
Gosto desse menino. Acho que é porque em muito, me lembra meu irmão. De uma certa forma, ajuda a enganar a saudade, que só aumenta, ainda mais agora que a distância não é só física...Pra quem cresceu em dupla, esse deserto de uma companhia divertida e confidente é duro de agüentar. Claro, meu marido, minha filha... Mas irmão... é outra coisa. Quem tem, sabe.

Minha felicidade é um pouco menor, sem ele.

domingo, agosto 02, 2009

Por quê escrever blog??

Queria poder publicar tudo o que está se passando pela minha cabeça, mas não posso. Incrível, ninguém visita isso aqui, mas vê lá: é eu escrever uma coisinha, dar uma pisadinha de bola... Pode ter certeza: o mundo todo vai saber.

Eu que sei, porque já passei por isso. Crucificada por dizer algumas "verdades que incomodam". Verdades sobre mim mesma, ainda por cima. Porque, bem ou mal, eu sou aquilo em que acredito, minhas palavras, ações e atitudes. Eventualmente, posso me calar, mas não farei isso sempre. E, pior ainda, não posso finger ser o que não sou, nem concordar com o que não concordo só para ter a aprovação e o reconhecimento de pessoas - na maioria das vezes, de pessoas que sequer se importam comigo de verdade.

E se este tipo de atitudes sempre me foi desprezível antes, hoje ainda mais, porque eu encontrei muito mais amigos entre pessoas que me aceitam como sou agora, e conseguem apontar e me aconselhar sinceramente quanto aos meus defeitos. Sem sarcasmos, ironias e maledicências.

Só lamento. Lamento inclusive porque minha principal forma de reagir ao sarcasmo e a ironia, é ignorando completamente :)

Se não güenta... *risos*

sábado, agosto 01, 2009

...

Posso postar só por postar?
Posso escrever só pra desabafar?
Nem sei o que está abafado, se é grito se é gemido
Ou mesmo se algo está perdido
Escrevo por escrever, pra sentir o gosto das palavras
Pra adivinhar o som que fazem quando ditas
Rimar até com batatas fritas
Quando falta a inspiração.
E,se não mais que de repente
Esvai-se a bateria da gente
Melhor que este post vergonhoso
Seja publicado imediatamente

sexta-feira, julho 31, 2009

"A mulher precisa de um motivo para trair. O homem, só precisa de uma mulher."

Assistindo a um documentário sobre infidelidade conjugal, apareceu essa frase que resume quase tudo. Digo "quase", porque já observei que, para muitas mulheres, o "motivo" é simplesmente ser "vadia".

Homem ou mulher, quem trai é, no mínimo, mau-caráter. Fidelidade é para poucos. "Se não güenta, por que veio?". Nem assuma compromisso. Pra quê? Se prender, sofrer e magoar o outro?

O mundo anda tão liberal, ninguém mais discrimina solteirões, garanhões, solteironas e "mulheres de carreira". Sexo já não tem que ser com amor. Pra quê hipocrisia?

Sei lá. Sou grilada com esse papo. Essa é a verdade.

Ás vezes quero fugir do mundo. E esse é um dos maiores motivos.

Novos Verbetes Para o Dicionário Joollyah-Português

Cecelo: Chinelo, sandália
Poquilos: Sucrilhos
Poponja: Bob Esponja
Cicina: Piscina
Pióca: Tapioca
Bouo aate: Bolo de chocolate
Bebela: Libélula
Mióca Touolaka: Minhoca-Touro do Alasca

Reinventando!

Quero refazer esse layout. Que me perdoem os desiludidos, mas eu nem pareço mais com essa foto...*risos*

Mas continuo a cara do tigrinho aí no título!! Hehehe!

Vou ter de reaprender a escrever coisas divertidas e bonitas, pra galera voltar a comentar aqui. Se bem que, hoje em dia, ninguém mais lê blog...Lê? Agora é tudo Twitter, Facebook, no mínimo um Orkut... Até coloquei um feed do blog no Orkut, mas ninguém mais lê, mesmo. Tá todo mundo muito ocupado mostrando a cara nas fotos. Ninguém mais quer "conhecer os outros por dentro". Esse barato da "verdadeira comunicação" da Internet acabou faz tempo. Que coisa..!

Tudo vai muito rápido. O mundo gira tanto que já dá até pra sentir o "ventinho" da evolução.

Memórias...

Sabe o que é engraçado..?

Olhando no arquivo, na primeira página desse blog...Ele começou exatamente, mas exatamentezinho, dia, mês e ano, em que minha vida toda começou a mudar pra sempre. E eu, claro, não tinha a mínima idéia disso.

No começo, era só um "amor de férias"... Eu estava encantada e triste por ter finalmente descoberto que estava muito apaixonada por alguém que se apaixonou por mim também...Mas esse alguém teve que ir seguir sua vida longe de mim, e, no fundo, eu relutava em aceitar que isso não daria certo. Essa história de relacionamento à distância não daria certo. Não pra nós.

Quando comecei a escrever este blog, com certeza não se passava pela minha cabeça que a saudade (e a maluquice), me levariam a segui-lo, dois meses depois...

...Nem que voltaríamos, tempos depois...

...Nem que nos separaríamos, um ano mais tarde...

...Ou voltaríamos após seis meses..!

Não sabia que eu engravidaria...
Que um anjinho nasceria...
Que teríamos muito a superar...
Que nos casaríamos...
E voltaríamos para o início...
Para reencontrar um recomeço..!

Não sabia que minha vida mudaria tanto, nem que EU mudaria tanto...
E está tudo aqui, de uma forma ou de outra. É engraçado.
Final feliz? Que mané final!! *risos*
Eu quero é começar tudo de novo!!!

FELIZ VIDA NOVA!!

Minha vida COM acentos!!

Alô, pessoal!
Depois de muito, muito tempo, posso prometer que voltarei a atualizar`este blog com uma certa freqüência... Afinal, CONSEGUI OS ACENTOS PARA O MEU COMPUTADOR!

Para quem não sabe, há cerca de... sei lá, forever, eu estava trabalhando com esse laptop e, por algum motivo técnico que só um técnico pôde resolver, ele estava sem acentos. Por isso eu estava com "vergonha" de atualizar o blog. Pega supermal o blog de uma redatora sem acentos...Não?!


Hehehe... e pensar que eu cheguei a ir trampar com essa máquina, escrevendo roteiros oficiais com isso... Era um Deus-Me-Acuda : antes de escrever um "é", por exemplo, eu tinha que escrever a palavra "café". Assim o corretor automático do word reconhecia e acentuava...Aí eu apagava o "excesso de contingente alfabético", e pronto!!! Toda essa "treta" só por um acento agudo..!

Mas agora, isso mudou! Agora EU TENHO ACENTOS!!

Pena que perdi todos os leitores dessa página...